Romário de Souza Faria. O Baixinho, herói do tetra e um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos completa 60 anos nesta quarta-feira, 29, em plena forma, conciliando os papéis de senador da República, cartola do America-RJ, entrevistador e muito mais.

O eterno camisa 11 fez história por seus gols (foram mais de mil) e também pela língua afiada. Um gênio indomável, que tantas vezes estampou as páginas de PLACAR.

Em janeiro de 2006, ainda em plena atividade pelo Vasco aos 40 anos, Romário foi homenageado por Lédio Carmona e André Rizek com um levantamento de “40 coisas que você não pode deixar de saber sobre o Baixinho”. O blog #TBT PLACAR, que toda quinta-feira recupera um tesouro de nosso acervo, reproduz o texto na íntegra:

Romário 40 anos

Lédio Carmona e André Rizek

Romário completa 40 anos no dia 29 de janeiro. Será um domingo do verão carioca. Na festa, o Vasco vai enfrentar o América, clube do coração de Seu Edevair, o pai do Baixinho. Belo jeito de se comemorar uma data histórica: marcando gols, o que melhor ele sabe fazer na vida.

Romário começou como profissional em 1985, no Vasco. Dos atletas de sua geração, é o único em atividade. Os demais já viraram treinador, empresário, comentarista, pastor evangélico e dono de posto de gasolina. Romário, fenômeno de longevidade, será premiado em janeiro pela Federação Internacional de Estatística e História do Futebol como o maior artilheiro do mundo em atividade: 483 gols, considerando apenas os campeonatos nacionais de primeira divisão (incluindo o Carioca). Ele só fica atrás de Pelé (541 gols), do austríaco Josef Bican (518) e do húngaro Ferenc Puskás (511).

Apesar dos cabelos brancos, Romário não vive só de história. Em 2005, foi o mais velho artilheiro de um Brasileiro (22 gols em 31 partidas, média de 0,7). Prova de que sempre se cuidou, dormiu cedo e treinou muito para chegar tinindo aos 40? Nada disso. Como você vai ler nas próximas páginas, atingir a quarta década pode trazer muitos benefícios para a vida de um homem. Mas não ajuda em nada para quem vive de arrancadas, dribles e gols. Romário só joga (e faz a diferença) até hoje por um único motivo: é um gênio.

Ele ameaça jogar até os 45. A história mostra que não é prudente fazer previsões quando o tema é Romário. Certeza mesmo é que, pelo menos em 2006, muita gente ainda terá de engolir o Baixinho.

40 coisas que você não pode deixar de saber sobre o Baixinho

1. Origens

No dia 29/1/1966, Romário nasce no Jacarezinho. Ele é criado no bairro da Vila da Penha, subúrbio carioca. Aprende a jogar futebol no asfalto e nas quadras de futsal. O número de chuteira que calça até hoje (38) é proporcional à sua altura (1,67m).

2. O começo

Lançado pelo técnico Antônio Lopes, em 1985, Romário marca o seu primeiro gol como jogador profissional no dia 18 de agosto, durante um amistoso contra o Nova Venécia, no interior do Espírito Santo. O Vasco venceu o jogo por 6 x 0, e o artilheiro ainda faria mais um gol naquela partida.

3. O primeiro corte

Em 1985, Romário é cortado da Seleção Brasileira de juniores que disputaria ” e acabaria campeã ” o Campeonato Mundial na União Soviética. Na época, o técnico Gílson Nunes argumentou que o atacante paquerava as meninas da janela do seu quarto na concentração. “O que isso tem de mais?”, disse o artilheiro ao responder às críticas.

4. Os primeiros títulos

Entre 1986 e 1988, Romário marca época no Vasco. Em 1986, o time conquista a Taça Guanabara ao vencer o Flamengo por 2 x 0, com dois gols do Baixinho. No ano seguinte, quando faz dupla de ataque com Roberto Dinamite, Romário conquista o título estadual. E, em 1998, ganha o bicampeonato, fazendo um gol histórico no segundo jogo decisivo contra os rubro-negros ” ele aplicou um lindo lençol em Leandro e quase entrou com bola e tudo.

5. Prata olímpica

Três anos depois do bi carioca, Romário brilha durante os Jogos Olímpicos de Seul. Ele foi o artilheiro da competição, mas o Brasil foi derrotado na decisão contra a União Soviética, e o Baixinho ficou apenas com a medalha de prata.

Brasil de Romário ficou com a prata em Seul – Pedro Martinelli / PLACAR

6. Milionário

Após anos seguidos de sucesso no futebol brasileiro, o atacante vai para o futebol europeu: é contratado por 5 milhões de dólares pelo PSV Eindhoven, da Holanda. Na época, em setembro de 1988, a transferência do jogador fica marcada como a mais cara da história do futebol brasileiro.

7. Copa no banco

A três meses de participar de sua primeira Copa do Mundo (Itália-1990), Romário sofre uma entrada dura durante um jogo do PSV e fratura o tornozelo esquerdo. Com a ajuda do fisioterapeuta Nilton Petroni, o Filé, se recupera a tempo de ser convocado, mas, junto com Bebeto, é deixado no banco de reservas por Sebastião Lazaroni e só atua na partida contra a Escócia.

8. Alarme falso

Cansado das inúmeras viagens e cobranças, o Baixinho avisa que só jogaria até os 28 anos. Hoje, perto de completar 40, continua em atividade.

9. Rei catalão

Em 1993, Romário se transfere para o Barcelona, onde conquista o Campeonato Espanhol e se consagra como artilheiro da competição. Em 1994, após a Copa dos EUA, é eleito o melhor jogador do mundo.

Romário brilhou em Barcelona 5 x 0 Real Madrid em 1994 – EFE/Albert Olivéns

10. O gênio

Técnico de Romário no Barcelona, o holandês Johan Cruyjff se apaixona pelo talento do craque e decreta: “Trata-se do gênio da grande área”.

11. Show-solo

Afastado da Seleção Brasileira por Parreira e Zagallo, Romário é convocado para o jogo decisivo das Eliminatórias, contra o Uruguai, no Maracanã. Uma derrota eliminaria o Brasil do Mundial dos EUA. Mas Romário joga uma das melhores partida de sua vida, destrói a defesa uruguaia e faz os dois golaços da vitória por 2 x 0.

12. Seqüestro

Antes do Mundial dos Estados Unidos, seu Edevair, pai de Romário, é seqüestrado. O final do drama foi feliz, mas foram dias de sofrimento para o artilheiro e sua mãe, Dona Lita, que, supersticiosa, gostava de quebrar garrafas durante os jogos da Copa de 1994.

13. É tetra!

Na Copa dos Estados Unidos, em 1994, Romário brilha, marca cinco gols e é a principal estrela do Brasil na conquista do tetracampeonato mundial.

Romário, do Brasil, erguendo a Taça Fifa, após a vitória sobre a Itália e a conquista da Copa do Mundo de Futebol, no Estádio Rose Bowl – Alexandre Battibugli

14. O conselheiro

Antes e durante a Copa dos Estados Unidos, Romário se torna grande amigo do capitão Dunga, a quem sabia ouvir e respeitar. A amizade perdura até hoje. Atualmente, seu grande parceiro no Rio é Március Fernandes, o Batatinha, uma espécie de faz-tudo do artilheiro.

15. O retorno

Seis meses após a Copa, Kleber Leite, recém-eleito presidente do Flamengo, vai a Barcelona e contrata Romário. Na Gávea, o Baixinho forma um ataque de estrelas, com Edmundo e Sávio. Mas o trio naufraga e vira piada dos adversários.

16. Briga de egos

No Flamengo, em 1995, Romário bate de frente com Vanderlei Luxemburgo na véspera da famosa decisão contra o Fluminense, quando Renato Gaúcho marca o histórico gol de barriga. O treinador perde a queda-de-braço e deixa o clube. No ano seguinte, Romário conquista o campeonato estadual com a camisa rubro-negra.

17. Lágrimas

Com problemas físicos, Romário é cortado, às vésperas do início da Copa da França, pelo técnico Zagallo. Chora muito durante a entrevista coletiva e volta para o Brasil magoado, principalmente com Zico, coordenador-técnico .

18. Bata-e-volta

Por duas vezes veste a camisa do Valencia, entre 1996 e 1998. Não foi uma brilhante passagem. Lá, fez apenas cinco gols. Em 1998, sequer foi titular (era colega de Marcelinho Carioca).

19. Carequinha

Romário já teve a sua fase careca. Em 1997, durante a Copa das Confederações, ele e todos os jogadores da Seleção Brasileira raspam a cabeça. Mas o artilheiro não gosta do resultado: deixa o cabelo crescer novamente.

Romário, pela seleção, em 1997 – Alexandre Battibugli/PLACAR

20. Crise da uva

Em novembro de 1999, o Flamengo perde para o Juventude, em Caxias do Sul, e é eliminado do Brasileiro. Na mesma noite, Romário é fotografado numa boate, com outros jogadores. Paga o pato, é mandado embora e volta ao Vasco.

21. Banheiro

Inaugura o Café do Gol, misto de boate e restaurante e, para as portas dos banheiros, encomenda caricaturas de famosos, entre eles desafetos como Zagallo (sentado no vaso sanitário) e Zico ” ambos não gostaram da brincadeira e processaram Romário.

22. Sem vícios

Romário não esconde: ama a noite e é figura carimbada na balada carioca. Diverte-se aos montes, mas não tem vícios: não bebe (só refrigerante light e, às vezes, champagne) e não fuma.

23. O retorno

Romário volta ao Vasco em dezembro de 1999. No mês seguinte, em pleno Maracanã lotado, perde, nos pênaltis, a final do Mundial de Clubes para o Corinthians. A torcida o vaia.

24. Na corte

De volta ao Vasco em 2000, Romário reencontra Edmundo e, de novo, se desentende com o Animal. Após uma vitória contra o Olaria, ele debocha do parceiro de ataque e do presidente Eurico Miranda: “É isso aí. Agora a corte está toda feliz: o rei, o príncipe e o bobo”.

Edmundo e Romário, no Vasco, comemorando gol contra o Manchester United -

Edmundo e Romário, no Vasco, comemorando gol contra o Manchester United –

25. Comentarista

Desprezado por Luiz Felipe Scolari, Romário não foi à Ásia ver a Copa de 2002 de perto. Ficou no Rio de Janeiro, onde comentou o Mundial para a TV Globo ” e evitou polêmicas.

26. Trilogia carioca

No segundo semestre de 2002, assina contrato com o Fluminense, onde joga até dezembro de 2004. Dos grandes cariocas, só não atuou pelo Botafogo.

27. Casamentos

Já são três os casamentos de Romário. O primeiro com Mônica Santoro, que acabou em divórcio. Depois com Danielle Favatto. Também não deu certo. Hoje, está junto com Isabelle Bittencourt, por quem se diz apaixonado.

28. Papai Roma

Três casamentos e seis filhos. Da união com Mônica, Romarinho e Moniquinha. Com Danielle, claro, Daniellinha. Dá uma escapulida e nasce Rafinha, fruto de um envolvimento com a modelo Edna Velho. E, com Isabella, ganhou Bellinha e Ivy, uma criança que nasceu com Síndrome de Down.

29. Camelagem

No início de 2003, faz um contrato de três meses para defender o Al Sadd, do Qatar. Embolsa 1,5 milhão de dólares. Briga com o técnico, se lesiona; faz apenas três jogos, não marca nenhum gol e retorna ao Flu.

30. Na janelinha

No Brasileiro de 2004, o novato técnico Alexandre Gama reclama de sua ausência nos treinamentos do Fluminense. O Peixe solta uma de suas mais célebres frases: “O cara mal chegou no ônibus e já quer sentar na janelinha.” A diretoria impõe a sua escalação.

Romário em ação pelo Fluminense em 2002 -PLACAR

31. O treinador

Dispensado pelo Flu, ele retorna ao Vasco em 2005. É vice-artilheiro do Carioca. E começa o Brasileiro em conflito com o técnico Dário Lourenço. Em julho, Romário recebe respaldo da diretoria, reaparece após um período sumido e concede uma preleção para os companheiros de time, sob o olhar incrédulo do treinador. No fim-de-semana seguinte, o Vasco perde do Flamengo, e Dário pede o boné.

32. Tchau, Seleção

No dia 27 de abril de 2005, Romário se despede da Seleção num amistoso contra a Guatemala (3 x 0), no Pacaembu. Faz o segundo gol e, aos prantos, deixa o campo aplaudido de pé pelos torcedores paulistas. No total, disputou 74 jogos pelo Brasil e fez 56 gols (e mais 15 pela equipe olímpica).

33. Bem-Te-Vi

Em junho de 2005, Romário é convocado a prestar depoimento à polícia carioca. Influenciado por Marcelo, ex-cunhado do atacante, seu filho, Romarinho, conversara algumas vezes pelo telefone com o traficante de drogas Bem-Te-Vi. O Baixinho ficou magoado, foi aconselhado pelas autoridades a acompanhar mais de perto a educação do filho e afastou Marcelo do garoto. Em novembro, Bem-Te-Vi foi assassinado durante tiroteio na favela da Rocinha.

34. Salário triplo

Milionário, hoje ele recebe salários de três fontes: dois acordos trabalhistas com Flamengo e Vasco (cada um na faixa de 100 mil reais) e outro do atual contrato com o clube de São Januário. Ao todo, fatura cerca de 350 mil reais mensais.

Romário, jogador do Vasco com o troféu Bola de Ouro, da revista Placar – Ricardo Correa/PLACAR

35. Paixão cara

Além das mulheres, outro ponto fraco de Romário são os carros. Atualmente, há seis em sua garagem. Com destaque para uma Ferrari e um Land Rover.

36. Na areia

Quando jogou pelo Barcelona, apresentou o esporte aos espanhóis. A moda pegou e até hoje é praticada na praia de Sitges, na Catalunha. Quando parar de jogar, Romário pretende praticar futebol de areia durante um período.

37. Gol 1000

Romário quer mesmo parar quando chegar aos 1000 gols na carreira. De acordo com as suas estatísticas, já marcou 941 vezes: 870 como profissional e 71 como amador. Estatísticas dele…

38. Homem-gol

Em toda sua carreira, Romário conquistou quatro campeonatos estaduais: em 1987 e 1988, pelo Vasco, e em 1996 e 1999, pelo Flamengo. Como artilheiro, seu desempenho é ainda melhor: foi goleador do Cariocão por sete vezes.

39. Farpas reais

Em 2005, Pelé sugere que Romário deveria se aposentar. A resposta foi implacável: “Pelé calado é um poeta. Tinha era que colocar um sapato na boca”.

40. É Tri!

Ao marcar dois gols no Paraná na última rodada do Brasileirão-2005, Romário torna-se pela terceira vez (2000, 2001 e 2005) o artilheiro da competição. E só não marcou mais porque perdeu quatro pênaltis na disputa. “Essa é para quem pede para eu parar. Ta bom, né?” Claro que está, Peixe.

“A menopausa de Romário”, na edição de janeiro de 2006 – Placar