A seleção brasileira feminina sub-17 decide nesta quarta-feira, 4, às 15h (de Brasília), contra a Nigéria, uma vaga inédita na final da Copa do Mundo da categoria, no Marrocos. Entre os pilares da campanha comandada por Rilany Silva está a zagueira Kaillany Ranifah, de 16 anos, cuja presença na semifinal consolida um percurso moldado por viagens solitárias no transporte público na adolescência e pela volta por cima após perder o torneio no ano anterior por lesão.

Deslocamentos solitários e início no esporte

A rotina de Ranifah no futebol começou com obstáculos logísticos logo aos 13 anos. Morando em São Paulo, ela acordava às 4h da manhã para pegar trens até São Caetano do Sul, onde estudava, conciliando as aulas com treinos de futsal e campo antes de voltar para casa perto das 22h.

“Eu nunca tive tudo na mão. Tinha que acordar cedo, pegar trem e ir lá, mas era porque eu gostava mesmo. Eu me esforçava desde pequena. Tinha uns 13 anos, pegava trem, ônibus e ia atrás. Tinha que ser forte, porque todo mundo ia com o pai e a mãe. Era eu por mim mesma”, relatou a defensora.

O contato com a modalidade começou aos oito anos na rua, incentivada por um primo. Após passar em uma peneira no Centro Olímpico, transferiu-se para o sub-15 do São Paulo, onde atuou por duas temporadas até acertar sua ida para o Corinthians, em 2024, clube que defende atualmente.

Superação de lesão e afirmação na Seleção

Com nove convocações na base, a atleta precisou contornar uma frustração física em 2025: foi cortada da convocação para o Mundial do ciclo anterior devido a uma contusão durante o período de treinos. A recuperação culminou com o título do Sul-Americano no início de 2026 e a vaga na lista final para o Marrocos.

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“Ano passado fui convocada para um período de treinos e lesionei. Eu fiquei fora da Copa do Mundo. Eu primeiro pensei no Sul-Americano desse ano. Eu fui e fui campeã. Fui para o período de preparação na Granja e fiquei na lista final para vir. Fiquei muito feliz. Acho que o trabalho devolve”, afirmou Ranifah, que marcou um dos gols brasileiros no empate por 3 a 3 com Gana na fase de grupos.

Decisão contra a Nigéria e lema na pele

Tatuagem

Tatuagem “Stay Strong” na pele da zageuria – Foto: Fabio Souza/CBF

Para simbolizar as dificuldades superadas no esporte e na vida pessoal, a zagueira tatuou a expressão em inglês “Stay Strong” (permaneça forte), lema que adota às vésperas do confronto eliminatório contra a seleção nigeriana.

“No mundo do futebol, tem muitos altos e baixos e a gente tem que permanecer forte, independentemente de tudo. É uma palavra de grande impacto e que é essencial na minha vida”, pontuou. Sobre o confronto semifinal, completou: “Vai ser um jogo em que teremos que competir em cada bola, em cada duelo. Vamos ter que suportar o jogo, aguentar a pressão e jogar o jogo que o jogo está pedindo”.

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