A fase de liga da Champions League 2025/26 começou nesta terça-feira, 8, e o tradicional Guia da competição já está disponível. A edição 1539 já está disponível em versão digital para assinantes (leia aqui).
A edição impressa estará disponível em nossa loja no Mercado Livre a partir de quinta-feira, 10, e nas bancas de todo o país a partir de sexta-feira, 11.
Os amantes da principal competição de clubes do mundo poderão acompanhar tudo sobre o torneio nas páginas da edição de setembro, que apresenta cada uma das 36 equipes que sonham erguer a Orelhuda.

A revista traz as fichas de 288 jogadores, com informações como posição, altura, idade, data e local de nascimento, clubes pelos quais atuou, além do histórico completo na Champions.
O guia apresenta o momento de cada uma das equipes para a disputa desta temporada, além de fichas com a descrição de cada clube, com seus respectivos dados como nome do estádio, data de fundação, estádio, forma como se classificou e os principais títulos ou melhor colocação.
A edição de colecionador ainda conta com perfis dos treinadores, os jogadores destaques e as novidades de cada equipe, além dos esquemas de jogo e os times-base de cada um dos classificados à fase de grupos, e os uniformes (titular e reserva) que serão utilizados pelos times ao longo da temporada.
Não poderia faltar o tabelão com todos os jogos da competição para ser preenchido, além de um página de almanaque, com recordes e marcas importantes da competição.

Confira a carta ao leitor desta edição:
A história debaixo de nosso nariz
Não é tarefa simples identificar um fenômeno como tal no exato momento em que ele ocorre. Eventos históricos geralmente necessitam de certo tempo e distanciamento para revelar seu verdadeiro impacto. No universo tão imediatista do futebol, nota-se uma tendência curiosa: muitas vezes, bons jogadores são elevados a craque ou reduzidos a bagres de forma extremamente precipitada. Já com equipes, parece haver mais cautela. O grupo de esquadrões históricos é enxuto e controverso. Afinal, o que torna um time de futebol revolucionário?
A noção de que “a história é escrita pelos vencedores” – frequentemente atribuída, sem comprovação oficial, ao poeta e romancista britânico George Orwell e a seu compatriota Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido na Segunda Guerra Mundial – encontra contrapontos nos campos de batalha que nos interessam. Seleções derrotadas em Copas do Mundo, como a Hungria de 1954, a Holanda de 1974 e o Brasil de 1982 costumam ser mais lembradas que algumas que levantaram a taça. Já na Champions League, ninguém produziu esquadrões tão icônicos quanto o pentadecacampeão Real Madrid.
A geração liderada por Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás entre os anos 1950 e 1960 eternizou um modelo baseado na força ofensiva e exuberância estética. Mais adiante, o Ajax do craque Johan Cruyff e do técnico Rinus Michels papou o tricampeonato de 1971 a 1973, consagrando o chamado Futebol Total, o sistema sem posições fixas, em que todos defendiam e atacavam, que seria replicado na seleção holandesa. Entre 1974 e 1976, o Velho Continente conheceu um novo tricampeão, o Bayern de Munique de Franz Beckenbauer e Gerd Müller, marcado pela força física, pragmatismo e letalidade.

Mais recentemente, o Barcelona regido em campo por Lionel Messi, Xavi e Iniesta, e fora por Pep Guardiola, consagrou a valorização da posse de bola, o chamado Tiki-Taka, nos títulos de 2009 e 2011. Já ó último tricampeão, o Real Madrid de 2016 a 2018, talvez tenha vencido com o estilo menos “autoral”. O grande mérito do técnico iniciante Zinedine Zidane foi pacificar o vestiário e dar liberdade para que o talento de estrelas como Luka Modric, Toni Kroos, Cristiano Ronaldo e Karim Benzema transbordasse. Muito ajuda quem não atrapalha – e haja espaço na sala de troféus do Santiago Bernabéu!
A atual majestade da Europa seguiu caminho inverso. O Paris Saint-Germain precisou mudar a estratégia que o levou a tantos fiascos com elencos megabadalados para, enfim, chegar lá. Por sinal, não normalizamos demais o fracasso de um ataque formado por Neymar, Kylian Mbappé e Messi? O técnico Luis Enrique se desfez de todos eles. Até deu uma última chance a Mbappé, em uma dura (histórica!) felizmente captada em vídeo. “Li que você gosta do Michael Jordan. Jordan juntava os companheiros e defendia como um filho da p***”. Você tem que dar esse exemplo como pessoa e como jogador. Ir e voltar rápido. Claro que você é um fenômeno, um craque mundial, mas, para mim, isso não basta”, esbravejou o técnico espanhol.
Coincidentemente ou não, Mbappé segue perseguindo a “Orelhuda”, enquanto o PSG obteve o bicampeonato com “craques solidários”. “É uma equipe com 11 estrelas. Aliás, temos até 15 estrelas. Nós conseguimos alcançar esse compromisso com o apoio da direção. A verdadeira estrela é a equipe”, discursou Luis Enrique depois da primeira taça.
Eis a marca de um timaço que já larga como forte candidato ao tri. Talvez este PSG de Luis Enrique seja lembrado para sempre como o grupo que melhor uniu talento e disciplina. Ou alguém ousará dizer que não há beleza nos dribles e golaços de Ousmane Dembelé e Khvicha Kvaratskhelia? Que não é assombrosa a forma como os baixinhos Vitinha e João Neves dominam os adversários grandalhões com o ritmo de seus passes? Cabe também colocar em perspectiva os feitos de Marquinhos no futebol europeu. Desde 2013 na Cidade Luz, o zagueiro tem nada menos que 38 títulos pelo PSG. Um eventual tricampeonato com a faixa de capitão tende a encerrar de vez qualquer debate sobre quem é o maior jogador da história do clube fundado em 1970.
O Guia da Champions que você tem mãos tem o futebol francês em destaque não só pelo favoritismo do PSG ou pelo protagonismo de sobrenomes como Mbappé, Olise, Cherki ou Barcola. Durante a Copa, pouco antes de a França cair para a Espanha na semifinal (e desperdiçar a chance de ser comparada ao Brasil de 1970, a mais plástica campeã de todos os tempos), o repórter Guilherme Azevedo conversou com Franck Thivilier, diretor técnico da Federação Francesa de Futebol por quase três décadas, e um dos principais responsáveis pela evolução do esporte no país. O papo imperdível, no qual Thivilier aponta caminhos para o Brasil reencontrar seu rumo, está na coluna do mês, na página 66. Boa leitura, e que venham mais jogos e times históricos!


Capa da edição 1539, o Guia da Champions League








