O técnico Fernando Diniz não resistiu à má fase e foi demitido pelo Vasco da Gama neste domingo, 22, logo depois da derrota para o Fluminense, por 1 a 0, pelo jogo de ida da semifinal do Campeonato Carioca.

A demissão foi informada no Estádio Nilton Santos pelo presidente Pedrinho, que demonstrou gratidão ao técnico que levou o Vasco ao vice-campeonato da Copa do Brasil. Diniz encerrou sua segunda passagem pelo Vasco com 17 vitórias, 16 empates e 23 derrotas em 56 jogos. 

“Venho informar o desligamento do Fernando Diniz como treinador do Vasco. Quero fazer um agradecimento por todo o carinho que ele teve comigo e pela instituição. Num momento bem difícil do clube, ele aceitou o convite e encarou o desafio e o projeto do Vasco, sempre trabalhando com muito empenho e dedicação, durante muito tempo, com muito esforço para que a gente tivesse bons resultados. Eu comunico o desligamento dele, de forma interina vai ficar o Bruno Lazaroni até a chegada do próximo treinador”, afirmou Pedrinho.

Além de irregular no Estadual, o Vasco iniciou mal a campanha no Brasileirão e é o 17º colocado, com apenas um ponto em três rodadas.

A recente saída do ídolo Philippe Coutinho, que pediu para se desligar do clube alegando problemas de saúde mental e um desentendimento público com o atacante Nuno Moreira colocaram ainda pressão em Diniz, que vinha sendo vaiado pela torcida.

Nota do Vasco sobre a demissão de Diniz

O Vasco da Gama informa que Fernando Diniz não é mais o técnico da equipe. Junto com ele, os auxiliares Ricardo Cobalchini e Evandro Fornari, e o preparador físico Wagner Bertelli também deixam o clube. O Vasco agradece aos profissionais pelos serviços prestados e deseja sorte na continuidade de suas carreiras. Bruno Lazaroni assume a equipe interinamente.

Problemas com jogadores e mau início no Brasileirão

O Vasco não teve o melhor início de Brasileirão em 2026. Muito pelo contrário, já com três jogos na conta, a equipe carioca ainda não venceu no campeonato. A derrota para o Bahia, dentro de casa, criou uma atmosfera hostil para Fernando Diniz, que foi vaiado junto com alguns jogadores.

“O sentimento é de frustração total. O torcedor tem que estar bravo, chateado e ter alguém para xingar, e o treinador é o maior responsável. A gente produziu para ganhar. Tivemos chances para virar, mas não viramos. Estou aqui para ser vaiado e estou preparado para isso. O time tem que conseguir converter as oportunidades de gol”, afirmou Fernando Diniz na ocasião.

Um momento na derrota para o Mirassol em 29 de janeiro repercutiu até mais que o resultado da partida. Durante a pausa para hidratação no primeiro tempo, logo após o alvinegro levar o empate no Maião, a transmissão do jogo flagrou cobranças fortes de Fernando Diniz direcionadas a seus jogadores, em especial o meia Nuno Moreira. O confronto terminou 2 a 1 para os mandantes.

O treinador afirmou que sua equipe se limitava a “chutões” (bolas longas) na partida, porque os meias, Nuno e Rojas, não se movimentavam e não “baixavam para jogar”.  Em um momento do esporro, o português Nuno Moreira argumenta que não fez nada e Diniz responde da seguinte forma: “Você não fez nada mesmo. Nada! É para você fazer, é para você jogar. Não quer ganhar essa merda desse jogo”, finalizou.

Na entrevista coletiva após aderrota, Fernando Diniz foi perguntado sobre o tom da bronca nos jogadores durante a pausa para hidratação e respondeu que esse é o seu jeito.

“Não adianta a gente criar um tumulto por conta disso, a minha maneira de cobrar os jogadores. Eu sou duro, mas sou amoroso, muito mais do que vocês (jornalistas) imaginam. Os jogadores suportam a cobrança e melhoram por conta disso, tanto que depois da cobrança o time melhorou”, respondeu o treinador.

Diniz ainda completou afirmando que: “Nunca levantei a voz para prejudicar um jogador na minha vida. Nunca! Eu não tenho maldade. Eu tenho vontade de ajudar os jogadores”.

Ao longo de sua carreira, Diniz, que é psicólogo de formação, já teve de tocar nesse assunto diversas vezes. Seu desentendimento mais famoso foi com o meia Tchê Tchê, durante a passagem pelo São Paulo.