O São Paulo entrou vive um episódio de crise política interna. Na manhã desta segunda-feira, 15, o portal ge revelou uma apuração com áudios que denuncia uma venda de camarotes de forma clandestina do MorumBis. O caso envolve os diretores Mara Casares e Douglas Schwartzmann, que solicitaram licença do cargo.
O áudio vazado revela uma converta entre Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do clube e ex-esposa do presidente Julio Casares, com Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base do São Paulo, e com Rita de Cassia Adriana Prado, responsável por explorar comercialmente o camarote 3A.
De acordo com o conteúdo, Adriana abriu uma ação criminal contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda. A justificativa é que Carolina teria retido um envelope com 60 ingressos do camarote para o show da Shakira, após pagamento parcial. Os ingressos foram vendidos por R$ 2,1 mil e estima-se um faturamento de R$ 132 mil.
No esquema, Adriana funcionava como uma espécie de intermediária. A gravação em questão revela Schwartzmann preocupado com o processo aberto por Adriana e que todo o esquema poderia ser revelado. Em diversos momentos, Schwartzmann tenta deixar claro que a situação poderia prejudicar Mara e Julio Casares e pede a retirada do processo criminal.
A conversa também cita o nome de Marcio Carlomagno em discussão, CEO e superintendente, como responsável por autorizar a cessão do camarote. Mais tarde, o próprio Schwartzmann admite vantagem com o repasse dos camarotes.

Mara Casares e Douglas Schwartzmann, diretores do São Paulo – Reprodução e Divulgação
O que diz os áudios vazados?
“Você nunca soube que aquilo era feito de forma clandestina? A palavra é essa. Ou você não sabia? Você sabia ou não?… Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio”, diz Douglas Schwartzmann.
Douglas segue insistindo para que Adriana desista do processo e continua explicando as consequências da situação.
“E o Marcio vai ser mandado embora, porque foi ele quem concedeu o camarote para ela. Eu não tenho nada com isso, não tenho meu nome em nada. Não peguei camarote nenhum, não tenho nenhum documento lá. Agora, a Mara tem e o Marcio também. Quer prejudicar a Mara e o Marcio? Só queria entender o que você quer fazer com isso”.
“Eu vou explicar de novo: você comprou ingresso para vender para quem e de onde? Do camarote “X”. Como é que você tinha esse camarote para vender? Porque ela (Carolina) vai falar que comprou do camarote tal, vai mostrar o contrato. É tudo fictício, querida! Você acha que vai ganhar o quê? Aquilo tudo é uma ficção. Você vai foder com a vida da Mara, e o São Paulo vai ter que declarar que aquele camarote não era comercializado, que foi clandestino e que foi feito tudo de forma errada. Você vai perder e ainda vai fo*** com a vida dela”.
Schwartzmann continua: “Seu advogado sabe que é tudo clandestino? Quer que eu explique para ele como você obteve esse negócio?”.
Adriana responde: “O que eu sei é que vocês me dão um camarote e eu posso passar para algumas empresas, alguns patrocinadores”.
“Se você puder fazer esse favor, eu vou agradecer bastante, e a gente dá continuidade na nossa vida da forma que sempre foi, com uma relação de confiança, com respeito, porque foi o que eu fiz a vida toda com você. Não quero mudar esse percurso da nossa amizade que a gente construiu. Eu preciso da sua ajuda. Nunca pedi nada para você, e agora estou precisando muito mesmo da sua ajuda. Isso interfere em uma série de coisas, não é uma coisinha simples”, diz Schwartzmann.
No final, Mara então fala com Adriana: “Vou pedir e já pedi hoje encarecidamente. Retire esse processo, por favor. A única prejudica serei eu. E mais, serei eu, esse processo dará tanta volta, tanta volta, serão anos e anos, eu estarei fodida e você não vai ter recebido. Essa vagabunda com quem você tratou foi vagabunda, só que o que adianta eu falar que ela foi vagabunda? Que isso e aquilo? Para a gente ter futuro, a gente precisa limpar o presente. Eu estou percorrendo dentro do São Paulo um caminho profissional de futuro para assumir coisas grandes. E eu vou ser prejudicada. Só isso. Eu falei isso para vocês sempre. Não podemos ter problema. Não podemos ter problema. Eu sempre te falei isso”.
O que diz o São Paulo? A nota da íntegra
O São Paulo Futebol Clube informa que tomou conhecimento do conteúdo do áudio por meio da imprensa e que realizará a devida apuração dos fatos. Com base nessa análise, o Clube adotará as medidas que se mostrarem necessárias.
Na manhã desta data, os conselheiros Douglas Schwartzmann e Mara Casares solicitaram licença de seus respectivos cargos na gestão.
Em nota oficial divulgada mais de 24 horas depois do vazamento, o técnico Júlio Casares escreveu:
Tomei conhecimento da lamentável conversa telefônica em áudio gravado divulgado pela imprensa nesta segunda-feira, um dia muito triste para a instituição.
Só venho me manifestar agora, um dia inteiro após os fatos virem à luz, porque a prioridade é a de que tudo seja esclarecido e, se assim for necessário, as devidas medidas sejam tomadas.
Casos como este não podem passar sem serem devidamente esclarecidos, e isso será feito por meio da sindicância que foi instaurada imediatamente após a revelação do episódio. Este trabalho, está sendo feito em duas frentes: a primeira e mais importante é a auditoria externa, para que não haja nenhuma possibilidade de interferência política ou de influência de poder. Todos serão ouvidos e um relatório final dará ao Clube suas considerações e orientações de eventuais próximos passos. Em paralelo, a sindicância interna será tocada pelo departamento de compliance.
Não defendo e nem pratico prejulgamento e condenação prévia. Acredito no amplo direito à defesa. Mas ressalto que, seja qual for o resultado da sindicância, vamos agir com rigor com quem quer que eventualmente seja apontado com conduta inadequada no Clube. Não há e nem haverá favorecimento por proximidade, amizade, parentesco, função ou alinhamento político.
Não podemos conviver com malfeitos de nenhuma natureza.
Nenhuma pessoa é e nunca será maior que o São Paulo Futebol Clube.









