O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça nesta sexta-feira, 16, a prisão preventiva do vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça. A informação foi inicialmente publicada pelo site ge
O dirigente é réu em um processo que investiga um esquema de desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube. O pedido cautelar foi protocolado sob o argumento de que há uma tentativa em curso de intimidar testemunhas e interferir diretamente na produção de provas.
O estopim para a ação da Promotoria foi a recente demissão de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do Corinthians. Munhoes é considerado uma testemunha-chave para a acusação, pois foi o responsável técnico por conduzir a auditoria interna que identificou as irregularidades no controle de estoque.
Em manifestação enviada à 25ª Vara Criminal, o promotor Cássio Conserino destacou que o desligamento do funcionário, realizado às vésperas de uma audiência de instrução marcada para 10 de novembro, possui caráter intimidatório e pode afetar os futuros depoimentos de outros empregados do clube.
Diante do cenário, Conserino determinou a abertura de um novo procedimento investigatório exclusivo para apurar os bastidores e as circunstâncias da demissão de Munhoes.
O documento do Ministério Público sublinha que o desligamento do ex-diretor ocorreu em meio a manifestações públicas de apoio do atual presidente do clube, Osmar Stábile, ao vice-presidente investigado, o que reforça os indícios de interferência na instrução criminal.
Entenda o inquérito
Armando Mendonça tornou-se réu em junho de 2026 pelas acusações de apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo.
De acordo com a denúncia formalizada pelo MP-SP, o dirigente se apropriou indevidamente de 131 itens esportivos da Nike. A investigação detalha ainda que ele tentou desviar 19 camisas de uma edição especial com o selo da NFL, tendo conseguido subtrair oito unidades, além de ter ameaçado duas testemunhas na fase de inquérito.
A defesa do vice-presidente nega todas as irregularidades. Em seus argumentos, Mendonça alega que o descontrole logístico na retirada dos materiais esportivos era uma falha sistêmica herdada da gestão do ex-presidente Augusto Melo.
O dirigente sustenta que a atual administração adotou medidas para corrigir os processos internos e questiona a validade da auditoria, apontando supostas falhas na elaboração do relatório técnico. Até o momento da publicação, o dirigente não se manifestou oficialmente sobre o pedido de prisão preventiva.
O que diz Armando Mendonça
A defesa recebeu com espanto e surpresa a notícia de que o Ministério Público, na pessoa do Promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, valeu-se da instrumentalização de episódio interno de dispensa de integrante do corpo diretivo do Sport Club Corinthians Paulista, como argumento para obtenção de medidas cautelares outrora denegadas pela Justiça.
Trata-se de manifestação notoriamente abusiva, por desconsiderar que a dispensa representa evento próprio ao ambiente político do Sport Club Corinthians Paulista, mormente se considerada a existência de informações de que o diretor dispensado se habilitou como candidato em chapa pertencente à oposição, para fins de disputa de cargo na futura eleição do Clube.
A manifestação também se apresenta ilegal por se valer de suposições desvalidas de prova sobre uma pretensa interferência de Armando Mendonça na dispensa do ex-diretor, ignorando a acusação que a nomeação e dispensa de membros do corpo diretivo é prerrogativa da Presidência do Clube.
Afora o claro descabimento dos pedidos apresentados pela acusação, serve a petição ministerial como reforço da suspeição do Promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino diante de sua inequívoca proximidade e contaminação com as questões políticas do Clube, em especial pela participação em debates de derrubada do modelo associativo.
O reforço da suspeição se dá pela confissão, apresentada na petição ministerial, de que o Promotor de Justiça mantém canal direto de comunicação com Marcelo Munhões, que lhe enviou mensagem com manifestação de descontentamento sobre o desligamento.
Como reforço do despropósito e gravidade da conduta da acusação, anote-se que o nome de Armando Mendonça como suposto responsável pela dispensa não é mencionado, sequer, no e-mail encaminhado por Marcelo Munhões ao Promotor Cássio Conserino.
Resguardado o respeito ao Ministério Público como Instituição, é necessário pontuar que causou assombro o conhecimento da apresentação de um pedido de prisão absolutamente descabido, logo após a confirmação, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, de data para o julgamento do Habeas Corpus em que se discute o trancamento da ação por conta das ilegalidades praticadas.
Sem prejuízo da manifestação formal no processo e comunicação do fato aos órgãos correcionais do Ministério Público, a defesa de Armando Mendonça manifesta plena e integral confiança na Justiça, como órgão de combate aos abusos e proteção às garantias individuais.








