A atleta Cassia Moura, hoje campeã mundial pelo UFC BJJ e faixa-preta de Jiu-Jitsu, tem uma estabilidade rara na cena competitiva da modalidade. Com luta marcada no UFC BJJ 10, na próxima quinta, a primeira notícia com proporção viral envolvendo o nome dela foi a velocidade com a qual a competidora passou da faixa-azul para a preta, tudo no espaço de um ano. Bruno Bastos, professor de Cassia, estava seguro da decisão e sabia que ela, além de ter conquistado tudo o que podia em cada uma dessas fases, tinha todos os requisitos necessários para a próxima etapa. A iniciativa foi alvo de críticas, mas a faixa-preta estreante soube silenciá-las com muita ação, trabalho sério e resultados inequívocos na elite do esporte. 

“Foi tudo muito rápido mesmo. Às vezes eu ficava assustada com a forma como tudo ia acontecendo mas, ao mesmo tempo, confiando muito no trabalho do Brunão. Ele foi muito criticado pela minha graduação, mas seguimos trabalhando e hoje todos podem ver quem estava certo e quem estava errado. Sendo bem sincera, estou apenas começando ainda. Acredito de verdade que ainda vou conquistar muito mais.”, avaliou.

Atual campeã do UFC no peso galo feminino, Cassia Moura está diante de uma oportunidade única na organização. Foto: Divulgação / UFC BJJ

Atual campeã do UFC no peso galo feminino, Cassia Moura está diante de uma oportunidade única na organização. Foto: Divulgação / UFC BJJ

Ferramenta de transformação de vidas: com Cassia Moura não foi diferente e o Jiu-Jitsu encaminhou a jovem a lugares inimagináveis

Nascida em Realengo, no Rio de Janeiro, Cassia enxergou no Jiu-Jitsu mais do que aptidão: ali ela teria uma chance de conhecer uma vida com mais conforto e recursos. Talentosa, a garota recebeu um convite de Bruno Bastos para treinar integralmente no Texas, nos Estados Unidos, e foi no exterior que a carreira dela deslanchou completamente. Na faixa-preta, o resultado do comprometimento apareceu rápido. Graduada em 2024, ela já tem dois títulos mundiais pela IBJJF lutando sem kimono. 

“Eu comecei porque meu irmão estava treinando, então eu quis fazer a mesma coisa. Percebi que poderia mudar a minha vida quando comecei a ganhar bastante como juvenil. Ali eu vi que poderia de verdade ter um futuro no Jiu-Jitsu. Depois disso, foi tudo muito rápido. Quando o Brunão me deu a oportunidade de vir para o Texas eu sabia que não poderia desperdiçar. Hoje estou aqui e além da minha família no Brasil, ganhei uma outra família aqui.”, comentou.

Cassia Moura e Bruno Bastos, técnico da atleta, comemoram título no Europeu de Jiu-Jitsu, este ano, em Portugal. Foto: Gabriel Mendes

Cassia Moura e Bruno Bastos, técnico da atleta, comemoram título no Europeu de Jiu-Jitsu, este ano, em Portugal. Foto: Gabriel Mendes

Talentosa, a atleta carioca nunca perdeu lutando grappling com a chancela do UFC; agora, ela está em busca de feitos mais grandiosos

Desde que ingressou no UFC BJJ, Cassia acumula vitórias substanciais. A maior delas foi justamente na luta pelo título inaugural do peso galo feminino, no UFC BJJ 6, em março deste ano. Na ocasião, a brasileira ficou diante daquele que provavelmente foi o maior desafio da sua carreira até então. Para deter o título ela precisaria superar a galesa Ffion Davies, atleta com experiência ampla e títulos mundiais múltiplos. Na hora da ação, o perigo de Ffion pareceu irrelevante diante do ímpeto de domínio da adversária, que liderou o confronto, muito mais agressiva, com zero de dificuldade. O desfecho foi uma vitória por decisão unânime que fez de Cássia campeã peso galo do UFC BJJ. 

Na próxima quinta, dia 20, Cássia Moura vai participar do primeiro GP feminino promovido pelo UFC BJJ, quem passar da primeira fase vai garantir vaga em uma luta futura valendo o título peso mosca da organização. Para avançar, a aluna de Bruno Bastos precisa vencer Bre Stikk. Do outro lado da chave, Adele Fornarino e Carol Brunacio vão duelar por um espaço no confronto valendo cinturão. Cassia é um nome que empolga, com qualidades que a projetam como a primeira campeã dupla do UFC BJJ. No entanto, a missão tem um grau elevado de dificuldade e a atleta é consciente ao não subestimar. 

A luta mais recente de Cassia no UFC BJJ foi uma defesa de cinturão contra a compatriota Sabrina Gondim. No duelo, a campeã saiu vencedora por finalização ao aplicar um mata-leão. Foto: Divulgação / UFC BJJ

A luta mais recente de Cassia no UFC BJJ foi uma defesa de cinturão contra a compatriota Sabrina Gondim. No duelo, a campeã saiu vencedora por finalização ao aplicar um mata-leão. Foto: Divulgação / UFC BJJ

“Sendo campeã do evento no peso galo, sei que carrego uma expectativa grande, mas acredito que venho lidando bem com tudo isso. Por conquistas, a Adele também tem favoritismo. Mas a verdade é que a Carol pode surpreender ela. Eu sei também que a Bre Stikk está preparada para me enfrentar também. Nós queremos o cinturão. Respeito todas elas e vou dar tudo para poder trazer esse título para Midland. Eu trabalho muito duro para isso. Quero provar para mim mesma que sou a melhor do mundo. Por isso trabalho tanto. Quero ser a primeira a conquistar o cinturão duplo.”, afirmou convicta.

O UFC BJJ 10 vai acontecer em Las Vegas na próxima quinta, com transmissão exclusiva pelo canal Combate no Brasil. Além do GP, duas lutas vão colocar títulos em xeque na noite de confrontos de grappling. Andrew Tackett, atual campeão entre os meio-médios, encara o brasileiro Jonnatas Gracie que entra na disputa como desafiante. Rebeca Lima, detentora de título no peso pena, vai lutar para manter seu reinado na divisão em luta contra a canadense Brianna Ste-Marie.

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