O Jiu-Jitsu competitivo não é uma modalidade que faz parte do ciclo olímpico. Essa realidade, diga-se de passagem, já foi alvo de muitos debates com opiniões divergentes. Há quem defenda e quem reprove. Ao longo do tempo e com o desenvolvimento do esporte pelo mundo, diversos formatos de competição, com e sem kimono, foram ganhando espaço no cenário. Os World Games, torneio que acontece de quatro em quatro anos com modalidades não olímpicas (em sua maioria), promove confrontos de Jiu-Jitsu por meio da Ju-Jitsu International Federation (JJIF), que regula a classificação dos atletas para o evento principal.
Em Chengdu, foram disputados 34 esportes, com cerca de 4 mil atletas dos dias 7 a 17 de agosto de 2025. Organizado pela International World Games Association (IWGA), foi a terceira vez que a Ásia sediou o evento multiesportivo. Esse formato estrutural é o que mais aproxima o Jiu-Jitsu desse contexto olímpico, de exclusividade e escassez: os eventos acontecem em um intervalo maior, o que já afunila o número de participantes, composto por atletas selecionados para representar nações, não bandeiras de academia.


Tamara Toros mostra com orgulho o ouro conquistado na 12ª edição dos World Games, na China. Foto: Divulgação / Instagram
Tamara Toros, campeã absoluta dos World Games na edição da China no ano passado, tem propriedade para falar sobre os efeitos positivos dessa experiência na sua carreira. Classificada para defender a Hungria, Tamara foi a primeira mulher nascida no país a ganhar uma medalha no torneio lutando Jiu-Jitsu.
“Representar a Hungria nos Jogos Mundiais foi algo extremamente emocionante para mim. Deixei Budapeste aos 15 anos para me mudar para Barcelona e perseguir o meu sonho, mas sempre trabalhei muito para conquistar meu espaço na seleção húngara. Vestir as cores da Hungria e conquistar uma medalha de ouro para o meu país fez com que todos aqueles anos mais difíceis valessem a pena. Foi um momento de enorme orgulho, e fiquei muito feliz por poder representar a Hungria da melhor maneira possível e mostrar de onde eu vim”, comentou.
Ao falar da oportunidade nos Jogos Mundiais, na Ásia, Tamara Toros cita o aspecto exclusivo do título
No principal ciclo de competições da IBJJF, por exemplo, nos eventos que compreendem o Grand Slam, o atleta tem a oportunidade de conquistar seus objetivos dentro de uma frequência anual. O Campeonato Europeu, o Pan-Americano, o Brasileiro e o Mundial, todos do Grand Slam da IBJJF, acontecem anualmente. Somente para esclarecer ainda mais, um campeão mundial de Jiu-Jitsu pela federação internacional não luta por um país, ele aparece na categoria abaixo do nome da equipe que representa.

Faixa-preta de Jiu-Jitsu, Tamara nasceu na Hungria, mas hoje vive como atleta profissional em Barcelona, na Espanha. Na imagem, ela aparece em ação nos World Games, torneio que acontece de quatro em quatro anos. Foto: Divulgação / Instagram
Para Tamara, a medalha dourada dos Jogos Mundiais tem um valor simbólico diferente quando o que se leva em conta é a singularidade da conquista. São vagas restritas para competir, via classificação, com oportunidade de atuação de quatro em quatro anos. Algo bem diferente do que é observado no calendário anual de competições de Jiu-Jitsu, com e sem kimono.
“O que torna os Jogos Mundiais tão únicos é a exclusividade da competição. O evento acontece apenas uma vez a cada quatro anos, assim como os Jogos Olímpicos, o que faz com que cada oportunidade seja extremamente especial. Além disso, somente dois atletas por país podem se classificar, e cada categoria reúne somente seis competidores de todo o mundo. Apenas garantir uma vaga já é uma grande conquista, então ganhar a medalha de ouro tornou essa experiência ainda mais inesquecível”, disse.

Psicológico inabalável: a atleta reforçou a importância do controle emocional na conquista dos objetivos no alto nível. Foto: Divulgação / Instagram
A mentalidade faz toda a diferença: depois de um resultado inesperado no torneio, Tamara teve controle emocional para buscar o topo
Atleta da Atos, Tamara Toros tem hoje 21 anos e uma vasta experiência em grandes campeonatos de Jiu-Jitsu ao redor do mundo. Para ela, que sofreu um revés na divisão de peso competindo na 12ª edição dos Jogos Mundiais, a confiança é a palavra que deve nortear o comportamento do competidor na trajetória rumo ao ouro. Foi assim que ela conseguiu ser campeã do absoluto, uma categoria que coloca atletas de pesos diversos em rota de colisão.
“Foi quase como uma transformação. Depois de não conseguir o resultado que esperava na minha categoria de peso, as conversas com o meu professor, Gustavo Galvão, e com o meu preparador físico, Victor Sanchez, fizeram uma enorme diferença. Eles me ajudaram a recuperar a confiança e me lembraram de que os Jogos Mundiais acontecem apenas uma vez a cada quatro anos, então eu precisava aproveitar ao máximo aquela oportunidade. Voltei para o tatame, dois dias depois, me sentindo uma atleta completamente diferente, e essa mudança de mentalidade fez toda a diferença”, destacou.






