No Jiu-Jitsu, principalmente na modalidade praticada sem kimono, muito se fala sobre o potencial de entretenimento. O que o público quer continuar vendo à medida que o esporte ganha mais corpo no mundo todo? A resposta é sempre a mesma: o espectador precisa desse tal de entretenimento mesmo; a luta precisa atrair, afastar o tédio de quem assiste, envolver. Felipe Machado é um nome que emerge quando se toca nesse assunto. Atleta bem rankeado entre os melhores do mundo, Felipe é um faixa-preta de Jiu-Jitsu que treina na Pirâmide Grappling, referência internacional na modalidade com QG na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
O atleta carioca está em um momento privilegiado na carreira de atleta profissional. Ele vai atuar na divisão até 66kg no evento principal do ADCC, campeonato bienal que tem a relevância de uma Copa do Mundo no cenário. Na temporada, a competição vai acontecer nos dias 12 e 13 de setembro, na Polônia. A forma de ingresso mais comum é a vitória nas seletivas, com etapas que acontecem no mundo todo. Felipe lutou em Trials esse ano, duas delas, no Rio e em São Paulo. A medalha de ouro e a consequente vaga no Mundial não vieram, mas Felipe fez o que já se esperava dele: vencendo ou não, ele lutou sempre com estratégia de avanço, agressivo de forma incessante.


Felipe Machado momentos antes de aplicar um mata-leão no ADCC Trials que aconteceu no Rio de Janeiro. Foto: The Mat Nation
Mo Jassim, influente nome do ADCC, tem Felipe Machado como um dos seus atletas prediletos
Na seletiva do Rio de Janeiro, assinando vitórias por finalização, Felipe foi elogiado por Mo Jassim, um dos nomes com mais influência nos bastidores do ADCC. Se ele gosta de você, é bom se preparar para as oportunidades que podem vir em seguida. Entrevistado pela nossa equipe no ADCC Trials do Rio, Mo teceu elogios ao grappler. “Sou um grande fã do Felipe Machado. Ele é uma estrela, é empolgante, muito técnico. Ele é um dos meus atletas de Jiu-Jitsu preferidos, sempre vai atrás das finalizações e tem uma personalidade forte”, destacou.
Felipe Machado tem plena consciência disso e é nessa personalidade, como atleta e figura pública, que ele pretende se consolidar ainda mais. Lutar no maior torneio de grappling do mundo foi uma chance que veio via convite. Traçando uma comparação com a Copa do Mundo de Futebol, o assunto do momento, é como se Felipe sentisse a emoção de um jogador que recebe a convocação. Por merecimento, ele garantiu o seu lugar.
“Apesar de eu nunca ter vencido uma seletiva, eu sempre tive bons resultados e acredito que isso comprova o nível de competência para estar no ADCC. Outro fator é a forma como obtive esses resultados, a forma como lutei, com finalizações e entregando o máximo em cada luta”, avaliou.
Experiência no Mundial do ADCC em 2026 vai ser inédita, mas Felipe já presenciou de perto a competição
Estar em um evento principal do ADCC não é exatamente uma novidade. Felipe Machado participou da edição de 2025, em Las Vegas, nos Estados Unidos, como atleta substituto. É o equivalente ao banco de reservas. Felipe estava disponível para entrar no campeonato caso algum atleta escalado ficasse impossibilitado de seguir em frente. Sem qualquer ocorrência que justificasse a sua entrada no tatame para lutar, o atleta brasileiro não se acomodou e extraiu o melhor dessa experiência: viveu os bastidores do ADCC, entendeu melhor alguns detalhes do torneio e agora chega para competir munido de uma perspectiva diferenciada.
“Acredito que por mais que eu não tenha “entrado em campo”, eu adquiri uma certa experiência. Senti a energia da arena, do backstage, observei como alguns atletas se comportam antes das lutas. Eu acredito que isso vai fazer uma diferença para eu estar mais confortável e acostumado com aquele ambiente”, contou.

Braço erguido: campanha excelente, com estratégia sempre empolgante e progressiva, fez Felipe merecer o convite para o evento principal do ADCC, sediado este ano na Polônia. Foto: The Mat Nation
Sobre a capacidade de cativar o seu público, Felipe Machado tem o estilo mais empolgante de luta como uma prioridade. É assim que ele constrói e impulsiona a própria imagem. Em um cenário cada vez mais competitivo, ele quer continuar lapidando essa capacidade de criar e eternizar momentos marcantes durante um confronto, aqueles lances que fazem um ‘highlight’ viralizar, independentemente de quem foi vencedor no final.
“O grappling é entretenimento puro. Assim como no futebol, é óbvio que queremos saber quem é o melhor, mas sempre queremos assistir aqueles que fazem o jogo brilhar independentemente do resultado. Basta ver ‘highlights’ do Ronaldinho Gaúcho, por exemplo. Vemos diversos dribles fascinantes dele e hoje não fazemos ideia se ele venceu aquela partida ou não”, explicou.

O atleta do Rio de Janeiro frequenta a Pirâmide Grappling, academia localizada no Recreio dos Bandeirantes. Na imagem, ele aparece treinando com Lucas Alexandre de Queiroz, um dos proprietários do espaço. Foto: Malama Produções
Na caça do bicampeonato brasileiro, atleta entra em ação neste final de semana em torneio na Arena Carioca 1, na Zona Oeste do Rio
Este final de semana será de trabalho duro para Felipe Machado. Ele vai performar no Brasileiro No Gi da CBJJ, no Rio de Janeiro. Inscrito na chave dos penas na competição, o lutador que representa a Pirâmide Grappling entra na busca do bicampeonato, ele venceu em 2023, como um dos favoritos da edição.
“Sempre estou mudando meu jogo para cada vez mais ficar imprevisível e eficaz para vencer. O Brasileiro NOGI é algo muito diferente do ADCC em relação às regras e é praticamente impossível impor o mesmo jogo para ganhar. Então vou vir com algumas coisas já pensando no Mundial, porém atento às regras para mudar a estratégia quando necessário”, planejou.








