O São Paulo vive um dos momentos mais caóticos de sua história. Em meio a investigações policiais, instabilidade política e crise financeira, o presidente Júlio Casares virou alvo de um processo de impeachment, com votação entre conselheiros marcada para a próxima sexta-feira, 16, às 18h30 (de Brasília).

No entanto, com cada vez mais indicações de votos favoráveis ao afastamento do dirigente, a pressão aumentou. Assim, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem, Casares já considera abdicar do cargo antes mesmo da reunião do conselho.

Segundo pessoas que circulam nos bastidores do MorumBis, o presidente do São Paulo cogita anunciar sua renúncia ainda nesta quinta-feira, 15. A decisão pode ser divulgada logo após o jogo do Tricolor contra o São Bernardo, marcado para às 21h45, no estádio do clube.

Impeachment de Casares

Em dezembro de 2025, conselheiros do Tricolor protocolaram um requerimento com 57 adesões, o suficiente para que uma reunião extraordinária discutisse o impeachament de Casares. O documento passou a ganhar força após o vazamento de um áudio em que dois diretores afastados, Mara Casares e Douglas Schwartzman, conversavam com Rita Cássia Adriana Prado, revelando suposto esquema ilegal de venda de ingressos em camarote do MorumBis.

Ao mesmo tempo, um inquérito da Polícia Civil já investigava movimentações suspeitas em contas bancárias do São Paulo e de Júlio Casares. Entre os pontos observados pelo processo, um deles é o recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro, fracionado em depósitos de até R$ 49 mil reais, nas contas do dirigente, de acordo com relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeira). A defesa do presidente justifica que esse valor tem origem limpa e comprovável.

Julio Casares, presidente do São Paulo - Reprodução/Instagram/@juliocasares_sp

Julio Casares, presidente do São Paulo – Reprodução/Instagram/@juliocasares_sp

No mesmo dia do vazamento dessa informação (6 de janeiro), o conselho consultivo do Tricolor Paulista, composto por ex-presidentes e conselheiros de peso, não recomendou o impeachament. O próprio Júlio Casares esteve na reunião, tal qual Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do conselho deliberativo.