Barbeiro de Pelé por mais de 60 anos e inventor do famoso topete que virou a marca do Rei do Futebol, João Araújo, o Didi, morreu na madrugada desta terça-feira, 24, após complicações decorrentes de cirurgias no intestino. Ele deixa a esposa e três filhos.

Didi estava internado desde o início do mês no hospital Beneficência Portuguesa. Após passar por dois procedimentos cirúrgicos para tratar problemas intestinais, seu quadro de saúde se agravou.

Filha do barbeiro, Célia Araújo relatou que o pai vinha apresentando uma saúde fragilizada desde a morte de Pelé, em dezembro de 2022. “Depois da morte do Pelé, ele se abateu demais. Mexeu bastante com ele”, afirmou ao site g1.

Até pouco antes da partida do Rei do Futebol, eram constantes as idas do barbeiro até a residência dele, no Jardim Acapulco, em Guarujá, para rever o amigo e cortar o seu cabelo.

O encontro que mudou a história

A trajetória de Didi cruzou com a de Edson Arantes do Nascimento em 1956, quando ambos eram apenas jovens em busca de realização profissional em Santos. Natural de Rio Pardo de Minas (MG), Didi tinha entre 15 e 16 anos quando recebeu na cadeira de seu salão, próximo à Vila Belmiro, um garoto tímido vindo de Bauru que acabara de assinar contrato com o Santos.

Naquele dia, Pelé foi enfático: queria um corte com um topete, algo que ninguém conseguia acertar. Didi aceitou o desafio, trabalhou no cabelo do futuro Rei e o resultado foi tão satisfatório que a parceria durou mais de 60 anos. O estilo acompanhou Pelé por toda a vida.

Pelé fazendo a barba com Didi, seu barbeiro e amigo pessoal - Sergio Moraes/Placar