A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, disputada na manhã desta quarta-feira, 31, em São Paulo, novamente foi marcada pela dominância da África Oriental. No masculino, o etíope Muse Gizachew venceu a prova com 44min28s. No feminino, a vitória ficou com a tanzaniana Sisilia Ginoka Panga, em 51min06s.

O Quênia, potência histórica da corrida, não venceu em 2025, mas colocou atletas no pódio das duas provas. Ainda assim , mesmo sem título nesta edição, o país é o mais vencedor da história da São Silvestre. São 37 conquistas no total, sendo 18 no masculino e 19 no feminino.

São Silvestre de 2025 teve vitória de Etiópia e Tanzânia – Reprodução / TV Globo

A Etiópia aparece como a segunda principal força histórica da prova, com 11 títulos, enquanto a Tanzânia alcançou em 2025 sua primeira vitória.

Esse protagonismo na São Silvestre, porém, é apenas um recorte de um domínio mais amplo. No atletismo olímpico, o Quênia acumula 124 medalhas na história dos Jogos, com 39 ouros, 44 pratas e 41 bronzes, quase todas concentradas em provas de meio-fundo, fundo, obstáculos e maratona.

A Etiópia soma 62 medalhas olímpicas, sendo 24 de ouro. A Tanzânia tem presença muito mais discreta, com duas pratas.

Todavia, quando o recorte muda para o futebol, o cenário se inverte. Apesar de popular nos três países, o esporte nunca produziu resultados compatíveis com o peso que o atletismo alcançou.

O Quênia jamais disputou uma Copa do Mundo e participou sete vezes da Copa Africana de Nações, sem nunca avançar além da fase de grupos. Seus principais títulos estão restritos à Copa CECAFA, torneio regional da África Oriental, vencido sete vezes, sem impacto relevante fora do contexto local.

O futebol queniano ainda conviveu, nos últimos anos, com instabilidade administrativa, incluindo uma suspensão imposta pela Fifa em 2022 à sua federação. Em termos de qualidade individual, o país conta com o atacante Michael Olunga, artilheiro do futebol catari e com passagem pelo Girona, da Espanha.

A Etiópia, ainda assim, carrega um dado histórico isolado: foi campeã da Copa Africana de Nações em 1962, quando sediou o torneio. Desde então, perdeu protagonismo e hoje ocupa posições abaixo no futebol continental, distante das principais seleções africanas.

A Tanzânia, por sua vez, teve uma trajetória ainda mais discreta. Participou poucas vezes da CAN e só em 2025 conseguiu avançar de fase pela primeira vez, beneficiada pelo formato que classifica alguns terceiros colocados.