Contra tudo e contra todos: os desafios da polêmica Olimpíada de Tóquio
Com estádios e ginásios vazios, os Jogos acontecerão, apesar do vírus. O dinheiro e a cultura milenar explicam a decisão de seguir em frente

No Japão, o atraso médio do Shinkansen, o trem-bala, é de inaceitáveis doze segundos. Para o prêmio Nobel de Literatura de 1968, Yasunari Kawabata, em japonês “nenhuma palavra diz mais que o silêncio”. As jovens orientais são ensinadas a pôr o brinco do lado direito com a mão esquerda porque o gesto soa mais delicado. O termo shokunin, cuja tradução literal é “artesão ou artífice dedicado ao trabalho”, tem um significado mais amplo e sutil: pode ser entendido como perfeccionismo, a atenção obsessiva e inegociável com os detalhes do cotidiano. E como é possível que nesse país pontual, calado, atrelado a miudezas e respeitoso possa ser realizada a Olimpíada de Tóquio, que parece estar no avesso desses atributos, em plena pandemia do novo coronavírus? Sim, há um quê de estereótipo na definição do jeito de um povo, exagerado olhar forasteiro, mas é retrato próximo da realidade — e parece inacreditável…
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