Aos 34 anos, na reta final da corrida para tentar convencer Carlo Ancelotti de que merece um lugar na Copa do Mundo de 2026, Neymar tem mostrado sua intimidade e repassado sua trajetória em seu canal no Youtube. No último vídeo, o astro do Santos exibiu suas camisas e troféus, e não titubeou ao escolher a maior honraria individual de sua carreira.

“Essa é o mais importante, o Hors-Councors, um troféu que só outro atleta tem, nada mais, nada menos que Pelé. Nossa lenda, o nosso rei”, disse, se referindo à Bola de Prata que PLACAR, em parceria com a ESPN Brasil, lhe ofereceu em 2012, durante sua primeira passagem pelo Peixe.

O que é Hors Concours e por que Neymar recebeu o troféu 

O termo de origem francesa significa “sem concorrência”, ou seja, se refere a alguém fora de série, tão excepcional que seria até injusto inclui-lo em um concurso. O torcedor brasileiro teve contato com esse termo em 1970, ano de fundação da PLACAR e de seu troféu Bola de Prata.

Recém coroado tricampeão mundial no México, o rei Pelé foi excluído da premiação da Bola de Prata e recebeu o primeiro troféu Hors-Councors de PLACAR. O feito foi igualado 42 anos depois pelo “príncipe da Vila”. À época, Neymar era tratado, sem cerimônias, como o sucessor do rei.

Neymar, jogador do Santos com o troféu Bola Ouro e de Prata na 42ª edição do prêmio Bola de Prata, entregue aos destaques do futebol brasileiro de 2011, promovido pela revista Placar e pela ESPN Brasil, no Museu do Futebol – Alexandre Battibugli/PLACAR

Em 2011, Neymar foi campeão da Libertadores, recebeu o prêmio Puskás pelo gol diante do Flamengo e no fim do ano recebeu a Bola de Ouro de PLACAR (entregue ao melhor jogador do Brasileirão), apesar de uma campanha mediana do Peixe na competição.

Em 2012, Neymar voltou a brilhar com o tricampeonato paulista e terminou o Brasileirão com média de 7,12 em 17 partidas, a maior desde 1995, quando PLACAR padronizou seus critérios para as notas da Bola de Prata. Com isso, a direção da revista e da ESPN, que organizavam conjuntamente a premiação, decidiram conceder o troféu Hors-Councors a Neymar.

O então prodígio do Santos recebeu a honraria de Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo, que “herdou” a Bola de Ouro que seria de Neymar. “Sem palavras para descrever a felicidade que eu estou sentindo por receber esse prêmio, só tenho a agradecer. Receber esse prêmio das mãos de um ídolo meu é um orgulho muito grande”, discursou, aos 20 anos.

A escolha foi justificada pelo diretor de redação Maurício Barros:

Muitos craques voaram baixo. Um deles, em velocidade supersônica: Neymar. “Os outros vão de bicicleta; E tu vai de moto”, brincou Ronaldinho Gaúcho, Bola de Ouro de 2012, ao entregar a Bola Hors-Councors para o craque santista, honraria só recebida antes por Pelé, o maior de todos os tempos . 

PLACAR tomou essa decisão baseada em fatos. Em sua quarta temporada como profissional, Neymar coleciona títulos importantes com o Santos, ganhou três chuteiras de ouro, duas Bolas de Prata e uma Bola de Ouro. Ganharia outra de Ouro este ano, pois a fantástica média de 7,12 que obteve em 17 jogos é simplesmente a maior da história desde a padronização dos critérios do prêmio, em 1995″. 

Pelé, o primeiro Hors-Councours

A justificativa seguiu ao longo da reportagem na qual Neymar foi apontado como sucessor de Pelé. O box em amarelo relembrou também a premiação do Rei:

Em 1970, o Brasil havia acabado o Brasil havia acabado de conquistar o tri mundial, liderado por Pelé. Em setembro daquele ano, começava o Robertão. E PLACAR criou um prêmio para avaliar os atletas. Surgia a Bola de Prata. Mas como avaliar Pelé? Impossível. por isso PLACAR encomendou a Bola de Prata Hors-Concours. No primeiro ano do prêmio, o regulamento avisava: Pelé não participa da Bola de Prata, é hors-councors, tem troféu garantido, jogando bem ou não.”

Coube ao fotógrafo Lemyr Martins entregá-la. Ele viajou até Paramaribo, no Suriname, onde o Rei faria o seu milésimo jogo contra o Transvaal. Dona Dione, mulher do repórter fotográfico, bordou dois zeros na camisa 10 do time de pelada de PLACAR. O troféu ficou exposto na capital do Suriname no período em que o Santos esteve por lá.