A revista PLACAR de maio de 2026 já está disponível e contando os dias para o início da Copa do Mundo na América do Norte. A edição 1535 traz na capa uma entrevista exclusiva com a mais nova esperança da seleção brasileira, o atacante Endrick, direto de Lyon.
A edição do mês traz ainda reportagens especiais sobre a situação do Neymar, que corre sério risco de ficar fora da lista de convocados para o Mundial, e sobre a terceira eliminação consecutiva da Itália na repescagem, entre outros destaques.
A PLACAR 1535 está disponível em versão digital para assinantes em nosso app (clique aqui e vire membro). Já a revista impressa está em nossa loja oficial e chega às bancas de todo o país na próxima sexta-feira, 8. Confira, abaixo, alguns destaques.
O sonho de Endrick
O repórter Klaus Richmond viajou até Lyon, na França, para reencontrar o atacante mais jovem a ostentar uma capa de PLACAR. Destaque em 2022, aos 15 anos, depois de conquistar a Copa São Paulo pelo Palmeiras, e em 2024, já como promessa da seleção, Endrick está de volta, aos 19, mirando a convocação do dia 18 de maio para a Copa do Mundo, mas com os pés no chão.
“Ainda não [me vejo garantido]. Disputo posição com jogadores de ponta como João Pedro, Igor Thiago, Richarlison, Vitor Roque e Kaio Jorge. Jogadores de ponta, que estão no Brasil e na Europa. O Ancelotti escolherá o melhor para o Brasil. Preciso ir bem no Lyon para realizar esse sonho de criança”, afirmou Endrick, que desfruta de ótima fase na Ligue 1 e brilhou na última data Fifa diante da Croácia.

O atacante, no entanto, descartou a euforia e a possibilidade de ser “o cara do hexa”. “Não vejo assim. O bom é formarmos uma família, não pode ficar tudo nas costas do Vini (Jr.) ou de um jogador só. Se o Brasil for campeão, vai ser por causa do grupo todo. Acredito no coletivo. Um jogador pode ganhar um jogo, mas não um campeonato sozinho. Cada um tem que assumir um pouco da responsabilidade.”
A entrevista na íntegra também estará disponível no canal de PLACAR no Youtube (inscreva-se).
Neymar, Itália e as previsões dos jornalistas
A edição de maio rememora o calvário de Neymar, que assim como fez no Al-Hilal, não conseguiu se manter em forma física, técnica (e até psicológica) pelo Santos e vê cada dia mais remotas as suas chances de ser lembrado por Carlo Ancelotti na convocação para a Copa do Mundo. Aos 34 anos, o maior craque de sua geração se vê cada vez mais envolvido em polêmicas e é menos decisivo nos momentos mais importantes para o Peixe.

Ainda na temática de Copa, uma reportagem se propõe a explicar como a Itália ficou fora pela terceira vez consecutiva, e outra rememora as apostas feitas por 50 jornalistas ainda em 2023, sobre qual seria o time titular do Brasil na estreia da Copa do Mundo de 2026. Alguns deles foram ouvidos novamente para tentar refazer seus votos (e se redimir de algumas inevitáveis gafes).

A revista traz ainda uma divertida atração. O repórter Klaus Richmond investigou algumas histórias suspeitas contadas por Carlos Alberto, Thiago Galhardo e outros falastrões da bola em podcasts e atestou: tem muita lorota.

A edição de maio ainda conta com uma entrevista com o agora aposentado Nelsinho Baptista, e, na seção Prorrogação, com homenagens a Oscar Schmidt, a lenda do basquete morta aos 68 anos, resenhas de Parem as Máquinas!, o primeiro filme produzido por PLACAR, dirigido por Piero Sbragia, dicas de livros sobre a Copa do Mundo, além da coluna de Daniel Perrone sobre seu apreço pelo clube alemão St. Pauli.
Carta ao leitor: O poder do tête-à-tête

Você já deve ter ouvido falar sobre personalidades magnéticas, que iluminam as salas onde entram – que têm aura, para usar a expressão que voltou à moda entre os mais jovens. No futebol, ninguém causou esse efeito como o Rei. “Enquanto Neymar não chega, Pelé impregna o estúdio (uma sala na qual não para de entrar e sair gente em busca do autógrafo real) com sua simpatia, possivelmente fruto do ofício de viver de sua imagem por décadas”, narraram Ricardo Perrone e Bernardo Itri na reportagem de capa da edição de aniversário de 40 anos de PLACAR, em 2010. O ex-diretor de redação Sérgio Xavier Filho fez coro na edição especial de janeiro de 2023, logo após a morte de Edson Arantes do Nascimento – pois Pelé é eterno. “Pelé jamais deu sinais de que se sentia acima de quem quer que fosse. Ao contrário. Em todas as vezes que cruzei com ele, chamou minha atenção a maneira como tratava o porteiro, a moça do café, o assistente de fotografia. Fazia questão de olhar nos olhos de quem pedia o autógrafo ou a foto. Era craque também no carinho e na empatia”.
Olhos nos olhos. Algo que a tecnologia jamais será capaz de substituir. Por mais que o mundo e o jornalismo tenham mudado, que tenhamos sido obrigados a aceitar que boas entrevistas podem ser feitas por meio de telefonemas, chamadas de vídeo e – vá lá, em casos extremos, via e-mail ou mensagem de WhatsApp –, nada se compara ao bom e velho tête-à-tête. A expressão francesa, que em sentido literal significa cara a cara, vem bem a calhar nesta edição. O repórter Klaus Richmond encheu a mala de agasalhos e viajou até Lyon para reencontrar o prodígio brasileiro Endrick. Um dia antes da entrevista, o jornalista comprou ingresso (por 22 euros, equivalente a cerca de 130 reais pela cotação atual) para medir direto das arquibancadas do estádio Groupama a temperatura da Endrickmamia na Ligue 1.
Fomos os últimos dos quatro veículos atendidos por Endrick no Media Day organizado pela assessoria do jogador. “Por mais que ele provavelmente estivesse cansado, não deixou de lado o profissionalismo e atendeu a todos muito bem. Ele tem muito claros os seus compromissos e demonstrou uma maturidade incomum”, conta Richmond. Pertence ao camisa 9 do Lyon (a mais vendida na loja do clube) um recorde em 56 anos de PLACAR. Foi o mais jovem a estampar uma capa, aos 15, logo após conquistar a Copa São Paulo de 2022 pelo Palmeiras. Dois anos depois, repetiu o feito em 2024, em uma exclusiva na Granja Comary, o CT da seleção, em Teresópolis (RJ). “Não precisamos esperar mais dois anos pela próxima”, brincou o garoto, que estreitou ainda mais a relação de confiança com a revista ao deixar escapar um segredo relacionado à Copa, que topamos revelar apenas se Endrick for realmente convocado no próximo dia 18, no tão aguardado Guia da competição, nossa próxima edição.

Repare como deste tipo de encontro surgem bastidores saborosos, contextualizações fundamentais, além, claro, de histórias que divertem por toda a vida. Conta Fábio Altman, ex-redator-chefe de PLACAR, sobre seu encontro em Barcelona com Romário, que foi capa da revista VEJA de maio de 1994, que antecedeu o tetra: “Marcamos, o repórter fotográfico Antônio Ribeiro e eu, a sessão para a foto que aparece na capa. Conseguimos reservar um horário no Camp Nou, vazio. Tempo de máquinas analógicas. O Ribeiro fez um clique e o Romário, marrento foi logo dizendo: ‘Capa, né? Uma só basta’. E foi embora. Desespero. Ribeiro ficou puto, também queria desistir. ‘Quem esse cara acha que é?’. Eu respondi: ‘Ele acha que é o Romário’. Depois de muita negociação, fui até o vestiário, falei com o empresário do Romário, o João Areais. Finalmente convenci o baixinho. Ele subiu para o gramado, e deixou que o Ribeiro fizesse outros cinco cliques, se tanto”, relembra Altman. “Um dia depois, encontramos o Romário na saída do hotel onde estávamos. Ele com a Mercedes dele. Pedimos para que ele deixasse fazer uma foto com o carro. ‘Tá muito sujo, preciso lavar e não tenho dinheiro aqui’, disse, após abrir dois dedos do vidro. Eu então fui na lata. ‘Eu pago’. Tirei 100 dólares e dei para o Romário. Ele pegou a grana. ‘Beleza, vou lavar, depois devolvo.’. O carro ele lavou e a foto foi feita. O dinheiro ele nunca devolveu.”
Guardadas as devidas proporções – é só no futuro sabemos se a comparação foi premonitória ou herética –, Endrick faz lembrar Pelé em alguns momentos, Romário em outros. A semelhança com o Rei se faz presente em seu estilo classudo de se portar e vestir, na humildade um tanto genuína, um tanto calculada, e na sabedoria para jogar o jogo da fama. O esforço para aprender francês e dar entrevistas no idioma de Victor Hugo (algo que Neymar não fez em seis anos de PSG) certamente o ajuda a ganhar a simpatia local. Em campo, é mais Romário, um tourinho, rebelde, autoconfiante. E com uma finalização simples e devastadora. Endrick representa a renovação da fé no hexa, mesmo que não seja agora. Como o próprio técnico Carlo Ancelotti nos contou na edição de janeiro deste ano, o Brasil conta com Endrick não só para 2026, mas 2030, 2034 e 2038. Se nos permite um pitaco, Carletto: a hora é essa. É Endrick e mais dez.

Capa da edição 1535 de PLACAR, com Endrick em destaque








