A escalada de tensão envolvendo a Groenlândia, após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expôs a fragilidade de territórios que existem politicamente, mas operam à margem dos sistemas de reconhecimento internacional. Essa condição, visível atualmente na geopolítica, também se manifesta no futebol.

Nos últimos anos, a seleção nacional de futebol da Groenlândia, conhecida como Polar Bamserne, tem sido um símbolo disso. A federação local chegou a apresentar, em maio de 2024, um pedido formal de filiação à Concacaf, entidade que gere futebol da América do Norte, Central e Caribe, na esperança de abrir caminho para uma eventual entrada na Fifa e disputar competições oficiais.

A campanha seria um passo importante para o reconhecimento internacional do esporte na ilha, mas, em junho de 2025, já sob tensão das escaçadas de Trump, a Concacaf rejeitou por unanimidade a solicitação de adesão. Assim, a seleção, hoje parte da Conifa (Confederação das Associações Independentes de Futebol) ficou incapaz de disputar torneios continentais ou mundiais.

Groenlândia e Estados Unidos

A Groenlândia é parte do Reino da Dinamarca, mas opera sob um regime de autonomia ampliada desde 2009. A região autônoma, com isso, tem suas políticas internas, seus recursos naturais e sua administração civil. O setor de Defesa e política externa, porém, permanecem sob responsabilidade dinamarquesa, o que faz o clube depender de terceiros para responder a ameaças externas.

Presidente americano Donald Trump recebe o prêmio da paz da Fifa de Infantino - Jim WATSON / AFP)

Presidente americano Donald Trump recebe o prêmio da paz da Fifa de Infantino – Jim WATSON / AFP

O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia, assim, não é novo. A posição estratégica no Ártico, a proximidade com rotas militares e a presença de bases americanas transformam o território em ativo sensível em meio à reorganização do equilíbrio global. A retórica recente de Trump, que associa a ilha a riscos vindos da Rússia, aumentou a pressão.