Michel Platini voltou a falar em público, em entrevista à Rádio RMC, no programa After Foot. O ex-presidente da Uefa criticou o uso do VAR, a liderança de Gianni Infantino na Fifa, o perfil dos jogadores atuais e a transformação do mercado após a Lei Bosman. Ele também comentou o processo judicial do qual foi absolvido em 2025.
Em relação à arbitragem de vídeo, Platini afirma que a tecnologia deveria ter uso muito mais restrito. “Se dependesse de mim, o VAR serviria apenas para linhas e impedimentos, para lances que o árbitro realmente não consegue ver”, disse. Para ele, a ferramenta passou a influenciar demais as próprias regras do jogo. “Estamos cansados de usar o VAR para toque de mão. Um toque é intencional ou não. Estão mudando a arbitragem inteira.”
O francês também teceu críticas a um futebol mais padronizado do que aquele em que jogou. Segundo ele, há cada vez menos jogadores formados na rua, o que reduziria a criatividade individual. Citou nomes que, em sua visão, ainda representam um futebol inventivo, como Antoine Griezmann, Kevin De Bruyne, Luka Modric e Lionel Messi, mas afirmou que isso se tornou raridade.
🗣️ "Infantino est un très bon secrétaire général, un bon numéro 2, mais pas un bon numéro 1. Je pense qu'il a profité de mes problèmes mais je ne pense pas qu'il a voulu me faire du mal." ⭐ Michel Platini nous donne son regard sur Gianni Infantino, en direct dans l'After !
Platini ainda relacionou a mudança com a decisão judicial que liberou a circulação de jogadores dentro da União Europeia. “A Lei Bosman foi muito ruim para o futebol. Mudou o espírito do jogo, a identidade dos clubes e a relação entre jogadores e torcedores. Hoje é um sistema de comprar e vender”, afirmou.
As palavras mais duras da entrevista foram direcionadas a Gianni Infantino, atual presidente da Fifa. O ex-jogador trabalhou com o dirigente suíço quando comandava a Uefa e o suíço era secretário-geral da entidade. “Infantino é um bom número dois, um excelente secretário-geral, mas não um bom número um. Ele administra bem, mas não tem carisma e não é um político forte. Sempre gostou de estar perto de pessoas ricas e poderosas.”
Por fim, Platini comentou o processo que marcou a última década de sua vida. Ele e o ex-presidente da Fifa, Josepp Blatter, foram acusados de fraude em um caso ligado a pagamentos feitos pela entidade. Após anos de investigação, ambos foram absolvidos pela justiça suíça em agosto de 2025. O dirigente afirma preparar ações judiciais contra pessoas que, segundo ele, ajudaram a espalhar acusações.








