O Boca Juniors tenta tirar do papel um ambicioso projeto de ampliação da mítica La Bombonera. Segundo informações do jornal argentino Olé, a diretoria comandada pelo presidente Juan Román Riquelme planeja iniciar ainda em 2026 as obras que elevarão a capacidade do estádio de cerca de 57 mil para mais de 80 mil torcedores.
A grande inovação do projeto atual é a solução encontrada para um dilema que travou a expansão do estádio por décadas: a necessidade de comprar as casas vizinhas na rua Dr. del Valle Iberlucea. Segundo as novas plantas, a ampliação será feita a partir de uma ousada engenharia de deslocamento. O campo de jogo será movido cerca de quatro metros em direção aos trilhos da ferrovia que passa atrás do estádio.
Com esse reposicionamento do gramado, o clube terá espaço para demolir os tradicionais camarotes, cconstruídos em 1995, durante a gestão de Mauricio Macri, e reestruturar completamente aquele setor. No lugar, serão erguidos novos lances de arquibancadas e uma moderna rede de camarotes, que deve saltar de 86 para 240 unidades.
Além da reconfiguração da área dos camarotes, a principal intervenção arquitetônica será a construção de um quarto nível sobre as atuais arquibancadas populares.

Torcida do Boca Juniors durante uma partida na Bombonera – EFE Juan Ignacio Roncoroni
Para garantir o conforto e a acessibilidade do público, o projeto prevê a instalação de 18 novos elevadores. Será construído um novo túnel unificado para a entrada das equipes em campo, os bancos de reservas serão realocados e o atual setor L, que sofrerá uma redução para adequar o novo desenho interno.
Para que as novas estruturas se aproximem da linha férrea na rua Garibaldi, o Boca Juniors já iniciou negociações com a Ferrosur, concessionária responsável pelos trens. O clube agora aguarda o aval definitivo da Comisión Nacional de Regulación del Transporte (CNRT), órgão que analisa os impactos da obra na circulação ferroviária.

Estádio hoje tem capacidade para 57 mil torcedores – Divulgação/Conmebol
A obra deve exigir um investimento inferior a US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões na cotação atual). O financiamento será viabilizado, em grande parte, pela pré-venda dos novos camarotes e parcerias com empresas locais.
Durante o período mais pesado das obras, estimado entre três a seis meses, o Boca Juniors precisará atuar fora de casa. Estádios como o Único de La Plata, o Nuevo Gasómetro (San Lorenzo) e o José Amalfitani (Vélez Sarsfield) despontam como as principais opções.
Se o cronograma for cumprido sem imprevistos, a ampliação de La Bombonera é apontada como o grande trunfo político da gestão de Juan Román Riquelme, visando as próximas eleições presidenciais do clube, marcadas para 2027.








