A final da Supercopa da Uefa, entre PSG e Aston Villa, marcada para a próxima quarta-feira, 12, às 16h (de Brasília), em Salzburg, na Áustria, será apitada pelo árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. O profissional ganhou as manchetes internacionais no mês passado ser barrado pelo governo dos Estados Unidos de trabalhar durante a Copa do Mundo apesar de estar oficialmente escalado pela Fifa.
Omar Artan agradeceu a oportunidade em entrevista ao site da Uefa. “Tive sorte, mas trabalhei muito para estar aqui e estou muito orgulhoso. Cresci em uma situação difícil, mas isso não me impediu de perseguir meus sonhos. Esta será minha primeira partida na Europa. Ter aventuras, criar memórias e aprender coisas novas é sempre ótimo”, contou o juiz somali.
“Quando recebemos essa ligação, foi realmente um momento muito, muito feliz para mim e minha família. Existe uma grande comunidade somali na Europa e na Áustria, e eles estão nas nuvens comigo apitando uma partida dessas”, completou o profissional.
Bem antes do veto americano, Omar Artan que teve uma infância, sobretudo após a morte precoce de seu pai. Ele começou como árbitro apitando jogos de times de bairro e ligas escolares até chegar à elite do futebol africano. Profissional desde 2018, Artan foi eleito o melhor árbitro da Confederação Africana de Futebol.
Uma parceria entre a Uefa e a Confederação Africana de Futebol (CAF) foi determinante na escala de Omar Artan. “Esta é uma grande honra para Omar Artan e para os árbitros africanos. É um excelente exemplo de futebol reunindo e unindo as pessoas”, afirmou Patrice Motsepe, presidente da CAF.
A final desta quarta-feira reúne os últimos campões da Champions League (PSG) e da Liga Europa (Aston Villa).
Por que árbitro somali foi barrado da Copa nos EUA
De acordo com o governo americano, o árbitro Omar Abdulkadir Artan teve sua entrada negada no país durante a Copa do Mundo por suspeita de envolvimento com terrorismo. A informação foi dada com exclusividade pela rede de TV americana Fox News, conhecida por sua relação estreita com o presidente Donald Trump.
“Após uma análise mais aprofundada pelo órgão de Proteção de Alfândega e Fronteiras, foram encontradas informações comprometedoras, incluindo vínculos com suspeitos de pertencerem a organizações terroristas, o que tornou o viajante inadmissível nos Estados Unidos de acordo com a Lei de Imigração e Nacionalidade”, informou o governo.
O árbitro, que foi recebido com festa no retorno a seu país, lamentou o ocorrido. “Estou muito, muito desapontado. Sou apenas um árbitro tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, vir para a Copa do Mundo. Acho que eles [Estados Unidos] têm um problema com meu país. Eu tinha os papéis certos e tudo. Eu tinha o visto correto”, afirmou Artan em entrevista ao New York Times.
Na véspera do início do Mundial, o presidente da Fifa Gianni Infantino ficou visivelmente envergonhado diante do questionamento de Dan Roan, editor de esportes da rede britânica BBC, que questionou se ele poderia admitir que a Fifa “perdeu o controle diante de seu próprio torneio”.
É uma pena o que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália, mas não conseguimos controlar tudo. Nós tentamos conversar e resolver. Às vezes, começar a gritar tem um efeito contrário”, lamentou Infantino, na Cidade do México. “Nós sempre tentamos achar soluções, mas temos de respeitar que não somos os reis do mundo que podem mandar em governos e forças policiais. Somos uma organização esportiva.”








