O futebol perdeu um de seus ícones nesta sexta-feira, 32. Morreu Franco Baresi, ex-zagueiro italiano, ídolo do Milan e da Azzurra, aos 66 anos.

A morte foi anunciada com muito pesar pelo clube rossonero nas redes sociais. Baresi havia feito uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão no ano passado e, desde então, passava por tratamento oncológico.

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“Toda a história do Milan está em lágrimas com a morte de Franco Baresi. Seu exemplo e integridade estarão para sempre impressos no DNA do clube, assim como sua icônica camisa 6”, publicou o Milan. O ex-defensor deixa esposa, Maura, e os filhos Edoardo e Giannandrea.

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Franco Baresi é uma lenda do Milan, único clube que defendeu, entre 1977 e 1997.  Chegou ao clube em 1974, aos 14 anos, e foi promovido ao elenco profissional pelo técnico Nils Liedholm. Aos 22 anos, assumiu a faixa de capitão que só tiraria com sua aposentadoria, após 719 partidas. Sua camisa 6 está aposentada no clube desde então.

Pelo Milan, Baresi conquistou três títulos da Champions League, e seis e troféus Serie A. Pela seleção italiana, foi reserva na conquista da Copa do Mundo de 1982 e em 1994 foi vice-campeão diante do Brasil. Na ocasião, jogou a partida dias depois de realizar uma artroscopia no joelho e marcou Romário de forma impecável no empate em 0 a 0. Acabaria perdendo um dos pênaltis na final, antes de Massaro e Roberto Baggio, no tetra brasileiro.

Franco Baresi levantando a taça da Champions League, temporada 1988/89 - Marc Francotte/TempSport/Corbis/Getty Images

Franco Baresi levantando a taça da Champions League, temporada 1988/89 – Marc Francotte/TempSport/Corbis/Getty Images

Baresi na PLACAR

Franco Baresi foi atração da edição dos 100 Maiores Jogadores de Todos os Tempos de PLACAR, lançada em março deste ano, e terminou na 30ª colocação.

O perfil do “professor da zaga” dizia o seguinte:

Tal qual seu eterno parceiro Maldini, Franco Baresi só defendeu as cores do Milan, além da Azzurra. Antes, chegou a fazer testes na Inter, mas apenas seu irmão, Giuseppe, foi aprovado no rival. A decepção o fez mais forte e Baresi se transformou no maestro da escola italiana de defensores. Jovem, viu do banco a Itália faturar o tri em 1982. Em 1994, machucou gravemente o joelho na primeira fase, mas, após passar por uma artroscopia, voltou a tempo de encarar o Brasil na final e fazer a melhor marcação da vida de Romário, segundo o próprio Baixinho. Nem mesmo o vice e a perda do pênalti diminuíram seu orgulho. “Foi minha partida mais bonita. Depois de tantos anos, revejo as cenas e penso: como foi possível?”, contou à PLACAR em 2021

Baresi concedeu entrevistas à PLACAR, a última delas em 2021, em visita a São Paulo, na qual relembrou seus duelos contra a seleção brasileira e também a derrota para o São Paulo na final do Mundial Interclubes de 1993.

“Assistir do banco à partida de 1982 foi uma experiência incrível. Eu era muito jovem e aquele Itália x Brasil foi uma bela surpresa. O Brasil era favorito, mas a Itália fez um grande jogo. E talvez o Brasil tenha nos subestimado um pouco”, avaliou Baresi, para quem a equipe do tetra em 1994 era superior. “Eram diferentes. O Brasil de 1982 talvez tivesse mais qualidade, mas a equipe de 1994 era muita sólida, mais forte…”

Sobre o São Paulo de Telê Santana, Baresi contou que a derrota no Japão foi “uma partida muito estranha e difícil”. ” O São Paulo era uma grande equipe, de talento e experiência, e infelizmente nós cometemos alguns erros que nos custaram à derrota”, afirmou, sobre a derrota por 3 a 2.

Cafu do São Paulo x Baresi do Milan, final do Campeonato Mundial Interclubres de 1993.

Maldini se despede do mestre

Seu eterno parceiro de zaga e pupilo, Paolo Maldini, fez uma das postagens mais bonitas em homenagem a Baresi:

Olá Franco

Hoje estou a sentindo o mesmo de quando, por alguma razão, não conseguiste descer ao campo ao nosso lado: como iremos conseguir sem o nosso Capitão?

Ensinaste-me a jogar até ao meu último suspiro, o que significam a ligação à camisa e o valor de ser um verdadeiro líder. Você fez com o exemplo, todos os dias, poucas palavras, mas tantos fatos.

Protegeste-me quando eu era criança, guiaste-me quando jovem e inspiraste-me como homem. Você foi o jogador de futebol mais forte com quem eu já tive a honra de jogar.

Um abraço carinhoso a toda sua família, especialmente a sua esposa Maura e seus filhos, Edoardo e Giannandrea.

Vai sentir a minha falta, Capitão. Mas sob a luz da tua estrela, continuarei a acompanhá-la para sempre.