Eddie Howe não é mais técnico do Newcastle United. A saída encerra um ciclo de quase cinco anos e ocorre em meio ao desmanche da base que recolocou o clube entre os protagonistas da Inglaterra. Alexander Isak foi vendido ao Liverpool na temporada passada e, nesta janela, Sandro Tonali acertou com o Tottenham e Anthony Gordon saiu para o Barcelona. Agora, o capitão Bruno Guimarães é alvo do Arsenal.
O êxodo, que pode ser ainda mais forte se Guimarães realmente deixar os Magpies, é um dos motivos que impulsionaram Howe a deixar o clube. Segundo o portal The Athletic, o treinador vinha discutindo sua saída havia semanas e formalizou a decisão após conversas com a diretoria nos últimos dias, tendo em vista o ciclo já muito longo e a mudança no projeto esportivo.

O início dos investimentos no Newcaslte
Há cinco anos, a compra do Newcastle pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita foi vista como um possível nascimento da próxima potência do futebol inglês. Tendo em vista que o fundo soberano mais rico do mundo assumia um clube tradicional, era esperado que o Newcastle repetisse o caminho do Manchester City após a chegada dos investimentos de Abu Dhabi, em 2008.

Eddie Howe, ex-técnico do Newcastle – Reprodução/@nufc
Eddie Howe foi o nome escolhido para comandar o projeto e logo salvou o Newcastle do rebaixamento. Nos anos seguintes, conduziu a equipe de volta à Champions League e conquistou a Copa da Liga Inglesa, o primeiro grande título nacional do clube em 70 anos.
Ativo no mercado, o Newcastle montou uma base forte, com nomes como Bruno Guimarães, Isak, Tonali, Gordon e Botman. Nas três primeiras temporadas sob comando do PIF (2021/22, 2022/23 e 2023/24), o Newcastle investiu 484 milhões de euros em contratações. Mas o salto esperado nunca aconteceu.
O ‘flop’ do projeto saudita
Ao contrário do que ocorreu com o Manchester City nos anos 2000, o Newcastle encontrou uma Premier League muito mais rígida financeiramente. As regras de sustentabilidade (PSR) passaram a limitar prejuízos e proibir gastos incompatíveis com as receitas do clube.
Atualmente, o regulamento permite um prejuízo máximo de 105 milhões de libras por clube a cada três temporadas, com apenas 15 milhões podendo ser de perdas sem cobertura direta dos proprietários. Dessa forma, sem gerar receitas comparáveis às de Manchester City, Liverpool, Arsenal ou Manchester United, seja por questões de marca ou de desempenho esportivo, o clube precisou rever a estratégia.

Sandro Tonali, ex-jogador do Newcastle – EFE / ADAM VAUGHAN
Para se adequar às regras do PSR, o Newcastle precisou vender nomes importantes e frear gastos. Desde 2024, a única janela de transferências em que investiu mais do que vendeu foi a de 2025/26, quando contratou nomes como Nick Woltemade, Anthony Elanga e Yoane Wissa, que não impediram a temporada decepcionante.
Eddie Howe, para a temporada de 2026/27, não poderia contar com grandes reforços. Assim, conforme apontado pela imprensa inglesa, o treinador optou por encerrar sua passagem, junto da debandada de grandes nomes. Se Bruno Guimarães também sair, restará pouco do elenco da “primeira onda” do projeto saudita no Newcastle.





