No último domingo, 27, o Maracanã recebeu um dos principais eventos nos últimos anos com a primeira partida de NFL disputada na cidade do Rio de Janeiro. O jogo entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys foi um duelo eletrizante, decidido no último minuto. Diante de quase 73 mil pessoas nas arquibancadas, a equipe de Maryland venceu por 34 a 31. No entanto, além da presença dos astros, outro ponto também chamou a atenção antes, durante e após o confronto: o gramado.

A principal preocupação prévia ao evento era se o gramado iria aguentar a intensidade da modalidade, principalmente neste momento da temporada, quando o estádio já acumula uma alta carga de jogos consecutivos em meio a chuvas sequenciais.

A solução encontrada pelos gestores do Maracanã e da NFL foi a implementação do método stitching (costura, em inglês).
Controlada por computador e totalmente guiada a laser, uma máquina injetou fibras de polipropileno diretamente no solo, criando uma rede que se interliga com a grama natural. Essa intervenção de engenharia esportiva aumenta significativamente a estabilidade e a resistência da superfície para suportar o forte impacto físico dos atletas.

Após o fim da partida, a percepção que se teve, com base nos relatos de atletas e treinadores, é de que a solução funcionou. Brian Schottenheimer, técnico do Dallas Cowboys, comentou que o “gramado aguentou bem”. Em sua fala, ele elogiou o trabalho realizado pela liga e afirmou que o gramado não alterou o resultado do jogo.

Jesse Minter, técnico do Baltimore Ravens, também destacou que o gramado se manteve bem. Entre os jogadores, Dak Prescott, quarterback do Dallas Cowboys, pontuou que quanto ao campo estava tudo certo. Além disso, completou que os jogadores já estão acostumados com a mudança de padrões em relação ao gramado que praticam nos Estados Unidos.

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Essa mesma tecnologia esteve presente na Copa do Mundo de 2026 e, de acordo com a Fifa, também precisará ser instalada em todos os estádios que receberão a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil. Atualmente, no país, além do Maracanã, só a Neo Química Arena conta com esse aparato – a casa do Corinthians foi o primeiro projeto de stitching no Brasil, implementado em 2013 e realizado pela World Sports.

Os gramados naturais que recebem o stitching se tornam híbridos, no entanto, a superfície continua sendo 100% de grama natural: as fibras sintéticas são costuradas diretamente no campo e injetadas em uma profundidade que varia de 10 a 18 cm abaixo do nível do gramado e cerca de 2 cm acima do solo, com espaçamento de 2 cm entre elas.

“Os filamentos sintéticos do stitching reforçam a estrutura da zona radicular, proporcionando maior estabilidade, resistência e resiliência ao gramado, além de favorecer uma recuperação mais rápida após o uso intenso. Outro benefício importante agregado pelas fibras é o aumento da velocidade de infiltração de água na superfície do campo, uma vez que elas funcionam como ‘canais’, melhorando a drenagem em chuvas intensas. É uma tecnologia que preserva a aparência, a textura e as características de jogo de um campo natural, mas entrega uma estrutura muito mais estável, durável e resistente”, explica Roberto Gomide, fundador & CEO da World Sports, empresa especializada na construção e manutenção de gramados esportivos de alta performance, com escritórios no Brasil e nos EUA.

A companhia participou ativamente de projetos em estádios que sediaram os jogos da Copa do Mundo de 2026, como o Estádio Akron e o Estádio Azteca (ambos no México); os Centros de Treinamento do Chivas Guadalajara, do America, do Mayakoba e do Tijuana; e o Levi’s Stadium, em São Francisco (EUA).

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