Tetra em 1994 com o Brasil, Parreira dirigiu mais quatro seleções - Ricardo Correa/PLACAR)
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O Brasil será comandado pela primeira vez em uma Copa do Mundo por um estrangeiro, o italiano Carlo Ancelotti. Com isso, se dará outro fato inédito: o Mundial de 2026 não terá nenhum treinador brasileiro, já que não há nenhum profissional do país dirigindo uma seleção estrangeira.
Alguns casos, como Felipão e Otto Glória, em Portugal ou Zico, no Japão, se tornaram emblemáticos.
Os brasileiros que dirigiram seleções europeias
Otto Glória – Portugal – (1966)
Didi – Peru (1970)
Carlos Alberto Parreira – Kuwait (1982)
Tim – Peru (1982)
José Faria – Marrocos (1986)
Evaristo de Macedo – Iraque (1986)
Carlos Alberto Parreira – Emirados Árabes Unidos (1990)
Carlos Alberto Parreira – Arábia Saudita (1998)
Paulo César Carpegiani – Paraguai (1998)
Renê Simões – Jamaica (1998)
Alexandre Guimarães – Costa Rica (2002 e 2006)
Marcos Paquetá – Arábia Saudita (2006)
Zico – Japão (2006)
Luiz Felipe Scolari – Portugal (2006)
Carlos Alberto Parreira – África do Sul (2010)
Relembre como foram os casos mais marcantes:
Otto Glória – Portugal (1966)
O primeiro brasileiro a comandar outra seleção em Copas do Mundo foi Otto Glória, em 1966, que também é, até hoje, o treinador com a melhor campanha dirigindo um país estrangeiro. O ex-treinador de Vasco e Portuguesa, foi o comandante na melhor campanha de Portugal em Mundiais, que alcançou o 3º lugar.
Na primeira fase, a seleção portuguesa venceu Hungria e Bulgária, sem grandes dificuldades. Na partida seguinte, Portugal enfrentaria o Brasil, bicampeão nos anos anteriores. Mesmo assim, a seleção portuguesa era considerada favorita pelo mau momento da seleção verde e amarela.
Os maiores artilheiros da seleção do Marrocos na história das Copas do Mundo
“O Brasil tem o melhor futebol do mundo, mas essa é uma das piores seleções”, afirmou Otto Glória, antes de enfrentar seu país de nascimento. Para aquele confronto, o treinador brasileiro impôs uma marcação específica para controlar a estrela de Pelé: a porrada. Foi um festival de faltas duras contra o Rei, que se machucou em uma das entradas e teve que continuar em campo se arrastando, já que naquela época não existiam substituições.
Com o seu melhor jogador machucado, o Brasil foi derrotado por 3 a 1. Os portugueses comemoraram a vitória do “Pelé português”, Eusébio, contra o original. Nas quartas, o país derrotou a Coreia do Norte, virando a partida de um 0 a 3 para um 5 a 3, com quatro gols do Pantera Negra.
A seleção de Otto Glória foi parada pela anfitriã Inglaterra, nas semifinais. Os ingleses venceram seu único mundial naquele ano. Portugal terminou aquela Copa vencendo a União Soviética na disputa de terceiro lugar.
Didi – Peru (1970)
Didi, técnico da seleção peruana, em 1970 – PLACAR/Reprodução
Zagallo não foi o único bicampeão do mundo com o Brasil que comandou uma seleção em 1970. Enquanto o Velho Lobo assumiu o Brasil, o seu antigo companheiro, Didi, ficou à frente da melhor geração peruana de todos os tempos.
Para se qualificar para a Copa, o Peru segurou um empate heroico com a Argentina, por 2 a 2, em 1969, em plena La Bombonera. O empate classificou a seleção de Didi e tirou os hermanos da Copa. O treinador havia prometido que caso a seleção peruana não se classificasse, os torcedores poderiam pendurá-lo pelo pescoço em um poste em Lima.
A PLACAR de nº 5 trouxe que Didi implementou métodos diferentes na preparação para aquele Mundial. O treinador mandou fazer um muro com bonecos de madeira uniformizados, com as camisas de Alemanha e Bulgária, com os nomes dos jogadores. Atrás do muro, ele colocou uma cesta com soles (moeda peruana). Os jogadores deviam chutar a bola com força nos adversários para ganhar o prêmio.
Além disso, os atletas tinham um professor particular de karatê, para melhorarem a coordenação e, se precisassem, aprendessem a se defender das brigas em campo.
Um forte terremoto atingiu o norte do país e a capital Lima, dois dias antes da estreia na Copa. Na tragédia, 50.000 pessoas morreram. A preparação foi afetada, com os jogadores ficando desesperados por perderem a comunicação com seus familiares.
Mesmo assim, o Peru passou de fase, vencendo Bulgária e Marrocos e perdendo para a Alemanha Ocidental, na fase de grupos. Com a segunda colocação na fase inicial, a seleção peruana pegou o Brasil (nas quartas de final), que seria tricampeão naquele ano. O confronto marcou o reencontro entre os ex-companheiros Didi e Zagallo, nas novas funções
A derrota por 4 a 2 encerrou o sonho peruano de ser campeão do mundo. Os gols do Peru foram marcados por Cubillas, enquanto o Brasil fez com Rivellino, Tostão (2) e Jairzinho
Renê Simões – Jamaica (1998)
René Simões, técnico da Jamaíca, no jogo contra a Croácia, na Copa de 1998 (Alexandre Battibugli/PLACAR)
Na Copa do Mundo de 1998, um “pastor” Renê Simões tentava, com discursos que evocavam a imagem de Davi derrotando Golias, convencer os jogadores da Jamaica de que era possível fazer bonito em sua primeira Copa do Mundo.
Como parte da estratégia, Renê tirou jogadores descompromissados da equipe e tentou profissionalizar o time. Alguns dos jogadores eram semiprofissionais, conciliando trabalhos comuns junto ao futebol, como contou reportagem de PLACAR na época.
Em um grupo difícil, a Jamaica não passou de fase. A seleção perdeu para a Croácia, por 3 a 1, e foi goleada pela Argentina por 5 a 0 (hat-trick de Batistuta). A única vitória veio contra o Japão, por 2 a 1.
Zico – Japão (2006)
Zico, técnico da seleção japonesa e Gilberto durante jogo entre Brasil e Japão, Copa do Mundo de Futebol, 2006 (Alexandre Battibugli/PLACAR)
Uma autêntica lenda do futebol no Japão, onde fez história vestindo a camisa do Kashima Antlers no fim de sua carreira, Zico retornou ao país com a meta de levar a seleção à Copa do Mundo de 2006. O objetivo foi cumprido, e culminou em um emotivo duelo contra seu país natal.
Durante o Mundial, o Galinho reclamou do horário dos jogos, às 15 horas (horário local), que colocaram seus jogadores sob um sol forte. A seleção japonesa decepcionou e terminou na última colocação de seu grupo.Na estreia, um empate contra a Croácia e uma derrota para a Austrália tornaram a partida contra o Brasil decisiva.
Mesmo em um mundial decepcionante, o Brasil fez a sua melhor exibição no torneio e venceu por 4 a 1. Os gols da seleção foram marcados por Ronaldo (2x), Juninho Pernambucano e Gilberto.
Carlos Alberto Parreira – Kuwait (1982), Emirados Árabes (1990), Arábia Saudita (1998), Africa do Sul (2010)
Carlos Alberto Parreira, técnico da África do Sul durante jogo entre África do Sul 1 x 1 México, partida válida pela Copa do Mundo de Futebol, no estádio Soccer City (Alexandre Battibugli/PLACAR)
Recordista de Copas comandando outros países, Parreira esteve em cinco mundiais à frente de cinco nações diferentes. A campanha de campeão em 1994 foi a única em que o treinador do Tetra passou da fase de grupos.
Assumindo o trabalho deixado por Zagallo, Parreira comandou o Kuwait em 1982. Naquela Copa, a seleção empatou com a Tchecoslováquia e perdeu para França e Inglaterra, terminando eliminada na primeira fase.
Já em 1990, o treinador estava à frente dos Emirados Árabes, que saiu da Copa perdendo todas as suas partidas, para Colômbia, Alemanha Ocidental e Iugoslávia.
Em 1998, comandando a Árabia Saudita, novamente Parreira não passou da primeira fase. Sua seleção perdeu para a Dinamarca e foi goleada pela França, além de empatar com a África do Sul
País sede da Copa do Mundo de 2010, a África do Sul se tornou a primeira anfitriã a ser eliminada na fase de grupos. A seleção empatou com o México na estreia, perdeu para o Uruguai e venceu a França. Pelo saldo, ficou fora da fase seguinte.
Felipão – Portugal (2006)
Felipão, técnico de Portugal, durante jogo contra a França pela semifinal da Copa do Mundo de Futebol, no Fifa World Cup Stadium (Alexandre Battibugli/PLACAR)
Pela segunda vez, um treinador brasileiro levou Portugal às semifinais do Mundial. Desta vez, Felipão foi o comandante de uma seleção que só foi parada pela França, que havia eliminado o Brasil nas quartas. A PLACAR cravou: “Agora ele é Brasil”, se referindo ao apoio dos brasileiros aos portugueses após a derrota da seleção.
Felipão também foi o técnico em uma das maiores zebras da história do esporte, quando uma desacreditada Grécia bateu Portugal, que era anfitriã, na final da Eurocopa 2004
No Mundial de 2006, Portugal tinha Cristiano Ronaldo em sua primeira Copa, enquanto Figo e Deco eram os grandes destaques. Na fase de grupos, show: a seleção portuguesa venceu todas as suas partidas na fase de grupos, contra Angola, Irã e México.
Nas oitavas, no jogo com mais cartões da história da competição (16 amarelos e 4 vermelhos), que ficou conhecido como “Batalha de Nuremberg”, Portugal derrotou a Holanda por 1 a 0. Nas quartas, bateu a Inglaterra por 3 a 1 nos pênaltis, após empate sem gols no tempo normal.
O sonho acabou nas semis, quando a França, derrotou os portugueses por 1 a 0, com gol de Zidane. Na disputa de terceiro lugar, a Alemanha derrotou Portugal por 3 a 1.