O técnico do Egito, Hossam Hassan, acredita que a arbitragem de François Letexier foi decisiva para a eliminação do país para a Argentina nesta Copa do Mundo. Segundo Hassan, “fatores externos e internos” pesaram para que Letexier cometesse erros considerados fundamentais. Em forte desabafo, ele chegou a dizer que não assistirá mais aos jogos da Copa do Mundo pela “falta de credibilidade” da gestão da Fifa no torneio.

“Fomos melhores em tudo, mas os resultados, o desfecho foi influenciado por fatores internos em campo, dentro do jogo, e fatores externos antes do jogo. Parece ter havido pressão exercida pelo lado argentino sobre o árbitro que acabou gerando esse resultado. Nós estávamos contestando esse árbitro devido ao histórico com a França, etc”, iniciou dizendo.

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“Disse ao árbitro [ao fim da partida] que tinha sido uma decisão injusta, foi isso que eu disse a ele. Talvez ele tivesse algo a esconder, não sei, algo que desconhecemos. Foi o que me pareceu durante aquela conversa. Prometo a vocês que não vou continuar assistindo às partidas desta Copa do Mundo. É a minha maneira de bater de frente com essa situação. Não vou assistir a nenhuma partida deste torneio”, completou.

Um dos lances questionados pelo treinador ocorreu aos 12 minutos do segundo tempo, quando o atacante Mostafa Zico teve um gol anulado pela arbitragem. O jogador chegou a tirar a camisa para comemorar, mas o lance foi anulado após revisão no VAR por falta de Attia em Lisandro Martínez na origem da jogada. Nove minutos depois, Zico balançou as redes.

Messi é reverenciado pelos companheiros de seleção argentina - Cristobal Herrera/EFE

Messi é reverenciado pelos companheiros de seleção argentina – Cristobal Herrera/EFE

“E acho que talvez quem não for egípcio aqui não vá necessariamente se solidarizar conosco. Eu só gostaria de dizer que merecíamos ter conquistado essa vitória, mas estamos saindo com honra, com orgulho, independentemente desta derrota. Acho que o impacto deste resultado vai muito além da derrota em si, porque não vimos nem respeito, nem fair play. Não houve respeito ou fair play porque um pênalti foi desconsiderado, um segundo gol que deveria ter sido marcado como pênalti para nós nem sequer foi checado pelo VAR. O segundo gol foi, curiosamente, por alguma razão, anulado. Não houve sequer uma checagem do VAR. E todos nós vimos e testemunhamos a cena da camisa sendo puxada e não houve sequer uma checagem do VAR para anular esse gol, mas a vida continua sendo injusta, o mundo continua sendo injusta”, analisou o treinador.

“Não estou convencido com esse resultado, com a forma como as coisas se desenrolaram durante esta partida. Eu não quero tentar amenizar a situação aqui com palavras bonitas, palavras selecionadas e dizendo ‘azar’ e coisas do tipo. Fomos tratados de forma injusta hoje e me atrevo a dizer que quem quer que agende essas partidas é alguém que não joga e nunca jogou futebol, não tem nada a ver com futebol. Porq ue você agenda uma partida de futebol para o meio-dia? “Falta de credibilidade na forma como as coisas se desenrolaram, mas tenho orgulho de ser árabe. Tenho orgulho de ser um africano e dos meus jogadores”, completou.

O atacante Mostafa Ziko, autor do segundo gol egípcio, também protestou à transmissão oficial: “O juiz não foi justo, não foi justo”, desabafou em inglês, antes de dizer que a arbitragem estava “direcionada” para a Argentina.

Jogadores da Argentina comemoram gol de Messi contra o Egito - EFE/EPA/RONALD WITTEK

Jogadores da Argentina comemoram gol de Messi contra o Egito – Ronald Wittek/EFE

O treinador ainda apontou que os erros podem ter ligação com sua comemoração às oitavas de final com a bandeira da Palestina no estádio de Dallas após a classificação diante dos australianos. Na ocasiãoassan chegou a ser abordado por um funcionário da Fifa, mas deu continuidade à ação de exibir a bandeira no gramado.

Questionado sobre o ato na véspera do jogo, ele falou: “se alguém não sentiu o sofrimento do povo palestino, não tem humanidade”.

“Bom, eu apenas expressei uma opinião, um ponto de vista individual, e me atrevo a dizer que muitos dos que me ouviram, talvez não compartilhem necessariamente dessa opinião e pode ser que não sintam essa empatia por esses menores, essas mulheres que estão sendo assassinadas naquele país. São meninos, meninas que usam as camisas da Argentina, do Barcelona, do Real Madrid, do Manchester City. São esses meninos e meninas que sentem essa paixão pelo futebol e por esses clubes e seleções, e mesmo assim continuam sendo assassinados. Passaremos dias falando do orgulho que sentimos entre os representantes da mídia que estivemos cobrindo esta Copa do Mundo desde o início. Nós informamos sobre a nossa seleção nacional cheios de orgulho. Nos custou muitíssimo, um longo trabalho para chegar até aqui, tão longe, e eles encararam de frente a atual campeã de 2022. Isso demonstra do que somos capazes e do que, sem dúvida, podemos alcançar no futuro”, concluiu.

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