O ex-goleiro Joe Hart abriu o jogo sobre os bastidores de seus primeiros anos na seleção inglesa sob o comando de Fabio Capello. Em entrevista à FourFourTwo, Hart descreveu uma relação marcada pela frieza e por testes psicológicos constantes.

Segundo o atleta, o ambiente austero serviu como combustível para sua carreira. Ele revelou que a postura do técnico o forçava a buscar uma resiliência mental extrema para provar seu valor, transformando a hostilidade em motivação.

Como era a relação entre Joe Hart e Fabio Capello?

O italiano Fábio Capello, técnico da Inglaterra

O italiano Fábio Capello, técnico da Inglaterra

Capello, que dirigiu a seleção inglesa entre 2008 e 2012, era conhecido por sua gestão rígida e muitas vezes distante. Hart relembrou que o treinador italiano não fazia questão de criar um ambiente acolhedor para os jovens talentos que surgiam na época.

“Fabio Capello me fazia sentir indesejado, mas uma parte ‘maluca’ de mim adorava isso”, afirmou Hart. O goleiro explicou que essa postura o obrigava a manter um nível de foco absoluto para garantir seu espaço no elenco principal.

Por que o treinador chamava o goleiro de ‘John’?

Um dos pontos de atrito citados por Hart era a insistência de Capello em chamá-lo de “John” — seu nome do meio — em vez de Joe. Segundo o goleiro, essa despersonalização era algo que o deixava furioso, mas que fazia parte do jogo psicológico imposto pelo treinador.

A confiança de Capello foi testada antes da Copa do Mundo de 2010, quando o técnico consultou veteranos como John Terry sobre a titularidade da meta. Na ocasião, os defensores optaram pelo experiente David James, mantendo Hart como reserva no torneio.

Qual foi o impacto dessa experiência na carreira de Hart?

Apesar do início turbulento, Hart se estabeleceu como o número um da seleção inglesa logo após o Mundial da África do Sul. Ele se tornou peça fundamental nas eliminatórias para a Euro 2012, consolidando uma trajetória de 75 convocações nacionais.

Para Hart, lidar com a indiferença de um treinador de elite o preparou para os desafios subsequentes no Manchester City. No clube, ele conquistou títulos da Premier League e se firmou como um dos grandes nomes de sua geração.