Neymar teve confirmada na última quinta-feira, 28, uma lesão de grau 2 na panturrilha direita. Apesar da contusão, a CBF optou por não desconvocar o atleta, detalhando que o acompanhamento será diário, com um prazo de retorno de 15 dias. Em entrevista exclusiva à PLACAR, Filipe Abdalla, especialista em fisioterapia esportiva, detalha o prazo de recuperação do camisa 10.

“O que foi colocado como tempo médio de 15 a 20 dias não significa que um atleta vá precisar desse prazo, pode ser que a recuperação seja realmente mais rápida. O atleta é diferente, ele tem uma preparação, um sono e uma alimentação diferente. […] Uma lesão grau 2 deve ser avaliada diariamente, então não pode usar exame de imagem como critério único de melhora clínica do Neymar. Força muscular, dor e qualidade do tecido são outros critérios para avaliar a situação do atleta”, disse.

Diferença entre edema e lesão grau 2

Inicialmente, Neymar foi diagnosticado com um edema muscular na panturrilha direita. Exames detalhados de imagem realizados na última quarta-feira, no entanto, confirmaram a lesão grau 2 na região. Ao ser questionado sobre o assunto, Abdalla explicou a diferença entre as contusões.

“A classificação britânica mostra o grau da lesão, em número, então, do grau 0 ao 4 seria a pior lesão, em ordem crescente, e também trabalha com letras. A seria só fibra muscular, B é uma transição de tendão para músculo, e C seria já próximo do osso. Já o edema é um líquido, um inchaço, causado por um estiramento de uma fibra muscular, que, devido à vascularização do músculo, sangra bastante. O edema é um grau menos avançado do que uma ruptura de fibra muscular”, comentou o especialista.

Lesão sofrida contra o Coritiba

Na sua última partida com a camisa do Santos, na derrota por 3 a 0 para o Coritiba, no último dia 17, Neymar sofreu a lesão na panturrilha que se tornou tema de debate no futebol brasileiro. Naquela partida houve uma falha de comunicação entre a arbitragem e a comissão técnica santista, o que acabou causando a substituição do camisa 10.

Fora de campo para atendimento na panturrilha, Neymar ficou revoltado com a substituição errada e pediu para voltar à campo. Questionado sobre porque o jogador, mesmo lesionado – como se provou mais tarde – pediu incessantemente para retornar ao jogo, Abdalla comentou que o “calor” da partida pode ter feito com que o meia-atacante não sentisse o problema: “Você tem liberação de endorfina, que alivia bastante qualquer situação de dor. Também com a liberação de serotonina você tem uma sensação de bem-estar.”

O especialista complementou dizendo que é possível que a troca forçada do craque, naquela partida, pode ter evitado um problema pior: “A lesão muscular, dependendo do grau, ela pode agravar. Se o atleta sente uma pontada mas ele consegue continuar, e essa pontada aumenta, isso acaba aumentando a área de lesão. É uma hipótese, não dá pra gente bater o martelo, mas ele pode ter tido o início da lesão ali, e se, caso ele continuasse poderia agravar (o problema)”.