Há menos de um mês para o início da Copa do Mundo de 2026, a infraestrutura esportiva de Estados Unidos, México e Canadá está preparada para receber o principal torneio de futebol do planeta. Pela primeira vez disputado em três países e com 48 seleções participantes, a competição terá estádios com tecnologia de última geração e centros de treinamentos modernos para recuperação de atletas, que enfrentarão grandes viagens ao longo do Mundial.
Grande parte dos investimentos foi direcionada à modernização de estádios já existentes, especialmente nos Estados Unidos, onde arenas da NFL, liga nacional de futebol americano , passaram por adaptações para atender aos padrões exigidos pela entidade máxima do futebol. Sistemas de gramado híbrido, ampliação de áreas VIP, modernização tecnológica e reforço das estruturas de segurança estão entre as principais intervenções realizadas nos últimos anos.
“Os Estados Unidos possuem uma infraestrutura esportiva de altíssimo nível, com estádios modernos, centros logísticos qualificados e uma capacidade já comprovada na realização de grandes eventos internacionais. O país mantém o protagonismo recebendo mais uma edição de Copa do Mundo e se preparando para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Esse calendário reforça o país como uma das principais potências na indústria do esporte”, afirma Sergio Schildt, presidente da Recoma, principal que atua no segmento de infraestrutura esportiva há 47 anos.

MetLife Stadium receberá a final da Copa do Mundo – Alexandre Battibugli/Placar
O palco da estreia da seleção brasileira e da final da Copa do Mundo será o MetLife Stadium, em Nova Jersey, que já havia recebido a decisão da Copa do Mundo de Clubes, no ano passado. Inaugurado em 2010, é frequentemente relacionado a Nova York, principalmente pela relação com as equipes da NFL, New York Jets e New York Giants, que mandam os jogos no estádio. A arena terá outras cinco partidas na competição.
O torneio também conta com o estádio mais caro do mundo, o SoFi Stadium, localizado na cidade de Inglewood, região metropolitana de Los Angeles, na Califórnia, e inaugurado em 2020, é a casa dos Los Angeles Rams e Los Angeles Chargers, da NFL. A arena, que será sede da estreia dos Estados Unidos e mais sete partidas no Mundial, possui capacidade de 70 mil pessoas, cobertura translúcida, telão Infinity Screen de 110 metros de extensão e um custo total de US$ 5,5 bilhões (aproximadamente 27,5 bilhões). Em 2028, o SoFi Stadium receberá a cerimônia de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Los Angeles.
O Estádio Azteca, do México, deve quebrar um recorde na abertura do torneio entre México e África do Sul, no dia 11 de junho, e se tornar o primeiro estádio a receber um jogo e uma partida inaugural de Copa Mundo em três edições diferentes. O primeiro jogo de Mundial no local foi um empate em 0 a 0 entre México e União Soviética, em 1970, ano em que o Brasil de Pelé conquistaria o tricampeonato inédito. Já em 1986, Bulgária e Itália empataram em 1 a 1, na abertura da competição que seria vencida pela Argentina de Maradona. Com a estreia da seleção mexicana e outros quatros jogos, o Estádio Azteca deve se consolidar ainda mais como estádio que mais recebeu partidas de Copa do Mundo, ao todo serão 24.

O imponente estádio Azteca, palco de duas finais de Copa do Mundo – EFE/ Sáshenka Gutiérrez
No Canadá, dois estádios receberão partidas da Copa do Mundo. O BMO Field, localizado em Toronto, é o menor entre todos do torneio. Naturalmente, o espaço possui capacidade para 28 mil pessoas, mas para cumprir as determinações da Fifa foram construídas duas arquibancadas atrás dos gols, ampliando para 45 mil lugares. O local receberá a estreia da seleção canadense e outros seis jogos do Mundial.
O outro estádio será o BC Place, o maior e mais utilizado do país, localizado em Vancouver. Ele foi inaugurado em 1983, sendo o maior estádio fechado do mundo à época, com capacidade para mais de 54 mil pessoas e já sediou a final da Copa do Mundo Feminina de 2015, vencida pelos Estados Unidos. O BC Place será palco de sete jogos na competição.
“Um evento como a Copa do Mundo acontecer em três países diferentes, e com 48 seleções do mundo inteiro exige um novo patamar de planejamento e infraestrutura esportiva. Além dos grandes estádios, toda a operação de montagem e desmontagem das estruturas precisa funcionar de forma estratégica para garantir agilidade, segurança e uma experiência de alto nível para os atletas, delegações e torcedores”, comenta Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço, empresa especializada em produção de eventos e responsável pela realização e promoção de campeonatos em modalidades como beach tennis, futebol, vôlei e tênis.
Recuperação de atletas, logística e centros de treinamento modernos
A logística de viagens deve ser a mais complicada da história das Copas do Mundo. Com sedes em três países diferentes, as seleções terão o desafio de conciliar partidas de alto nível e o preparo físico em fim de temporada europeia.
“Falar de Copa do Mundo é sempre um desafio, mas a edição de 2026 traz um cenário muito diferente das anteriores pela questão logística. Serão três países-sede, grandes deslocamentos, mudanças frequentes de fuso horário e diferentes condições climáticas, e isso gera não apenas um desgaste de viagem, mas também um impacto fisiológico importante nos atletas. Hoje a ciência do esporte já entende que fatores como sono, recuperação muscular, hidratação e até o desempenho cognitivo podem ser afetados diretamente por essa rotina. Em uma competição curta, com pouco intervalo entre os jogos, detalhes como controle de carga, estratégias de recovery e adaptação ao jet lag podem fazer diferença no desempenho dentro de campo”, Bianca Carneiro, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física.
Apesar das dificuldades, os centros de treinamento modernos desta edição devem facilitar o processo de recuperação física dos atletas em uma competição de tiro curto. A seleção brasileira, por exemplo, escolheu o recém inaugurado Columbia Park Training Facility, CT do New York Red Bulls, localizado em Morris Township. A estrutura do local conta com oito campos de futebol, sendo dois que foram preparados pela Fifa com o mesmo tipo de gramado que será utilizado no Mundial, além de academia, áreas para recuperação, reabilitação e tratamento, vestiários e salas de reuniões. Ao todo, a obra no espaço custou US$ 100 milhões (cerca de 500 milhões).
Assim como o Brasil, a grande maioria das seleções escolheram a sua sede nos Estados Unidos. Apenas 8 equipes ficaram hospedadas fora do principal centro da competição, sendo a própria seleção mexicana, África do Sul, Coreia do Sul, Tunísia, Uruguai e Colômbia, no México, e a seleção canadense e o Panamá, no Canadá.









