Como costuma acontecer, o Dia dos Damorados no Brasil (12 de junho) caiu durante o período da Copa do Mundo de 2026. Durante a época do torneio, é comum que o tema futebol invada conversas, agendas e por tabela, os relacionamentos amorosos. PLACAR conversou com casais que transformaram o Mundial desse ano em parte da própria história de seu romance.
Há quem tenha se conhecido por causa do esporte, quem organize rotina em função dos jogos e quem precise negociar a torcida por rivalidade Brasil-Argentina. Essas histórias mostram que o fervor da Copa do Mundo também contagia o coração dos enamorados.
Ele argentino, ela brasileira
Vascaína apaixonada, a fotógrafa Ane Ferreira vive um relacionamento à distância com o músico argentino Tony Vecino, palmeirense fanático. Os dois se conheceram pelo Instagram, onde entre outras coisas, conversavam principalmente sobre futebol.
“Tony é palmeirense, mas sempre teve um carinho enorme pelo Vasco por causa da amizade entre as torcidas. Ele falava muito sobre isso. Inclusive, uma vez veio ao Rio para conhecer o estádio de São Januário achando que eu estaria lá, mas justamente naquele dia eu não consegui ir”, conta Ane.
Poucos meses depois, veio o primeiro encontro – que, inevitavelmente, acabou passando pelo paixão em comum dos dois pelo esporte. “Precisei viajar para São Paulo para o aniversário de uma amiga. Avisei que estaria na cidade e ele me convidou para visitar uma exposição da Rita Lee no MIS (Museu da Imagem e do Som). A conversa fluiu tão bem que passamos horas juntos. Depois Tony perguntou se eu conhecia o Allianz Parque e me levou para fazer o tour do estádio – eu fui de Vasco!” Desde então a gente sempre vai aos jogos juntos, vou com ele ver o Palmeiras, e ele comigo nos jogos do Vasco, inclusive já víamos pra outro Estado pra me acompanhar, mas quando é Palmeiras x Vasco, esquece (risos), é cada um pro seu lado”
Quando o assunto é seleção, contudo, a coisa fica mais complicada, como é de praxe para a dinâmica da rivalidade Brasil x Argentina: “Essa é a nossa segunda Copa juntos. Na primeira (Copa de 2022), eu achava um absurdo ele torcer pra Argentina. Já brigamos feio por isso, porque não admitia, e foi justamente a que a Argentina foi campeã. Vê-lo genuinamente feliz com o título me deixou tão alegre que até dei um copinho do Messi de presente”. conta Ane. “Vivemos em estados diferentes. Quando estou em SP, combinamos de ver os jogos em um bar argentino”.
Em 2026, calhou do clima de Copa do Mundo contagiar o aniversário de Ane. Tony prestigiou a data vestido à rigor, mas sem abrir mão das cores argentinas: “Esse ano fiz meu aniversário no tema copa do mundo e ele foi com a camisa da seleção, mas obviamente nas cores azul e branco”.
Um Amor de Álbum de Figurinhas

Gabriel e Isabela vestindo juntos a camisa do PSG (Acervo Pessoal)
O cientista da computação Gabriel Caldeira e a estudante de enfermagem Isabela Theodoro se conheceram em uma festa de aniversário de amigos em comum. Na ocasião, Isabela havia viajado do interior ao litoral de São Paulo, da cidade de Assis para o Guarujá, para participar da comemoração. “Depois que ficamos de casalzinho na festa, descobri que ela ainda ficaria em Santos na casa da amiga. Então chamei ela pra sair, o resto é história”, relembra Gabriel.
Curiosamente, o futebol não era um elemento tão presente na relação naquele momento. Segundo Caldeira, sua ligação com o esporte passou por fases de maior e menor interesse até que, em 2025, algo mudou. O retorno de Neymar ao Santos, somado à influência dos amigos, despertou um novo entusiasmo. Foi então que surgiu uma ideia: “Um belo dia eu simplesmente virei pra ela e falei: ‘E se a gente fosse na Vila Belmiro?'”
A proposta tinha um detalhe importante: nenhum dos dois havia assistido a uma partida em um estádio antes. Isabela aceitou o convite. “Era Santos x Fortaleza pelo Brasileirão de 2025. Ela topou mesmo sendo corintiana”, lembra Gabriel. A experiência marcou o relacionamento dos dois, especialmente para ele.
“Foi a partir desse primeiro contato com o estádio que o futebol realmente me pegou.” Desde então, o esporte passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina do casal, mesmo torcendo para clubes diferentes. “Quando vai à Vila comigo, ela torce pro Santos”, diz ele, antes de fazer uma ressalva bem-humorada: “Evidentemente que em clássico alvinegro não rola dela ir.”
Mais do que um hobby em comum, o futebol virou em uma forma de construir experiências compartilhadas. “Vemos no futebol a possibilidade de conhecer novos lugares e ter novas experiências juntos”,. Entre os planos do casal estão assistir a jogos da Champions League na Europa e acompanhar uma Copa do Mundo presencialmente quando alcançarem maior estabilidade financeira.
Enquanto esses sonhos não chegam, eles vivem intensamente a atual edição da Copa. Os dois organizaram um bolão para acompanhar o torneio, embora Gabriel admita ter oferecido algumas orientações estratégicas à namorada. “Dei algumas dicas pra ela em alguns palpites”. A expectativa dos dois é que a seleção brasileira conquiste o sonhado título. “Esperamos que o Brasil consiga trazer o hexa dessa vez. Seria mágico se acontecesse na nossa primeira Copa do Mundo juntos.”
Talvez nenhum ritual cotidiano represente melhor a relação dos dois do que a coleção de figurinhas. Empolgada com o álbum da Copa, Isabela abraçou a missão de completá-lo ao lado do namorado. “A gente divide o mesmo álbum pra facilitar. Mil figurinhas é osso!”, brinca Gabriel. A sorte de Isa no momento de abrir os cromos virou mística para os dois. “Os pacotes que ela abre quase sempre são melhores que os meus. Foi ela que abriu o pacote do Yamal Extra Sticker Bronze”. Nesse Dia dos Namorados, Isabela presenteou Gabriel com um álbum especial: no mesmo estilo do livro ilustrado da Panini, mas voltado para o casal colar fotos de suas memórias juntos.
O estádio como date ideal

Brunno e Débora torcendo juntos pelo Brasil (Acervo Pessoal)
Para o casal de cearenses Brunno Craveiro e Débora Feitosa, o futebol não é apenas um interesse em comum, mas um dos pilares da própria história do par. Ambos são torcedores apaixonados do Ceará e se conheceram em um lugar que consideram o ambiente mais romântico da capital: a Arena Castelão, pouco depois da pandemia. “Foi num fantástico Ceará 1 x 0 Cuiabá, pelo Brasileirão de 2021, que nos apaixonamos” contam. “O futebol é parte indispensável da nossa história e da nossa dinâmica como casal”.
Na época, Brunno era host de um podcast sobre futebol chamado CriseCast, o que influenciou diretamente no desenrolar do relacionamento dos dois. Hoje, após quase cinco anos juntos, os jogos do Vozão continuam sendo momentos importantes na rotina do casal. “Todo jogo do Ceará é uma nova oportunidade para estarmos juntos, seja em casa ou no estádio. Vivemos essa paixão juntos. Nada nos separa um do outro e nem nós do nosso time!”
A chegada da Copa do Mundo é empolgante para os dois. O que antes do relacionamento já era um período aguardado, passou a ser vivido em parceria “Passamos por todas as etapas, desde fazer o álbum juntos, comprar camisas, preparar as decorações e, é claro, não perder um jogo sequer. Estamos empolgadíssimos para o Brasil em 2026, esperança alta pelo hexa!”.
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