Vasco da GamaFluminense. O chamado Clássico dos Gigantes desta quinta-feira, 11, às 20h (de Brasília), no Maracanã, pela ida das semifinais da Copa do Brasil, é um confronto repleto de rivalidade.

O confronto carioca que abre a decisão de uma vaga na decisão nacional, no entanto, tem histórico curto em competições nacionais, marcado por equilíbrio e ligeira vantagem tricolor, justamente pela única na história entre os rivais.

Ao todo, são cinco confrontos eliminatórios em torneios nacionais oficiais, somando finais e fases de Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. O retrospecto aponta três classificações (ou título) do Fluminense contra duas do Vasco.

Fluminense campeão em 1984 e encontros no Brasileiro

O encontro mais marcante entre os clubes em âmbito nacional ocorreu na final do Campeonato Brasileiro de 1984. No primeiro confronto, o Fluminense venceu por 1 a 0, com gol de Romerito. Na partida de volta, um empate sem gols garantiu o troféu ao Tricolor.

Na edição especial de PLACAR “Grandes Clássicos”, de 2015, o ex-lateral Branco, ídolo tricolor, elegeu aquela decisão como seu jogo inesquecível.

Edição especial de PLACAR “Grandes Clássicos”, de 2015

Meu jogo inesquecível – Branco

“Imagina uma final de Brasileiro, contra um grande rival, que havia feito ótima campanha? Foi maravilhoso. Na semifinal, contra o Corinthians, fizemos, talvez, nosso melhor jogo. “Perfeito”, como dizia o Parreira. Depois, fizemos uma final duríssima e extremamente equilibrada. Vencemos o primeiro jogo e depois suamos para segurar o 0 x 0. Isso valorizou demais nossa conquista.”

Fluminense 0 x 0 Vasco, 27/5/1984, Campeonato Brasileiro

Na mesma edição, o atacante Souza, do Vasco, relembrou a final do Carioca de 2003, vencida pela equipe cruzmaltina. Meu jogo inesquecível – Souza

“Para um garoto revelado pelo Madureira, jogar uma final de Carioca pelo Vasco, no Maracanã cheio, foi um sonho. Participar diretamente da conquista foi algo pra lá de satisfatório. Na partida final, o Léo Lima, que jogou muito, começou a jogada e meteu de letra. O Cadu escorou e dominou. Eu fiz o giro e bati para fazer o gol da vitória. Vibrei muito. Era novo e muita coisa boa aconteceu depois disso.”

Aquela edição destacou ainda os maiores públicos e artilheiros do clássico. Confira, abaixo, os dados da época:

Maior público – 128 781
Fluminense 0 x 0 Vasco
Maracanã, Campeonato Brasileiro, 27/5/1984

A primeira partida da final do Brasileirão de 1984, vencida pelo Flu por 1 x 0, teve 63 156 pagantes, no dia 24 de maio. Três dias depois, no jogo decisivo, que deu o título ao Flu, o Maracanã recebeu mais do que o dobro de pessoas: 128 781.

Branco e jogadores do Fluminense erguem a taça de campeão após o jogo que terminou 0 x 0 e o Fluminense sagrou-se Campeão Brasileiro de 1984, no Estádio do Maracanã (Ricardo Chaves/PLACAR)

Maiores artilheiros

Fluminense
Lula (anos 1960 e 1970) – 12 gols
Carreiro (anos 1940) – 11 gols
Telê Santana (anos 1950) – 11 gols
Valdo (anos 1950 e 1960) – 11 gols
Alfredo (anos 1920 e 1930) – 9 gols

Vasco
Roberto Dinamite (anos 1970, 1980 e 1990) – 36 gols
Valdir (anos 1990 e 2000) – 15 gols
Ademir (anos 1940 e 1950) – 14 gols
Pinga (anos 1950 e 1960) – 13 gols
Lelé (anos 1940) – 12 gols

Dinamite

Roberto Dinamite, ídolo do Vasco, em ensaio histórico para PLACAR (Rodolpho Machado/PLACAR)

O Fluminense foi a maior vítima de Roberto Dinamite. Dos 698 gols que fez com a camisa do Vasco, 36 foram em cima do tricolor. Entre 1981 e 1983, Roberto chegou a marcar 10 gols em cinco clássicos consecutivos.

Na edição especial dos grandes clássicos de dez anos antes, em 2005, PLACAR destacava como o Vasco havia conseguido equilibrar o retrospecto histórico contra o maior rival. Atualmente, em 2025, o Clássico dos Gigantes tem 156 vitórias do Vasco, 124 do Fluminense e 115 empates em 395 jogos.

Edição especial de PLACAR

Edição especial de PLACAR “Grandes Clássicos”, de 2005

Não é o que parece

A história de que o Flu sempre ganha os confrontos contra o Vasco é cada vez mais coisa do passado: dos anos 90 para cá, os vascaínos vêm conseguindo igualar os tricolores em tudo, inclusive na hora da decisão

Bola na área é do goleiro, dois a zero é um resultado perigoso, cada jogo tem sua história. Entre todas as velhas máximas do futebol, pelo menos uma está começando a mudar: aquela que diz que o Vasco não dá sorte nos jogos contra o Fluminense. Tanto que, na história dos confrontos, a vantagem já é vascaína: são 126 vitórias contra 108 do Flu e 85 empates, 481 gols marcados pelo Vasco e 446 pelo Fluminense. A virada se deu da década de 90 para cá, com o declínio tricolor e a regularidade do Vasco, sempre pelo menos entre as três maiores forças do Rio. Além disso, são do Vasco a vitória no primeiro jogo (3 x 2, em 1923), a maior goleada de todos os tempos (6 x 0, em 1930) e o maior artilheiro do confronto (Roberto Dinamite, com 36 gols).

De onde vem, então, essa falsa impressão de que, contra o Fluminense, o Vasco “não dá sorte”? É que dos jogos mais importantes a maioria foi vencida pelo Tricolor. Aconteceu, por exemplo, no primeiro jogo do triangular decisivo do Campeonato Carioca de 1975. A Máquina Tricolor de Rivelino & Cia. largou goleando o Vascão por 4 x 1. Depois, de nada adiantou o próprio Vasco derrotar o Botafogo por 2 x 0, porque na última rodada, graças ao saldo de gols, a taça foi para o Flu, mesmo com o Tricolor perdendo por 1 x 0 para o Botafogo. Em 1976, o bi daquele time que entrou para a história do Fluminense também veio em cima do Vasco, com um gol do argentino Doval marcado dolorosamente (para os vascaínos) aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação do jogo final.

A história da supremacia tricolor se repetiu em 1980, ano de mais uma volta olímpica do Fluminense tendo o Vasco como coadjuvante. O gol do zagueiro Edinho garantiu o título, assim como quatro anos depois um outro gol solitário, do paraguaio Romerito, daria ao Fluminense o maior de todos os seus títulos (em cima do Vasco, é claro): o de campeão brasileiro de 1984. Depois daquela vitória, bastou ao Flu um insosso 0 x 0 no segundo jogo da final do Brasileirão. Como se não bastasse, ainda neste ano, o Fluminense aprontou outra para cima do Vasco: empate de 1 x 1 e vitória nos pênaltis, que classificou o Tricolor para a decisão da Taça Rio contra o Flamengo e eliminou os vascaínos de vez do próprio Campeonato Carioca.

Mas o Vasco, a exemplo da recente ascensão que vem conseguindo nos números gerais do confronto, também já pode se orgulhar de levar alguma vantagem sobre o Fluminense na hora da decisão. Um desses feitos aconteceu nas finais de 1993, com um 0 x 0 que valeu o bi e depois se transformaria em um inédito tricampeonato carioca na história do clube. Outra aconteceu dez anos depois, na decisão de 2003, vencida pelo Vasco por 2 x 1, com direito a um gol e a um cruzamento de letra de Léo Lima. Quem sabe não esteja começando aí, também no quesito das decisões por campeonato, mais uma histórica virada vascaína para cima do Flu?

Confrontos na Copa do Brasil

Em 2000, pelas oitavas de final, o Tricolor levou a melhor com dois empates, se beneficiando do critério de gols fora de casa à época. Já em 2006, o clássico voltou a ocorrer, agora na semifinal, quando o Cruzmaltino venceu a ida, segurou o empate na volta e avançou à final, fase em que perdeu para o rival Flamengo.

Dezenove anos depois, Vasco e Fluminense voltam a se enfrentar. A ida acontece nesta quinta-feira, 11, com volta marcada para o domingo, 14.