Um sinalizador atirado no gramado do Maracanã e uma das maiores farsas da história do futebol quase tiraram a seleção brasileira de uma Copa do Mundo. Há 37 anos, o goleiro Roberto Rojas fingiu ter sido acertado por um artefato explosivo e cortou o próprio rosto para espalhar sangue, durante Brasil x Chile nas eliminatórias da Copa de 1990.
A história foi contada em detalhes em edições de PLACAR e os registros dos fotógrafos Marco Antônio Cavalcanti, Ari Gomes e Nelson Coelho ajudaram a desvendar a “farsa”.
Brasil 2 x 0 Chile e o ‘caso Rojas’

Roberto Antonio Rojas, goleiro do Chile, após ser supostamente atingido por um sinalizador da marinha, no jogo contra o Brasil, durante a eliminatória para Copa do Mundo de 1990, no estádio do Maracanã.
No dia 3 de setembro de 1989, a seleção brasileira comandada por Sebatião Lazarani entrou em campo no Maracanã precisando vencer o Chile para se classificar para a Copa da Itália. Os chilenos também precisavam da vitória para irem ao Mundial.
Aos 24 minutos, a torcedora Rosinery Mello, que ficaria conhecida depois como a “Fogueteira do Maracanã” e seria capa da Revista Playboy, atirou um sinalizador no gramado que caiu cerca de dois metros do goleiro Rojas, que atuava no São Paulo. O chileno aproveitou a confusão para tirar uma lâmina de dentro da luva e cortar o próprio rosto.
Roberto Antonio Rojas, goleiro do Chile, após ser supostamente atingido por um sinalizador da marinha, no jogo contra o Brasil, durante a eliminatória para Copa do Mundo de 1990, no estádio do Maracanã (PLACAR)
O sangue assustou os presentes e o goleiro foi levado para o vestiário pelo Departamento Médico. Vendo a situação, os jogadores do Chile se retiraram de campo e depois de meia hora, o árbitro encerrou a partida. Na súmula, o Brasil venceu por 2 a 0.
Consequências e banimentos
Após a farsa ser descoberta com fotos que mostravam que o goleiro não havia sido atingido, a Fifa começou a distribuir punições. A seleção chilena ficou impedida de participar da Copa do Mundo 1994.
O técnico Orlando Aravena foi suspenso por cinco anos, enquanto o zagueiro Astengo recebeu uma punição de cinco anos e o médico foi banido do futebol.
O goleiro também recebeu a pena máxima e foi banido. Porém, Rojas recebeu uma anistia em 2001 e pode voltar ao esporte, se tornando treinador de goleiros por anos no São Paulo.









