O fornecedor de material esportivo da seleção brasileira de futebol decidiu batizar o novo uniforme com o conceito de “Brasa”. A ideia, em teoria, tenta traduzir identidade, calor, energia, rua, um Brasil vibrante. No papel, parece moderno. Na prática, soa artificial.
O problema não é o nome. É o desalinhamento.
Existe uma diferença grande entre construir uma narrativa de marca e forçar uma linguagem que não pertence mais ou pior, que já nasce datada. “Brasa”, como expressão, não reflete o Brasil atual. Não está nas arquibancadas, não está na cultura dominante, não está na voz do torcedor. É quase uma caricatura do que uma marca global imagina que seja o brasileiro.

Brasil lançou camisa número 1 para Copa do Mundo – Divulgação/Nike
E esse é o ponto central. Quando o branding deixa de escutar o consumidor e passa a projetar estereótipos, o produto perde força.
No futebol e especialmente na seleção produto não é só estética. É símbolo. É pertencimento. E hoje a Seleção já enfrenta um distanciamento real com o torcedor. Esse distanciamento passa também pela falta de ídolos.
Fomos acostumados por diversas gerações a ver os principais jogadores do mundo vestindo a camisa com orgulho e conexão genuína com o país. Jogadores que representavam o Brasil dentro e fora de campo. Hoje vemos atletas mais distantes do povo, inseridos em uma lógica cada vez mais padronizada e europeia.
Nesse contexto o uniforme deveria atuar como ponte. Mas acaba reforçando o problema.
Ao optar por um conceito como “Brasa” o fornecedor entrega um produto que parece pensado de maneira externa ao contexto do torcedor. Um exercício criativo que ignora timing linguagem e sensibilidade cultural. E isso impacta diretamente na rejeição não só ao uniforme mas à própria Seleção enquanto marca.
Porque no fim o torcedor não rejeita só a camisa. Ele rejeita o que ela representa.







