Juan Pablo Vojvoda utilizou a entrevista coletiva após o empate por 1 a 1 no clássico contra o Corinthians, na Vila Belmiro, para colocar o dedo em feridas adquiridas nos cinco meses de trabalho à frente do Santos.
Durante cerca de trinta minutos, o técnico argentino chegou a subir o tom em respostas a jornalistas para defender jogadores criticados, como o zagueiro Zé Ivaldo, e explicar a gestão de minutos dos jogadores das categorias de base.
“Não sei se é justo ou não [a cobrança]. Trabalho com a diretoria, com [Alexandre] Mattos, Marcelinho [Teixeira] e Marcelo [Teixeira] para melhorar a cada dia. Sabemos a dificuldade do mercado e que vamos receber essa cobrança”, iniciou dizendo Vojvoda.

Santos saiu atrás e conseguiu o empate aos 48 do segundo tempo – Raul Baretta/Santos FC
“Tenho orgulho de estar nessa cadeira, mas é um clube que passou por dificuldades. É construir novamente com a cabeça de que está em um clube grande. A torcida precisa de alegrias, mas não é do dia para a noite. Se a cobrança é justa? Ela vai existir em um clube como esse. Se ganhamos 3 a 0, sempre vão falar, porque não jogou um menino da base ou um reforço. Tenho que estar preparado para isso”, completou o treinador, que ainda refutou se sentir ameaçado.
Em diversas oportunidades, Vojvoda aparentou nervosismo. Dentro de campo, o técnico chegou a ser punido com um cartão amarelo pelo árbitro Lucas Canetto Belloti por conta de constantes reclamações. Durante a entrevista, disse “desfrutrar da pressão”.
“Não me sinto ameaçado. Tenho apoio. Sempre soube da pressão, desfruto dela. Gosto de trabalhar no Santos, gosto da exigência, da pressão. Estou preparado, como no ano passado estávamos em uma situação difícil, lutando contra o rebaixamento. Outra vez o Santos vai lutar aí? Vivi esse rebaixamento do Santos também. Trabalhamos para sair de uma situação muito difícil”, explicou.
Defesa de Zé Ivaldo e elenco
Questionado sobre as recentes falhas cometidas pelo zagueiro Zé Ivaldo, responsável pelo pênalti desperdiçado pelo atacante Yuri Alberto aos 13 minutos do primeiro tempo, Vojvoda rechaçou a ideia de descartar atletas por momentos ruins e citou exemplos de recuperação dentro do próprio elenco, como Guilherme e Thaciano.
” Hoje, verdade, não fez um bom primeiro tempo. Em Campinas, ele foi mal. Foi mal pelo pênalti? No ano passado, ele estava afastado e recuperamos. O Thaciano foi recuperado. Guilherme, o que passou? Vojvoda tira Guilherme, não sei o que. Se cada momento ruim de jogador…tem que cobrar, saber que comete erros, e outros jogadores têm que lutar. Estou atento. Jogar mal um jogo, vamos trazer outro? Vamos vender ele…não é assim”, explicou o técnico, antes de questionar a cultura de “fritura” de jogadores.
“Eu falo diretamente: em determinado momento, outros jogadores não poderiam jogar aqui. Vamos esperar, difícil jogar no Santos, bonito na vez, e acontece isso. Por exemplo, conhecia Guilherme e confiava. Ele disse que estava sendo muito difícil, porque todos sabemos a situação. Eu cheguei e disse: confio em você, Guilherme. Ele sofreu e desfrutou. Gosto de estar aqui, desfruto da pressão, da cobrança, mas tenho que explicar.”
A impaciência com a base e o caso Robinho Jr.
Pressionado sobre a utilização de jovens promessas, especificamente o atacante Robinho Jr., Vojvoda pediu cautela e comparou a gestão dos garotos a “ajudar um filho”.
“Sobre Robinho, tenho que ajudá-lo. Estou todo dia querendo ajudar. Ele se deixa ajudar. É um menino bom, e a torcida vai ajudar, vocês também. Como ajudar um filho? Como ajudar alguém que quer muito? Colocar sempre? Ele sempre jogar? Em determinado, aguarda, espere, esse jogo aqui. Ele tem 18 anos, conseguiu muitos minutos. A estreia dele não foi comigo, mas recebeu muitos minutos. Mas você continua perguntando dele”, afirmou, antes de apontar a utilização de nomes da base na partida.
“Hoje estava [Vinicius] Lira, Miguel (Miguelito) e Robinho. Também estou conhecendo Pedro Assis, Matheus Xavier… Hoje treinaram com a gente mais meninos. Entende? Eu comecei treinando na base, e em um clube importante na base da Argentina. Eu quero a base, não é esse não serve mais, me entende. Esse é bom, joga mal, continua? Tranquilo, é um processo. Estou em um clube diferente, de cultura diferente”, acrescentou.
Gabigol decisivo e volta de Neymar
Por fim, o técnico falou sobre as duas principais estrelas: Gabigol e Neymar. Sobre o primeiro, Vojvoda foi direto: a prioridade é a bola na rede, enquanto a parte tática será ajustada com o tempo. O camisa 9 tem dois gols em três partidas disputadas, sendo só duas delas como titular.
“O que peço? Peço que encaixe rapidamente no comportamento do jogo que precisamos e de gols. Respondeu com gols, e isso é o que precisamos dele. Há outras coisas que compõem o jogo de futebol, que ele vai melhorando. Mas temos um jogador que até o último momento pode dar o gol. É uma pessoa que conhece a cidade, nos ajuda”, elogiou.
Já sobre Neymar, evitou precisar um prazo para a volta, mas elogiou o empenho do jogador no tratamento, que trabalha em dois turnos para acelerar a recuperação da cirurgia no joelho esquerdo.
“Em breve. Digo que será em dias ou semanas, nada além disso. Ele está trabalhando bem, hoje falei com ele e ele estava muito cansado porque está fazendo dois turnos de treinos. Temos jogos seguidos, mas vejo ele muito comprometido em ficar bem para a volt”, concluiu.








