Há exatos 66 anos, em 2 de outubro de 1960, foi inaugurado o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi (atual MorumBis), casa do São Paulo Futebol Clube. Com um gol de Arnaldo Garcia, o Peixinho, o Tricolor bateu o Sporting de Lisboa, de Portugal, por 1 a 0.
De acordo com o borderô da partida, 64.748 pagantes acompanharam a realização do sonho da casa própria dos são-paulinos. As obras do então maior estádio particular do mundo só foram totalmente entregues em 1970.

Campo e arquibancada do Estádio do Morumbi (Acervo/PLACAR)
O Morumbi foi um dos estádios destacados na edição Histórias e Lendas dos Grandes Estádios, de abril de 1993. Leia, abaixo, um trecho da reportagem:
Um clube no lugar certo
Os idealizadores do Morumbi queriam no início um terreno no nobre Ibirapuera, mas não convenceram a prefeitura a doá-lo. Assim, a obra começou em 1952 no então desvalorizado bairro do Morumbi. Concluído em 1960, o estádio ainda era cercado por um imenso vazio e comportava apenas 70 000 pessoas. Mas o São Paulo queria um gigante e, para isso, até obrigou o arquiteto Villanova Artigas a mudar seu projeto original, que previa um corredor de trânsito na parte inferior do anel das arquibancadas.
Tudo não passava de um sonho, diziam as vozes mais céticas que se espalhavam pela São Paulo dos anos 50. E não importava sequer que o exemplo do Maracanã, erguido em apenas dois anos, estivesse vivo na cabeça de cada brasileiro. Um estádio construído no distante bairro do Morumbi, onde a cidade só chegara até então com algumas chácaras situadas sobre imensa várzea, não permitia outro destino que não fosse o fracasso e a solidão. O sonho, porém, foi mais forte que as dificuldades, e, em 15 de agosto de 1952, o tricolor lançava a pedra fundamental de sua futura casa.

Não foi à toa que o maior estádio particular do mundo acabou sendo levantado no terreno longínquo, de 124 mil m², doado pela Prefeitura Municipal e pela Imobiliária Aricanduva. O Morumbi, para satisfazer a honra tricolor, devia ser incomparável na cidade e, para isso, necessitava de um espaço capaz de acomodar 150 000 pessoas.
Assim, o então presidente do clube, Cícero Pompeu de Toledo, que hoje empresta seu nome ao estádio, não se importou com a recusa do prefeito Armando Arruda Pereira em ceder um espaço no Ibirapuera, como era sua intenção inicial. Os cardeais tricolores também não se acanharam em descartar projetos modernos, como o da construtora soviética Antonov & Solnnerkevic, que previa uma cobertura transparente e removível sobre as arquibancadas e o gramado. “O estádio ficaria menor e ninguém suportava essa ideia”, lembra o historiador do São Paulo, Agnello Di Lorenzo.
Leia o texto na íntegra em nosso acervo: Histórias e lendas dos grandes estádios.

Histórias e lendas dos grandes estádios: capa da edição 1082 de PLACAR, de 1993







