O empate do Mirassol sobre o Santos, na noite da última quarta-feira, 19, manteve a grande campanha do time paulista, estreante em um Brasileirão Série A. Muito próximo de vaga direta na Copa Libertadore de 2026, o time do interior paulista conquistou o que, em 22 anos de pontos corridos, nenhum clube que disputou a elite pela primeira vez havia apresentado.
O histórico é restrito — apenas cinco equipes chegaram pela primeira vez à primeira divisão desde 2003. Mas a comparação mostra um traço comum: todos lutaram para sobreviver. Até agora.
Brasiliense (2005)

Camisa do Brasiliense de 2002, ano do vice-campeonato da Copa do Brasil – Reprodução/Internet
O Brasiliense inaugurou a lista de estreantes absolutos na era dos pontos corridos. A chegada ocorreu em meio ao auge do clube, ainda impulsionado pela campanha na Copa do Brasil de 2002 e pela estrutura relativamente estável criada em Brasília no início dos anos 2000.
A transição para a elite, porém, não resistiu às exigências do calendário e à diferença de profundidade entre elencos. O time alternou competitividade com quedas de rendimento.
Entrou no segundo turno sob pressão, não conseguiu reagir e foi rebaixado.
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44 jogos
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41 pontos — 22º lugar
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11V, 8E, 25D
Ipatinga (2008)
O Ipatinga chegou à elite após uma onda agressiva de ascensão: título estadual, campanhas consistentes nas Séries C e B, e um trabalho que permitiu ao clube o destaque. A estreia, no entanto, expôs os limites técnicos de um elenco curto e vulnerável diante das principais equipes.
O clube mineiro enfrentou problemas defensivos persistentes e terminou o campeonato na lanterna.
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38 jogos
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35 pontos — 20º lugar
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9V, 8E, 21D
Barueri (2009)
O Barueri foi o primeiro estreante absoluto a fugir do padrão. Com estrutura rara para um clube recém-chegado à elite, orçamento sólido e um projeto que combinava gestão empresarial com captação forte no mercado, entrou na Série A em condições mais equilibradas que seus predecessores.
Fez campanha acima da média, venceu adversários diretos, manteve bom aproveitamento em casa e terminou na metade superior da tabela. Foi a prova de que um estreante poderia competir em nível intermediário se planejado.
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38 jogos
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49 pontos — 11º lugar
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14V, 7E, 17D
Cuiabá (2021)

CT do Cuiabá é um dos melhores do país – Guilherme Azevedo / Placar
O Cuiabá estreou em um contexto distinto. Veio com investimento estável, boa estrutura física e uma ideia clara de jogo. A equipe priorizou organização defensiva, ocupação racional dos espaços e foi bem nas partidas fora de casa.
O alto número de empates e o baixo volume de gols sofridos sustentaram a campanha. Não houve risco real de rebaixamento na reta final, e o clube consolidou-se como exceção positiva entre os estreantes recentes: não apenas evitou a queda, como se firmou na elite naquele momento.
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38 jogos
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47 pontos — 15º lugar
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10V, 17E, 11D
Mirassol (2025)

Rafael Guanaes, treinador do Mirassol, brilha no Brasileirão 2025 – Marcos Freitas / Mirassol
A campanha do Mirassol é diferente: o time disputa espaço na parte de cima da tabela. O bom trabalho de Rafael Guanaes nesta temporada coroa a ascenção pautada em boa infraestrutura e contratações baseadas em bons trabalhos de observação.
Da mesma forma, conta com peças experientes, que voltaram a apresentar bom nível. Exemplos são o goleiro Walter e o lateral Reinaldo, que ostentam o privilégio de estarem entre os melhores do Brasileirão em suas posição.
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34 jogos
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60 pontos — desempenho de Libertadores
Mirassol brilhante na história
Se o recorte se amplia para toda a história do Campeonato Brasileiro (desde 1959) o cenário permanece o mesmo. Nos torneios das décadas de 1970 e 1980, quando dezenas de clubes estreavam anualmente em modelos inflados, regionalizados e com critérios variáveis de participação, nenhum debutante alcançou campanhas de topo.
A maioria oscilou entre fases intermediárias e eliminações precoces. Dentro desse histórico, o Mirassol se destaca como exceção: é o primeiro clube que disputa a elite pela primeira vez e, ainda assim, mantém campanha.









