Durante edição do programa Debate PLACAR, na última quinta-feira, 13, o assunto “Zico na seleção brasileira” movimentou opiniões. Ao comentarem o desempenho do ídolo do Flamengo no ano de 1986, quando completou 33 anos, os comentaristas traçaram comparações com Neymar.
Durante sua fala, Fábio Sormani colocou as figuras em pé de igualdade pela amarelinha: “O Zico, na seleção brasileira, é mais ou menos igual ao Neymar. Três Copas do Mundo, não aconteceu nada. Se você subtrai o Zico da seleção brasileira, não sai nenhum título.”
O corte do programa viralizou e levantou o tema nas redes sociais e, ainda que o astro santista possa voltar a defender o Brasil, o tamanho dos craques na pentacampeã passou a ser colocado lado a lado. Assim, contextualizando gerações, épocas e números, PLACAR traz elementos para o debate: Zico ou Neymar, quem foi maior na seleção brasileira?
Zico na seleção
Revelado pelo Flamengo em 1971, o Galinho iniciou sua trajetória pela seleção olímpica durante o Pré-Olímpico de 1971. Destaque daquela equipe e essencial na classificação para os Jogos de Munique, o ainda garoto ficou de fora da Olimpíada de 1972.
Zico estreou na seleção brasileira principal “apenas” em 1976, em amistoso contra o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Parte de gerações qualificadas, dividiu campo com figuras como Emerson Leão, Leandro, Júnior, Rivellino, Falcão, Sócrates, Reinaldo, Roberto Dinamite, Careca e companhia.

Socrates e Zico, do Brasil, na Copa de Mundo de 1982 – Ricardo Chaves/PLACAR
Ao todo, nas contas da Fifa, fez 71 partidas e marcou 48 gols, além de ter somado 21 assistências. Nos números da CBF, que consideram jogos e tentos contra combinados e clubes, a marca sobe para 89 jogos e 66 bolas na rede.
Em títulos, no entanto, os números são decepcionantes. Pela seleção brasileira principal, o meia-atacante nunca conquistou um título oficial, limitando-se a conquistas de Taça do Atlântico (1976), Copa Roca (1976), Copa Rio Branco (1976), Taça Oswaldo Cruz (1976), Torneio Bicentenário dos EUA (1976) e Taça Brasil-Inglaterra (1981).
Em Copas do Mundo, o Galinho tem três decepções. Em 1978, na campanha de terceiro lugar do Brasil, o ídolo do Flamengo começou como titular, mas acabou perdendo a posição para Jorge Mendonça, e encerrou a participação com apenas um gol.
Em 1982, como grande figura de um time histórico, liderou a equipe em seus bons momentos. A seleção, no entanto, caiu para a Itália, na Tragédia do Sarriá, e a campanha acabou com quatro gols e quatro assistências de Zico.

Zico, do Brasil, no jogo contra a França, pela Copa do Mundo de 1986 – Sérgio Sade/VEJA
Já em 1986, convocado mesmo em recuperação de grave lesão que teve início em dura entrada de Márcio Nunes, do Bangu, em 1985, o meia teve fim infeliz. Saiu do banco em três partidas e marcou dois gols, mas ficou marcado pela cobrança de pênalti perdida nas quartas de final, que manteve o empate em 1 a 1 com a França, culminando em disputa de penalidades, quando, apesar de Zico converter o seu, o Brasil acabou eliminado.
Vale dizer, contudo, que Zico disputou apenas uma Copa América em sua carreira, tendo em vista que a CBF utilizava muitas vezes convocações alternativas. Na edição de 1979, foi expulso no fim da primeira fase, em jogo contra a Argentina, e ficou fora da semifinal, quando a seleção foi eliminada pelo Paraguai.
Neymar na seleção
Grande nome brasileiro revelado no século XXI, o astro brilhou nas categorias de base da seleção brasileira. Destaque do Santos desde 2009, passou a ser pedido na Amarelinha ainda muito jovem e causou comoção nacional pela sua convocação para a Copa do Mundo de 2010 – não atendida pelo então técnico Dunga.
Ainda muito jovem, com 18 anos, estreou na seleção principal, em amistoso contra os Estados Unidos. Em agosto de 2010, já debutou como titular, deixando o seu gol, em time comandado por Mano Menezes.

Coutinho e Neymar pela seleção brasileira – Divulgação / CBF
Neymar, em sua passagem, teve a companhia de peças como Alexandre Pato, Oscar, Phillippe Coutinho, Gabriel Jesus, Thiago Silva, Marcelo, Daniel Alves e Casemiro. Grande nome da geração, se destacou em Eliminatórias e amistosos, mas acabou sem conquistar grandes troféus pelo time principal do Brasil, levantando apenas a Copa das Confederações de 2013, em que brilhou.
Ao todo, Neymar soma 128 jogos, 79 gols marcados e 58 assistências pela pentacampeã do mundo. Considerando números da Fifa, é o maior artilheiro da história da seleção brasileira, já que a entidade conta apenas 77 para Pelé. Enquanto isso, a CBF considera que Pelé, com 95 gols, é o líder histórico.
Em Copas do Mundo, Neymar tem três participações: 2014, 2018 e 2022. Em 2014, encerrou sua passagem antes do vexame do 7 a 1, ao ter coluna fraturada nas quartas de final, contra a Colômbia, ao sofrer entrada de Camilo Zuñiga. O astro marcou quatro gols e deu um assistência.

Neymar chora após eliminação da Copa do Mundo de 2022 – Akexandre Battibugli / PLACAR
Já em 2018, fragilizado por lesões recentes, o camisa 10 não brilhou e ficou com fama global de “cai cai”, por simular faltas. Eliminado nas quartas de final para a Bélgica, o então jogador do PSG fez dois gols e deu uma assistência no torneio.
A Copa do Mundo de 2022 teve gosto ainda mais dolorido para o jogador, que ficou fora das rodadas 2 e 3 por lesão sofrida na estreia. O craque deu uma assistência e fez dois gols, sendo um deles o que abriu o placar para o Brasil, na prorrogação das quartas de final, contra a Croácia. Contudo, uma sequência de erros permitiu o empate dos croatas, que venceram na disputa por pênaltis – sem Neymar bater.
Em Copa América, o principal nome da geração também decepciona, nas edições de 2011, 2015 e 2021. Na primeira, não brilhou junto do grupo; na segunda, teve destaque negativo por desequilíbrio emocional; na terceira, ficou com o vice-campeonato, caindo diante da Argentina, no Maracanã. Quando o Brasil foi em 2019, Neymar, cortado, não fez parte do elenco.
Zico x Neymar na seleção brasileira
- Jogos: 71 x 128
- Gols: 41 x 79
- Assistências: 21 x 58
- Títulos oficiais: 0 x 1
- Participações em Copa do Mundo: 0 x 0
- Jogos em Copa do Mundo: 14 x 13
- Gols em Copa do Mundo: 5 x 8
- Assistências em Copa do Mundo: 6 x 3










