Autor do segundo gol da vitória da seleção brasileira por 3 a 1 diante da Croácia, o atacante Igor Thiago revelou que teve receio em relação ao trabalho físico no início de sua trajetória no futebol europeu. Em entrevista à série Um Dia Com, da CazéTV, apresentada por Chico Moedas e Beltrão, o jogador do Brentford contou que temia perder uma de suas principais características: a velocidade.
“Minha genética familiar é muito forte. Então eu ficava com aquilo na cabeça: se eu fizer academia demais, vou virar outro jogador, vou ficar pesado. Não vou ter mais aquela vantagem de ser alto e rápido”, explicou.
Segundo o camisa 9, a desconfiança começou a mudar ao entrar em contato com uma nova metodologia de treinamento. “Cheguei aqui e os caras com outra perspectiva de trabalho. Falavam: ‘você vai ficar mais rápido e mais forte’. Mostravam vídeos de jogadores da NFL, gigantes e muito rápidos. E eu pensava: ‘não vou ficar assim, não’”, relembrou.
Com o tempo, no entanto, o atacante percebeu na prática a evolução física e técnica. “Foram seis meses ali na academia, trabalhando força e potência. E aí, realmente… técnica de corrida, coisas que eu achava exagero, fizeram diferença”, completou.

Igor Thiago ao lado de Chico Moedas e Beltrão – Reprodução/CazéTV
Hoje consolidado na Premier League, Igor Thiago destaca a importância do trabalho físico especializado como parte fundamental do seu desenvolvimento no futebol europeu.
O bom desempenho do jogador na Data Fifa de março rendeu elogios do técnico italiano Carlo Ancelotti, que afirmou ter ficado com mais dúvidas do que certezas no último teste antes da convocação final.
O 9 que pode ‘furar a fila’
Igor Thiago “furou a fila” dos concorrentes pela regularidade vivida com a camisa do Brentford nesta temporada. São 33 partidas disputadas, com 22 gols marcados e uma assistência.
Vice-artilheiro do Campeonato Inglês, o camisa 9 faz história como o maior goleador brasileiro em uma única edição da liga mais badalada do mundo, ultrapassando a marca antes dividida por Roberto Firmino, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli.
O hoje selecionável foi introduzido ao futebol pelo irmão mais velho, Maycon Richard Júnior, no projeto Grêmio Ocidental, liderado pelo pastor evangélico Sérgio Gonçalves, a quem chama carinhosamente de pai ou de Sergião. O trabalho desenvolvido por ele recebe crianças do “terceiro setor” no Distrito Federal.
Thiago iniciou no futsal aos oito anos, no projeto Grêmio Ocidental, e, pouco depois, começou a se destacar nos gramados, mas sofreu um baque no caminho com a perda precoce do pai, aos 13 anos.

Ao lado do técnico e ‘pai’, o pastor evangélico Sérgio Gonçalves – Arquivo pessoal
Sergião passou a cuidar de perto do pupilo e usou barreiras como a distância de nove quilômetros que separavam a casa em que morava, no bairro Dom Bosco, do campo de terra batida conhecido como “Terrão”, para incentivá-lo.
Ele percorria diariamente o trajeto andando ou correndo todos os dias, transformando a logística precária em treino de condicionamento físico. Pastor evangélico, o treinador de formação ainda aconselhava e acompanhava seu desempenho escolar.
Chegou a ser reprovado em testes no Athletico Paranaense, mas conseguiu chamar atenção se destacando no pequeno Verê-PR. Depois disso, acabou negociado com o Cruzeiro e, rapidamente, foi vendido ao Ludogorets-BUL. A rápida adaptação – e os gols – chamaram a atenção do Club Brugge. Foi campeão e artilheiro na Bélgica, com 29 gols e seis assistências, chegando ao Brentford.

Força física sempre foi a marca registrada do novo convocado, mesmo durante sua formação – Arquivo pessoal
A chegada à Premier League por 30 milhões de libras (R$ 216 milhões) teve um difícil começo devido a uma grave lesão no menisco, em julho de 2024, que comprometeu quase toda a primeira temporada. A volta por cima foi consolidada na atual temporada e pode chegar a seu ápice com a Copa.








