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Triste como um tango: a morte de Maradona

Diego Maradona nunca foi apenas um craque, o maior depois de Pelé — era uma síntese das fraquezas e das ambiguidades de nosso tempo

Por Fábio Altman6 min de leitura
DOIS EM UM - Contradições: um gênio no gramado, impossível de parar, e fora dele, humano, demasiadamente humano –
DOIS EM UM - Contradições: um gênio no gramado, impossível de parar, e fora dele, humano, demasiadamente humano –DPA

Diego Armando Maradona era uma metáfora da Argentina. Nasceu pobre na cidade de Lanús, num hospital chamado Evita Perón. Já milionário, com a arrogância autorizada apenas aos gênios que vieram muito de baixo, chegou a recusar uma Ferrari vermelha dada de presente pelos dirigentes de seu clube, o Napoli, avaliada em 400 000 dólares, apenas porque não tinha mudança de marcha. Não sabia dirigir carros automáticos. Em poucos dias, um novo veículo foi estacionado na porta de sua casa. Tal qual a Argentina, país de destinos trágicos como o de Evita, derrotada pelo câncer aos 33 anos, e de Carlos Gardel, morto aos 44 anos num acidente de avião, ele brincava com a morte e, paradoxalmente, não descia da torre de marfim. Nisso também era um argentino da gema, e a história ajuda a entender a postura autossuficiente que, se não é de todos, evidentemente, é palpável. Por volta de…

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