Há exatos 12 anos, em 29 de dezembro de 2013, Michael Schumacher, heptacampeão mundial de Fórmula 1, sofreu uma grave lesão cerebral ao bater a cabeça contra uma pedra enquanto esquiava em Méribel, nos Alpes Franceses. Desde então, o estado de saúde do ex-piloto alemão de 56 anos é um segredo que os familiares se esforçam para manter, o que também abre margem para especulações (e, claro, notícias falsas).
Quando se fala em lendas do esporte mundial, Schumi surge imediatamente como um dos maiorais do automobilismo. No entanto, o alemão que fez história na Ferrari nutria uma paixão intensa que corria paralela às pistas: o futebol. A relação do alemão com a bola não era apenas a de um espectador casual, mas a de um praticante dedicado e torcedor fervoroso.
Torcedor do Colônia
Nascido em Hürth, na Alemanha, Schumacher cresceu próximo à cidade de Colônia. Essa proximidade influenciou diretamente sua escolha clubística: ele era um torcedor declarado do Colônia (FC Köln), atual 11º colocado da Bundesliga.
Membro honorário do clube, o piloto foi visto diversas vezes nas arquibancadas do RheinEnergieStadion, apoiando a equipe, independentemente da fase que o time atravessava na Bundesliga. O clube sempre o tratou como um de seus maiores embaixadores, celebrando suas conquistas nas pistas como vitórias da própria cidade.
Bom de bola e de solidariedade
Engana-se quem pensa que a relação do alemão com o esporte se resumia a assistir aos jogos. Schumacher gostava de jogar futebol e por anos atuou de forma amadora pelo FC Echichens, time da Suíça, onde residia.
Relatos de colegas de equipe descreviam o piloto como um jogador veloz, em ótima forma física e com uma visão de jogo aguçada, atuando muitas vezes como meio-campista ou atacante.
Para além das ligas amadoras, Schumacher era a principal estrela da Nazionale Piloti, uma equipe formada por pilotos de corrida que disputava partidas beneficentes ao redor do mundo. A equipe vestia uma camisa quadriculada em preto e branco, em referência à bandeirada final das corridas.

Michael Schumacher com o Príncipe Albert, de Mônaco, em 1999 – Kay Nietfeld/picture alliance via Getty Images)
Schumacher participou de diversos eventos beneficentes no qual teve a oportunidade de dividir o campo com ícones do futebol mundial, como Ronaldo e Zinedine Zidane. A amizade com o Fenômeno, inclusive, rendeu momentos icônicos em jogos organizados pela ONU contra a pobreza.

No acervo de PLACAR, encontra-se uma menção sobre quando Ronaldo e Schumacher formaram dupla de ataque no Maracanã, em 2001.
Em outra oportunidade, Schumacher participou de uma evento do Criança Esperança na Vila Belmiro, na qual marcou um gol de pênalti e levou uma caneta de Robinho, então prodígio do Santos.
“Eu nunca penso muito em dar dribles. Eles aparecem pela necessidade do jogo. Não pensei em entrar em campo para driblar Schumacher”, afirmou Robinho à PLACAR de maio de 2003. Em entrevista à TV Globo, porém, Robinho avisou antes do jogo: “se vier de primeira, vai tomar caneta”.
Assista, abaixo:
Mistério sobre o quadro de Schumacher
Pouco se sabe sobre o quadro de saúde de Schumacher, 12 anos depois do acidente. Informações sobre sua recuperação são raras, e rumores de que ele teria comparecido ao casamento da filha, Gina Schumacher, no ano passado, foram desmentidos por amigos e familiares.
Nesta segunda, 29, Corinna Schumacher, sua esposa, disse sentir saudades do marido, em postagem no Twitter. “Sinto falta do Michael todos os dias. Mas não sou só eu que sinto falta dele. São as crianças, a família, o pai dele, todos ao redor dele. Todos sentem falta do Michael, mas o Michael está aqui – diferente, mas aqui. Ele ainda me mostra o quão forte ele é todos os dias.
Após o acidente no fim de 2013, Schumacher passou seis meses internado em Grenoble (França) e, depois de sair do estado de coma, passou três meses na cidade suíça de Lausanne, até ir para sua casa, em Gland, na Suíça, em 2014.
Michael Schumacher jamais foi fotografado desde o acidente e, segundo a família, deixou o coma induzido seis meses depois de sua internação.
Em 2019, sua esposa deu a entender que houve alguma melhora nas reações de Schumacher. “Grandes coisas começam com pequenos passos. Muitas partículas pequenas podem formar um enorme mosaico. Juntos, vocês são mais fortes, e é exatamente assim que as forças combinadas do movimento KeepFighting facilitam o incentivo a outras pessoas”, afirmou, citando um projeto em apoio ao ex-piloto.
Em outra rara entrevista, à revista She, Corinna agradeceu pelas mensagens de apoio e disse seguir o desejo do marido de manter as informações em sigilo. “Michael fez tudo por mim. Ele está nas melhores mãos possíveis, e estamos fazendo tudo para ajuda-lo”, completou.
Ironicamente, a notícia mais concreta sobre Schumacher foi dada em 2017, em resposta justamente a uma fake news. Um tribunal alemão condenou a revista alemã Bunte por ter publicado uma notícia falsa e “irresponsável” de que Schumacher teria “voltado a caminhar”, no que chamou de “milagre de Natal”. “Schumacher não pode andar hoje e é improvável que tenha conseguido na época”, informou o tribunal, que obrigou a publicação a pagar uma indenização de 50.000 euros à família de Schumacher.
A família enfrentou outros episódios de violação de privacidade. Um ex-segurança da família tentou vender material íntimo de Schumacher a outros criminosos, que foram condenados na Justiça alemã. “O que mais me choca é a quebra de confiança. Ele deveria receber uma punição que impedisse outros de fazerem o mesmo”, declarou a esposa Corinna após o julgamento.

Michel Schumacher, da Ferrari, no GP da Inglaterra de F1 – Lemyr Martins/PLACAR
Ao longo dos últimos anos, pessoas próximas à família deram algumas declarações sobre o ídolo mundial. Em 2018, o arcebispo alemão Georg Gänswein relatou, também à revista alemã Bunte, uma visita ao heptacampeão, em 2016. Segundo ele, Schumacher “consegue sentir as pessoas ao redor dele”.
“Sentei na frente dele, segurei as duas mãos e olhei para ele. Seu rosto é, como todos sabemos, o típico rosto de Michael Schumacher, só está um pouco mais cheio. Ele sente que pessoas amorosas estão ao seu redor, cuidando dele e, graças a Deus, afastando o público curioso demais. Uma pessoa doente precisa de discrição e compreensão.”, contou Gänswein.
No mesmo ano, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt, uma das poucas pessoas que tem acesso ao velho amigo, se recusou a comentar sobre seu estado de saúde. “É momento de deixar o Schumacher viver sua vida em paz”, respondeu Todt ao jornal argentino La Nación, sem dar maiores detalhes.
Outros foram mais pessimistas, como ex-presidente da Ferrari e amigo de Schumacher, Luca di Montezemolo. “Infelizmente, as notícias não são boas. A vida é mesmo muito estranha. Ele foi o piloto mais vencedor na Ferrari e teve apenas um acidente grave na carreira, em 1999, que foi culpa nossa e não dele. Infelizmente, um acidente de esqui arruinou sua vida”, disse Montezemolo, em tom emocionado, segundo os jornais italianos, em 2016.







