“Se tivesse VAR, não seria pênalti”, diz Pelé sobre o gol 1000
O passeio sentimental do ex-jogador àquela noite mostra como os grandes feitos são eternos — e como o Brasil pode piorar as coisas já ruins

Carlos Drummond de Andrade já tinha cantado as dores dos ombros que suportavam o mundo, escrevera sobre João que amava Teresa que amava Raimundo, tratara de José, para quem a festa acabara — e então se aproximou o gol 1 000 de Pelé. Numa crônica de 28 de outubro de 1969, publicada no Jornal do Brasil, Drummond escreveu: “O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé”. Um poeta, o maior deles, lidando com futebol? Passados cinquenta anos, difícil mesmo é medir a relevância estrondosa daquela marca, estabelecida em 19 de novembro, uma quarta-feira, às 23h23 — um mísero golzinho, de pênalti, celebrado no Brasil com a mesma pompa e circunstância que o planeta oferecera à chegada do homem à Lua, exatos quatro meses antes? O milésimo representava o apogeu do rei do futebol, o selo definitivo de mito, antes ainda da…
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