“O que me machuca é o preconceito no olhar”, diz ex-jogador Tinga
O ex-atleta, de 41 anos, admite pessimismo depois dos recentes episódios de racismo no futebol europeu

Tenho sempre muito cuidado ao falar sobre o racismo — não que seja um assunto sem relevância, ao contrário. Dada a importância do tema, da gravidade do preconceito, é preciso expô-lo com cautela, embora com firmeza. Se eu fosse tratar de casos específicos, como os do fim de semana na Europa (os brasileiros Taison e Dentinho, do Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, foram xingados no domingo 10), teria de me pronunciar permanentemente. É uma chaga, é horrível, mas não me considero militante de nada. As pessoas é que me veem assim, provavelmente pela minha maneira de ser, ao relatar o que vivi e o que amigos meus sofreram. Confesso que não sentia a violência do racismo quando era pequeno. Na infância, é tudo alegria. Mesmo quando você passa fome. O que incomodava mais era a questão social. Sentia vergonha de ir a um shopping, porque não tinha a roupa adequada. Mas…
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