Geovani Silva, ídolo do Vasco da Gama apelidado de “Pequeno Príncipe”, morreu nesta segunda-feira, 18, aos 62 anos, vítima de uma parada cardíaca. A informação foi confirmada por familiares do ex-jogador nas redes sociais.
Ele chegou a ser socorrido e levado a um hospital em Vila Velha, no Espírito Santo, mas não resistiu. Ainda de acordo com a família, Geovani passou mal de forma repentina durante a madrugada e não resistiu às tentativas de reanimação.
O corpo do ídolo cruz-maltino será velado em Vila Velha nesta terça-feira, 19, seguido de sepultamento no Parque da Paz.
Geovani enfrentava problemas de saúde nos últimos anos. Em 2006, foi diagnosticado com polineuropatia, uma disfunção simultânea de vários nervos periféricos por todo o organismo. Também teve complicações cardíacas e um câncer na coluna. O ídolo do Vasco deixa três filhos.

Geovani, jogador da Seleção Brasileira de Futebol (Rodolpho Machado/Placar)
Quem foi Geovani, o “Pequeno Príncipe”
Nascido em Vitória (ES), um dos grandes nomes do futebol capixaba foi revelado pela Desportiva Ferroviária e chegou ainda jovem ao Vasco, em 1981. Em São Januário, se consagrou em três passagens, com 49 gols em 408 jogos, e cinco Campeonatos Cariocas conquistados (1982, 1987, 1988, 1992 e 1993).
O meia atuou ao lado de Roberto Dinamite e Romário em uma marcante geração do Vasco. Também se destacou na seleção brasileira desde as categorias de base. Foi campeão do Mundial Sub-20 de 1983, torneio do qual foi artilheiro com seis gols e autor do gol do título na final contra a a Argentina.

Capa da revista Placar, edição 890, 22 de junho de 1987.
Em 1988, foi um dos destaques na conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, na qual o Brasil de Taffarel, Romário, Bebeto e outros craques foi derrotado pela União Soviética.
Geovani também integrou o elenco campeão da Copa América de 1989, disputada no Brasil, mas não disputou Copas do Mundo. O jogador ainda teve passagens pelo Bologna, da Itália e encerrou a carreira em clubes de seu estado, como Rio Branco, Desportiva, Serra, Tupy e Vilavelhense. Aposentado, fez carreira na política e foi deputado estadual no Espírito Santo entre 2002 e 2006.

Geovani, do Brasil, comemorando gol durante jogo nas Olimpíadas de Seul (Pedro Martinelli/Placar)
Do acervo: Geovani, o craque do ano de 1988
Geovani foi atração de diversas páginas e reportagens de PLACAR. Em 1988, foi eleito como o Craque do Ano em eleição com torcedores e jornalistas promovida pela revista. A reportagem destacava que sua camisa 8 era a mais procurada pelos torcedores na loja do Vasco, mais até do que a 10 de Roberto Dinamite.
O Pequeno Príncipe do Vasco terminou a eleição com 2318 pontos, contra 2.199 e Taffarel, então goleiro o Inter, e 2.008 de Careca, do Napoli. Romário (PSV) e Bebeto (Flamengo), completaram o top 5 daqueleano.
Naquele ano, Geovani conquistou a Taça Rio e o bicampeonato carioca pelo Vasco. Com a seleção, foi vice-campeão olímpico em Seul e conquistou a Copa das Nações, nos EUA, e o Torneio Bicentenário da Austrália. Foi eleito o terceiro melhor jogador das Américas, atrás dos uruguaios Ruben Páz e Hugo de León. Confira um trecho da reportagem:
“Foi o melhor ano da minha vida”, vibra o jogador. Em doze meses, ele acredita, conseguiu acabar com a imagem negativa que o perseguia desde 1981, quando chegou ao Vasco. Falava-se que Geovani era relapso na marcação. Dizia-se também que permanecia emocionalmente imaturo. “Agora ninguém vem mais com essas histórias”, alegra-se.
Na ocasião, mais atualizado as tendências da época, dizia já estar experimentando “a moda europeia”, dando pistas da transferência que estava prestes a chegar. Em 1989, Geovani trocou o Vasco pelo Bologna, da Itália, o que o tirou do elenco que conquistaria o título brasileiro daquele ano.











