Se os torcedores italianos choram um novo fracasso da Azzura, fora da Copa do Mundo pela terceira vez seguida, um brasileiro só tem motivos para comemorar pelos lados de Milão. O atacante Luis Henrique, de 24 anos, revelado pelo Botafogo, vem se destacando pela Inter, logo em sua primeira temporada pela equipe que lidera a Série A.

A ida à Itália se deu depois de quatro temporadas de sucesso pelo Olympique de Marselha, da França, de 2020 a 2025 (intercaladas por um retorno por empréstimo ao Botafogo). Vendido por 22 milhões de euros (mais de 130 milhões de reais pela cotação atual), o atleta natural de João Pessoa (PB) já se sente plenamente adaptado ao Calcio, inclusive à posição de ala.

“Em Marselha, mesmo como ala, eu jogava mais solto, mais avançado. Aqui na Inter eu participo mais da construção, da saída de bola. No começo foi mais difícil, mas com sequência de jogos fui me adaptando. Hoje me sinto bem mais confortável e evoluindo”, contou Luis Henrique, em entrevista à PLACAR.

Luis Henrique. Botafogo x Internacional pelo Campeonato Brasileiro - Vitor Silva/Botafogo

Luis Henrique durante passagem pelo Botafogo – Vitor Silva/Botafogo

“No começo tive receio, pela parte defensiva, porque eu era um atacante que não ajudava tanto na marcação (risos). Agora é algo que venho trabalhando diariamente”, completou o atleta que ganhou a confiança do técnico Christian Chivu. Ele já disputou 36 jogos na temporada, mais da metade como titular, e contribuiu com um gol e três assistências.

“Tem partidas em que o treinador pede algo específico, como ficar mais alto para pressionar. Em outras, ele dá mais liberdade e pede mobilidade”, explica. A Inter de Milão lidera o Campeonato Italiano com 69 pontos, seis a mais que o rival Milan, após 30 rodadas. 

Versátil e cada vez mais maduro, Luis Henrique se permite sonhar com o próximo ciclo de Copa do Mundo, em 2030. “É um sonho. Estou em um clube que dá visibilidade, então depende muito do meu desempenho no dia a dia. Sei que para essa Copa é difícil, mas penso no próximo ciclo. Quero estar preparado. É uma responsabilidade enorme representar o Brasil.”

Confira os trechos da entrevista com Luis Henrique sobre Inter de Milão

Como está a adaptação à Inter de Milão? Dentro de campo tem sido como esperado. O primeiro ano é sempre de adaptação. Acho que tenho me dado bem com os outros jogadores, fui muito bem recebido. É bom que já tinha um brasileiro [Carlos Augusto] também no clube, isso me ajudou muito. Fora de campo também tem sido muito fácil. A Itália é um país que gostei, até mais do que a França. Foi mais fácil me adaptar à comida, às pessoas, que são mais calorosas. Está sendo uma experiência muito boa.

Rio de Janeiro, sul da França e agora Milão… não está mal, né? Não, nada mal (risos). 

Muita gente fala da liga italiana como uma liga muito tática, principalmente difícil para atacantes. Você sentiu essa diferença? Sim, com certeza. Antes de vir para cá, eu já treinava com dois treinadores italianos [Gattuso e De Zerbi], então já sentia isso. Sempre treinamos muito a parte tática. Quando surgiu a possibilidade de vir, o staff já me avisou que seria ainda mais tático, e é verdade. Você sente que os times são muito bem treinados nesse aspecto. É muita marcação “homem a homem”, e isso faz bastante diferença.

E como você treina e melhora esse olhar tático? É preciso ter uma percepção diferente durante o jogo? Na Inter trabalhamos muito com vídeo. Sempre assistimos antes dos treinos e dos jogos. Treinamos baseado nisso: dividimos em duas equipes, uma simula o adversário. É muito trabalho em cima de análise. Cada jogo exige uma abordagem tática diferente, principalmente nas jogadas, mesmo mantendo a mesma formação.

Existe liberdade para sair do roteiro durante o jogo ou é tudo muito engessado? Depende muito do jogo. Tem partidas em que o treinador pede algo específico, como ficar mais alto para pressionar. Em outras, ele dá mais liberdade e pede mobilidade.
Dentro do jogo, conseguimos ter uma certa liberdade, mas sempre respeitando o plano.

Você passou por uma mudança de posição, de ponta para ala. Como tem sido isso na Inter? Essa mudança começou ainda no Olympique de Marselha. Comecei jogando como ponta, como conhecemos no Brasil. No meio da temporada, o De Zerbi conversou comigo, disse que precisava de mim em outra função. Fizemos um jogo assim, encaixou muito bem e terminei a temporada nessa posição.

Em  Marselha, mesmo como ala, eu jogava mais solto, mais avançado. Aqui na Inter eu participo mais da construção, da saída de bola. No começo foi mais difícil, mas com sequência de jogos fui me adaptando. Hoje me sinto bem mais confortável e evoluindo.

Teve receio no início? Sim, pela parte defensiva, porque eu era um atacante que não ajudava tanto na marcação (risos). Agora é algo que venho trabalhando diariamente. Tenho que evoluir, ouvir os companheiros, principalmente na parte defensiva. No geral está sendo tranquilo.

Como é o ambiente no vestiário? Eu sou mais próximo do Carlos [Augusto], que me ajudou muito desde que cheguei. Mas também tenho uma boa relação com o Lautaro, que me recebeu muito bem. Ele até mandou mensagem quando estava tudo certo. É um cara que brinca bastante e tenta falar português.

Rola essa conexão Brasil-Argentina? Sim, com certeza. Já tinha essa proximidade com argentinos desde o Marseille, com o Rulli e o Balerdi. Aqui também converso bastante com italianos, como o Frattesi e o Zielinski. A gente acaba ficando nesse grupo, nessa resenha.

O próximo passo é a seleção brasileira? Com certeza. É um sonho. Estou em um clube que dá visibilidade, então depende muito do meu desempenho no dia a dia. Sei que para essa Copa é difícil, mas penso no próximo ciclo. Quero estar preparado. É uma responsabilidade enorme representar o Brasil.