O futebol turco vive um dos momentos mais sombrios de sua história recente. Em uma operação coordenada nesta sexta-feira, 26, a Procuradoria-Geral de Istambul ordenou a prisão de 29 novos suspeitos envolvidos em um esquema bilionário de apostas ilegais e manipulação de resultados. Entre os alvos está Erden Timur, ex-vice-presidente do Galatasaray, um dos clubes mais populares do país. A informação é da emissora NTV.

A força-tarefa cumpriu mandados em 11 províncias simultaneamente. Segundo balanço divulgado pela NTV e pela Daily Sabah, das 29 ordens de prisão, 24 já foram executadas. Um dos suspeitos já se encontrava preso por outros crimes, e quatro seguem foragidos.

A investigação utiliza dados cruzados do Conselho de Investigação de Crimes Financeiros (MASAK) e análises de tráfego telefônico (HTS). As autoridades focam em partidas específicas da temporada 2024/25, com destaque para o jogo entre Kasımpaşa e Samsunspor, realizado em outubro de 2024, onde seis suspeitos teriam lucrado com informações privilegiadas que influenciaram o resultado.

A crise no futebol do país começou a ganhar corpo em outubro de 2025. Entre os detidos em fases anteriores estão nomes como Mert Hakan Yandas (Fenerbahçe) e Metehan Baltaci (Galatasaray).

Galatasaray é uma das atrações dos playoffs da Champions - EFE/EPA/ERDEM SAHIN

Galatasaray é uma das atrações dos playoffs da Champions – EFE/EPA/ERDEM SAHIN

Baltaci é suspeito de apostar em jogos da sua própria equipe, enquanto Yandas teria utilizado terceiros para mascarar as operações.

Em novembro, a Federação Turca de Futebol (TFF) suspendeu 149 árbitros e assistentes. Uma auditoria revelou que 65% dos juízes em atividade possuíam contas em sites de apostas. Um árbitro chegou a registrar a marca de 18.227 apostas realizadas.

O ex-árbitro e comentarista de TV Ahmet Cakar e o presidente do Eyupspor, Murat Ozkaya, também foram presos por suposta participação no esquema. Para tentar estancar a crise, a TFF adotou medidas drásticas que paralisaram as divisões inferiores e removeram centenas de profissionais do mercado.

O presidente da Federação Turca, Ibrahim Hacıosmanoğlu, descreveu a situação como uma “crise moral profunda”. A investigação sugere que o esquema não se limitava a apostas simples, mas envolvia uma rede complexa de uso de informações internas para lucro financeiro que distorcia a competitividade da Süper Lig e de ligas regionais.