Claudio Carsughi, lenda do jornalismo esportivo brasileiro, morreu nesta quinta-feira, 10, aos 93 anos. A informação foi divulgada pela filha, Claudia Carsughi. O jornalista estava internado com uma infecção respiratória.
“Meu pai acabou de partir depois de 27 dias lutando contra uma infecção respiratória. Ele agora está em paz junto aos nossos antepassados. Pedimos aos fãs que orem por ele”, escreveu Claudia.
Carsughi nasceu em Arezzo, na Itália, em 1932, e se mudou para o Brasil em 1946. Com 13 anos, o jornalista passou a acompanhar a seleção brasileira durante a Copa de 1950, como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport. Comentarista esportivo e engenheiro, Carsughi se notabilizou na cobertura do automobilismo e do futebol.
No rádio, sua principal área profissional durante os mais de 60 anos de carreira, o jornalista atuou na Rádio Cultura de Poços de Caldas e na Rádio Panamericana, que mais tarde se tornaria a Jovem Pan.

O comentarista esportivo Claudio Carsughi durante apresentação à imprensa do novo motor da montadora Ford, em Taubaté, no Vale do Paraíba, (interior de SP), nesta sexta-feira. (Foto: Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress)
No impresso, Carsughi atuou no Jornal da Tarde e em PLACAR, além de colaborar com jornais estrangeiros como o Tuttosport e La Stampa. Entre 1974 e 1990, comandou os testes e avaliações técnicas de veículos da revista Quatro Rodas.
Torcedor da Fiorentina, Carsughi gostava de viajar todos os anos para a Toscana, região da Itália onde nasceu.
No ano passado, Carsughi foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em reconhecimento à sua contribuição ao jornalismo e ao automobilismo brasileiro.
Carsughi no Acervo de PLACAR
O nome de Claudio Carsughi aparece nas páginas do acervo de PLACAR pela primeira vez no início dos anos 1970, na área de “Documentação” (Dedoc), ao lado de Juca Kfouri.
O jornalista italiano também apareceu em diversas páginas da revista como um colaborador eventual, em comentários sobre automobilismo e futebol.
No texto abaixo, Carsughi comentou desde a suspensão de Ayrton Senna, após o GP do Japão em 1989, até a transferência de Sócrates para o futebol italiano, em 1984.

Carsughi nas páginas de PLACAR – Acervo PLACAR
Em uma reportagem na edição nº 673, de 15 de abril de 1983, Carsughi falou de seu amor pela Fiorentina:
A confiabilidade do rádio é, nessas horas, insuperável. ‘Não ando nunca com meu receptor’, relata Cláudio Carsughi, comentarista de futebol da Jovem Pan, de São Paulo, e editor-técnico da revista Quatro Rodas, referindo-se ao imenso aparelho de 11 faixas por meio do qual acompanha seu time do coração: a Fiorentina, da Itália, onde nasceu. No prédio em que reside, Carsughi conseguiu até uma autorização especial do condomínio para instalar no terraço uma gigantesca antena que lhe permite captar melhor as transmissões europeias (além dos jogos, ele faz questão de ouvir também os noticiários). ‘Fico muito melhor informado’, explica Carsughi. ‘Pelos jornais, só saberia das coisas dias depois.’
A própria carreira de comentarista esportivo de Carsughi começou em função disso. Correspondente de um jornal italiano no Brasil, ele frequentava os estúdios da Pan, por volta de 1952, para ouvir os jogos da Fiorentina nos potentíssimos aparelhos da emissora. Em retribuição à cortesia, ao sair, sempre deixava anotados os resultados do Campeonato Italiano. Aos poucos, criou amizades. E virou funcionário também.





