A Copa do Mundo de 2026 será a maior de todos os tempos, pelo menos no que diz respeito a duração e número de participantes. A primeira edição com 48 seleções jogando em três países-sede (Canadá, Estados Unidos e México), durante cinco semanas, casa perfeitamente com a ambição da Fifa de tornar o que já era o principal evento de futebol do planeta em algo ainda mais emblemático. O discurso oficial celebra um torneio inclusivo, mas, na prática, percalços travam o caminho.
Matéria publicada originalmente na edição 1531, de janeiro de 2026, de PLACAR. Disponível em versão digital e física em nossa loja oficial no Mercado Livre.

Carlo Ancelotti é atração de capa da PLACAR 1531, de janeiro de 2006
Há três países-sede, é verdade. Haverá músicas-tema em espanhol, francês e inglês, e a bola Trionda levará as cores que representam cada nação (verde para o México, vermelho para o Canadá e azul para os EUA). Mas basta uma olhada atenta à tabela da página xx, para perceber que esta é uma Copa muito mais estadunidense do que norte-americana. Os vizinhos ajudam a dividir as despesas e, no caso dos mexicanos, a dar um colorido e tradição especiais. Dos 104 jogos no torneio, apenas 26 serão fora dos EUA. A abertura entre México e África do Sul será no Estádio Azteca, palco das finais de 1970 e 1986, que coroaram Pelé e Maradona. Já a final será em New Jersey, no Metlife, famoso lar da NFL.
A cumplicidade entre o mandatário da Fifa, Gianni Infantino e o presidente americano Donald Trump, com encontros públicos, rasgadas trocas de elogios e quebras de protocolo mostram que a Fifa busca proteção em meio a um cenário geopolítico delicado. O dirigente deixou, por exemplo, que o republicano tocasse na Copa do Mundo, privilégio reservada apenas a campeões. “Ele é um vencedor”, bajulou o ítalo-suíço. Mas nada exemplifica mais a submissão de Infantino do que a bizarra criação de um Prêmio da Paz entregue no dia do sorteio dos grupos, em Washington. “É uma das grandes honras da minha vida”, afirmou Trump, que passou meses fazendo campanha para si mesmo na disputa pelo Nobel da Paz. A vitória de María Corina Machado foi abertamente criticada pela Casa Branca. Ironicamente, ela é líder da oposição à ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela, combatida por Trump com chocantes e nada pacíficas explosões de barcos de supostos narcotraficantes.







