Zohran Mamdani foi eleito prefeito da cidade de Nova York na última terça-feira, 4, e com isso quebrará uma série de barreiras nos Estados Unidos. Aos 34 anos, o candidato democrata que se identifica como socialista será o primeiro prefeito muçulmano e nascido na África. Será também um dos governantes mais identificados com o futebol — ou soccer, como chamam os americanos.
Mamdami nasceu em Campala, em Uganda, filho de pai ugandense e mãe indiana. Conforme lembra o perfil Copa Além da Copa no X (antigo Twitter), o novo prefeito de NY talvez seja o primeiro líder político dos EUA a ter o futebol como esporte preferido.
Ele falou sobre sua relação com o esporte em entrevista ao podcast podcast Football Weekly do diário britânico Guardian, e foi bastante crítico à Fifa no que diz respeito ao preço dos ingressos da próxima Copa do Mundo, que será disputada nos EUA, no Canadá e no México.
“Eu não acredito que o futuro do futebol pode ser construído com a exclusão do direito da classe operária de ir ao estádio”, afirmou Mamdami, cuja campanha foi centrada em como reduzir o custo de vida da cidade.
“Há muito tempo que me incomoda a forma como os supostos responsáveis pelo futebol têm optado repetidamente pelo lucro em detrimento das pessoas que amam este esporte”, prosseguiu.
Mamdami contra os preços dinâmicos dos ingressos
Mamdami foi extremamente crítico à política de ingressos da Fifa para a Copa do Mundo de 2026, cuja final será sediada no MetLife Stadium, na vizinha New Jersey. Além de caros, os ingressos seguem a lógica dos preços dinâmicos, variando de acordo com a demanda.
O candidato lançou a campanha Game Over Greed (Fim de jogo para a ganância), que pedia o fim dessa política, além da definição de valores máximos pros ingressos e cotas de ingressos com desconto pros moradores das cidades-sede.
Segundo ele, a Fifa viu na Copa do Mundo na América do Norte a “perspectiva de aumentar suas receitas em quase 400% em comparação com o que tiveram no Catar.”
Ao Guardian, em entrevista publicada em setembro, Mamdani recorreu à história da própria Copa do Mundo, ressaltando que a última vez que o torneio masculino foi realizado nos Estados Unidos, em 1994, os ingressos podiam ser adquiridos por menos de 200 dólares.
No evento que sacramentou o tetracampeonato do Brasil, a Fifa estabeleceu o preço mínimo do ingresso em 25 dólares (equivalente a cerca de 56 dólares em 2025), com o ingresso mais caro para a final custando 475 dólares (equivalente a cerca de 1.000 dólares ou 5.300 reais em 2025).
A Fifa anunciou que os preços dos ingressos para os jogos da fase de grupos em 2026 começariam em 60 dólares (cerca de 320 reais) e chegariam a 6.730 dólares (mais de 35.000 reais) para o melhor lugar na final, mas esses são os valores antes da entrada em vigor da precificação dinâmica, e portanto podem aumentar.
“Acho que ainda há muita gente que nem sequer ouviu falar dessa afronta ao jogo. E tenho esperança de que, só nas últimas horas desde que lançamos isso, milhares de pessoas já tenham se inscrito e que vamos continuar a defender essa causa”, afirmou o político socialista, que conseguiu derrotar figuras proeminentes da política americana, como o ex-governador de Nova York, Andrew Cuomo.
Ele comparou a sua trajetória a uma das maiores façanhas da história do futebol. “É uma campanha que começou com 1%. Talvez, se eu tivesse que caracterizá-la em termos de uma recente zebra, talvez esta seja a Leicester City [campeão da Premier League em 2016].”, disse, ainda antes de ser eleito.
Para que time o prefeito de Nova York torce?
Na entrevista ao Guardian, Mamdani contou ser um fã de futebol de longa data e torcedor do Arsenal desde a infância em Uganda. Ele Ficou fascinado especialmente pela geração dos Invencíveis de 2003-04, campeões invictos da Premier.
“Arsène Wenger foi um dos primeiros treinadores a trazer vários jogadores africanos para a equipe”, relembrou Mamdani. “E algumas das minhas primeiras lembranças são de Kanu, de Lauren, de Kolo Touré, de Emmanuel Eboué, Alex Song… isso tem sido uma parte real da minha vida e da minha identidade, e também da minha vontade de acreditar que este é o ano e esta é a temporada. É uma boa preparação para ser um socialista democrático.”
O clube londrino é bastante identificado com a comunidade de imigrantes negros da cidade, conforme mostrou reportagem do Peleja.
Mamdani reconheceu a possibilidade de, como prefeito de Nova York, poder comparecer à final da Copa do Mundo de 2026, onde se sentaria perto do presidente Donald Trump, republicano e um de seus maiores rivais políticos.
Mamdani disse ainda que espera que o presidente americano seja vaiado, como aconteceu na final masculina do US Open e também no Mundial de Clubes vencido pelo Chelsea.
“Nenhuma censura, por mais rigorosa que seja, poderá silenciar a reação das pessoas ao verem este presidente pessoalmente, porque estamos falando de alguém que já está atacando o próprio tecido da vida nesta cidade”, disse ele. “Será um lugar onde defenderei, repetidas vezes, os nova-iorquinos da classe trabalhadora que estão sendo deixados para trás.”
Trump tem relação cada vez mais próxima com Gianni Infantino, o presidente da Fifa, que chegou a inaugurar um escritório da entidade na Trump Tower, em Nova York.

Donald Trump e a primeira-dama americana Melania Trump, com Gianni Infantino e sua esposa, Leena Al Ashqar, na final do Mundial de Clubes – EFE/EPA/JUSTIN LANE










