A torcida coloriu em verde, branco e vermelho uma noite inesquecível para o futebol mexicano no Estádio Azteca, na classificação da seleção local para as oitavas de final da Copa do Mundo. Mas o que começou com apoio às vítimas dos terremotos na Venezuela, logo mudou para um famoso grito homofóbico contra o goleiro adversário.
O protocolo da partida já havia sido iniciado, com as equipes perfiladas no gramado, quando um locutor puxou o canto de “não estão sozinhos” que rapidamente foi repetido por todo o estádio. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, que estava em um dos camarotes do estádio, acompanhou as 80.824 pessoas com palmas e o coro em espanhol.

Desde o último 24 de junho, a Venezuela vem sofrendo com os efeitos de dois grandes terremotos (7,3 e 7,5 de intensidade) e outro menor (4,6). Autoridades dizem que mais de 1.900 pessoas morreram.
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Explicações e origem do grito
O gesto contrastou rapidamente com o primeiro tiro de meta cobrado pelo goleiro equatoriano Hernán Galíndez assim que a bola começou a rolar. Foi o camisa 1 se preparar para a cobrança que vieram os velhos gritos de “Oooo… Puto”, um insulto homofóbico.
O futebol americano, também popular entre os mexicanos, tem um grito parecido no chute inicial. Por lá, imita-se o som do pé do jogador chutando a bola em algo como “Ehhhh… Pum”. Daí a associação em espanhol com o xingamento.
Se por um lado há quem justifique que o grito, nascido nos anos de 1990 e, em tese, popularizado pelos torcedores do Atlas, a própria Federação Mexicana de Futebol sofreu com multas pesadas da Fifa nos últimos anos. Mais do que isso, teve de prometer à entidade a criação de campanhas de conscientização dos torcedores.
Conscientização e artificialidade
Na última vez em que foi multada, a federação mexicana pagou 170 mil dólares pelo grito de torcedores na partida amistosa entre Gana e México, antes da Copa do Mundo. O TAS (Tribunal Arbitral do Esporte) entendeu, como sempre faz nesses casos, que foi uma “ação coletiva e não individual”.
O problema se arrasta há anos e, mais recentemente, a Liga MX chegou a adotar meios artificiais para abafar o som dos torcedores na reposição de bola. Um som altíssimo invadia as caixas de som do estádio para dar a ideia de normalidade.
Na partida de abertura da Copa do Mundo, entre África do Sul e México, o grito não foi ouvido. No entanto, em maior ou menor intensidade, os insultos voltaram nas partidas seguintes e ganhou maior proporção na classificação contra o Equador.
A Fifa ainda não comentou o mais recente caso.











