O início do conflito armado entre Estados Unidos e Irã deve afetar diretamente a Copa do Mundo, que será disputada em solo americano (junto a México e Canadá). Já classificada, a seleção iraniana cogita boicotar o torneio, o que poderia liberar uma nova vaga na fase de grupos.

Além disso, levanta-se o debate sobre a viabilidade da realização da competição na atual sede. Isso, pois, embora a entidade máxima do futebol frequentemente pregue a neutralidade política, os fatos históricos demonstram que o Mundial sempre foi sensível às turbulências do cenário internacional.

Desde o cancelamento de edições inteiras até o banimento de potências militares, o torneio carrega as condições externas do mundo no momento.

O hiato da Segunda Guerra Mundial

O caso mais extremo de interferência externa na história das Copas foi o cancelamento das edições de 1942 e 1946. Após o sucesso do torneio na França em 1938, a Alemanha nazista e o Brasil chegaram a se candidatar para receber o evento seguinte. No entanto, a escalada da Segunda Guerra Mundial em 1939 tornou a realização de qualquer evento esportivo internacional inviável.

Guerra parou o futebol e impediu os mundiais de 1942 e 1946 -

Guerra parou o futebol e impediu os mundiais de 1942 e 1946 – Reprodução

Durante esse período, o troféu Jules Rimet, símbolo da conquista mundial, teve que ser escondido. O vice-presidente da Fifa na época, o italiano Ottorino Barassi, retirou a taça de um banco em Roma e a escondeu dentro de uma caixa de sapatos debaixo sua cama para evitar que fosse confiscada pelas tropas nazistas durante a ocupação.

O pós-guerra e o Apartheid

Quando o futebol mundial tentou retomar a normalidade com a Copa de 1950, realizada no Brasil, as consequências da guerra ainda eram visíveis. A e a foram proibidas de participar do torneio devido aos seus papéis no conflito recém-encerrado.