O Brasil se despediu da Copa do Mundo no último domingo, após derrota para a Noruega, e a eliminação podem influenciar o comportamento financeiro dos consumidores. Segundo especialistas, aumentam as compras por impulso e à contratação de crédito sem o devido planejamento. Em muitos casos, essa combinação pode resultar em endividamento e na incidência de juros abusivos.
Segundo o advogado Bruno Medeiros Durão, especialista em juros abusivos e presidente do Durão, Almeida e Pontes Advogados Associados, decisões financeiras tomadas em momentos de forte emoção costumam ser mais arriscadas.

“Quando o consumidor está emocionalmente abalado, ele tende a buscar compensações imediatas, como viagens, compras ou experiências de lazer. O problema é que, muitas vezes, essas despesas são financiadas por meio do cartão de crédito, empréstimos pessoais ou cheque especial, modalidades que podem ter custos extremamente elevados”, explica.
O especialista destaca que a facilidade de acesso ao crédito não deve ser confundida com segurança financeira. “Hoje, basta alguns cliques para contratar um empréstimo ou aumentar o limite do cartão. Essa praticidade faz com que muitas pessoas aceitem contratos sem analisar as taxas de juros, o Custo Efetivo Total (CET) e outras condições importantes. É justamente nesse cenário que surgem situações de endividamento excessivo e, em alguns casos, cobranças de juros abusivos”, afirma.
O levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil mostra que 62% dos brasileiros já realizaram compras não planejadas pela internet, e 35% afirmam ter se endividado ou atrasado pagamentos por causa desse tipo de consumo, entre eles, 20% apontam o cartão de crédito como principal responsável.
O advogado recomenda que qualquer decisão envolvendo crédito seja tomada apenas após uma avaliação cuidadosa da real necessidade da contratação. “A emoção passa, mas a dívida permanece. Antes de contratar qualquer modalidade de crédito, é importante comparar taxas entre instituições, verificar o valor final que será pago e avaliar se aquela parcela realmente cabe no orçamento. Alguns minutos de análise podem evitar anos de dificuldades financeiras”, orienta.









