A anulação do cartão vermelho de Folarin Balogun continua causando polêmica nesta Copa do Mundo. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu um telefonema do presidente americano Donald Trump no caso, mas disse que não houve influência do amigo na decisão. Trump acusou o árbitro envolvido na expulsão de Balogun, o brasileiro Raphael Claus, de ter um histórico “suspeito” e foi respondido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta segunda-feira, 6.
No último domingo, 5, o Comitê Disciplinar da Fifa anunciou a suspensão do cartão vermelho aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus a Folarin Balogun. O camisa 20 dos EUA havia sido expulso após pisão no zagueiro bósnio Tarik Muharemovic, em partida válida pelos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026.

Com a decisão, Balogun pode atuar pelo Estados Unidos na partida contra a Bélgica, na noite desta segunda-feira, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Folarin Balogun, em ação pelos EUA (Reprodução/Instagram/balogun)
Infantino admite telefonema de Trump
Gianni Infantino, presidente da Fifa, admitiu ter recebido um telefonema de Donald Trump e ter conversado sobre o caso, mas negou que o presidente estadunidense tenha interferido na decisão. Em nota oficia, Infantino afirmou que o Comitê Disciplinar da entidade agiu de forma independente.

Nota de Infantino:
“Vi os comentários públicos sobre a decisão do Comitê Disciplinar independente da FIFA em relação à suspensão de Folarin Balogun e gostaria de reiterar um princípio fundamental da governança da FIFA.
Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles atuam com autonomia, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado.
Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o Presidente dos Estados Unidos e, sobre este caso, recebi de fato uma ligação do Presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, partes interessadas do futebol e executivos de todo o mundo sobre diversas questões. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido no momento oportuno pelos órgãos competentes. É assim que funciona o sistema da FIFA, e esse é um princípio que sempre defenderei.
Leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA assim que são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes concordo, e às vezes discordo.
Trump critica Raphael Claus: ‘Suspeito’

‘Se o Gianni disse isso, estou de acordo’, diz Trump – Aaron Schwartz/EFE
O presidente Donald Trump confirmou que pediu a suspensão do cartão vermelho de Balogun à Infantino, mas disse que não teve influência direta na decisão.
“Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta. Eu não disse à Fifa o que fazer. O comitê tomou a decisão certa. É injusto excluir um dos melhores jogadores dos EUA”, afirmou.
O mandatário também criticou a atuação de Raphael Claus no lance, dizendo que o árbitro é “suspeito”.
“Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele… Eu não quero dizer isso, porque não gosto de criar polêmica, mas muito suspeito, como se eu pudesse te mostrar o histórico. Ele fez uma marcação que ninguém conseguiu acreditar, sabe? Até pessoas do outro lado”, completou.
CBF sai em defesa de Claus

Raphael Claus, árbitro brasileiro na Copa do Catar –
Em nota enviada ao ge, a CBF defendeu Claus das acusações de Trump, afirmando que o árbitro é “reconhecido mundialmente como um dos melhores árbitros em atividade”.
Nota da CBF
“Raphael Claus integra o quadro de árbitros profissionais da CBF, é reconhecido mundialmente como um dos melhores árbitros em atividade e possui uma trajetória marcada por excelência técnica, conduta ética e absoluto respeito ao futebol.
Não há, em todo o seu histórico, qualquer elemento que o desabone ou que sustente qualquer tipo de suspeita.
A CBF refuta qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade de Raphael Claus. Trata-se de um profissional exemplar, cuja carreira é amplamente respaldada por avaliações técnicas, desempenho consistente e confiança das principais competições nacionais e internacionais.
A CBF reafirma seu compromisso com a verdade, com a transparência e com a defesa intransigente de seus profissionais”.
Protestos da Bélgica
Os protestos da Bélgica com relação à decisão começaram com ironias do técnico Rudi Garcia em entrevista coletiva: “Eu não sabia que na Copa do Mundo o dia 5 de julho é na verdade o 1º de abril. É brincadeira de 1º de abril”.
A federação de futebol do país também se posicionou repudiando a anulação do cartão do atacante americano, se dizendo estar “atônita” com a decisão.
Comunicado da federação belga
”RBFA está atônita com a decisão da FIFA de declarar elegível o jogador americano suspenso Folarin Balogun para jogar na partida EUA–Bélgica de segunda-feira, 6 de julho, às 17h00 (horário de Seattle). A FIFA baseia sua decisão no artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA. Essa disposição estipula que a Comissão de Disciplina da FIFA pode decidir suspender a execução de uma sanção disciplinar anteriormente imposta. No entanto, o artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar da FIFA prevê claramente que um cartão vermelho (expulsão) acarreta automaticamente uma suspensão para o jogo seguinte da equipe, como tem sido o caso para todos os cartões vermelhos anteriores pronunciados durante esta Copa do Mundo FIFA.
Além disso, independentemente do que precede, essa decisão está em contradição direta com as disposições do Regulamento da Competição da Copa do Mundo FIFA 2026, conforme previsto no artigo 10.5: « Se um jogador ou um oficial de equipe for expulso devido a um cartão vermelho direto ou indireto (segundo aviso), ele será automaticamente suspenso do jogo seguinte de sua equipe. Além disso, sanções adicionais podem ser impostas. » O caráter automático de tal suspensão também foi reafirmado explicitamente na Circular n.º 16 da Copa do Mundo FIFA 2026, que foi distribuída a todas as associações membros participantes em 12 de maio de 2026. A mesma regra é repetida em cada Reunião de Coordenação dos Jogos da Copa do Mundo FIFA 2026 antes de cada partida e está incluída em todas as apresentações dos workshops da Copa do Mundo FIFA 2026.
Para salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do fair-play em nosso esporte, tanto nesta Copa do Mundo FIFA quanto nas edições futuras do torneio, a RBFA examina todas as opções potenciais.”
Fifa nega recurso da Bélgica

Kevin De Bruyne, da Bélgica, comemora seu gol contra a Nova Zelândia em Vancouver(EFE/EPA/BOB FRID)
A menos de 24 horas do início do confronto com os Estados Unidos, a Bélgica tentou recorrer a decisão da Fifa. No entanto, a entidade máxima do futebol negou o recurso da federação belga, que disse não ter recebido uma justificativa pela decisão.
Nota oficial da Bélgica
A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) recebeu a decisão do Comitê de Apelação da FIFA, assinada por seu membro, Sr. Salman Al-Ansari, que declara o caso da RBFA inadmissível e confirma a decisão anterior que permitiu a participação do jogador dos Estados Unidos, Folarin Balogun.
Até o momento, a RBFA ainda não recebeu nenhuma justificativa para essa decisão, nem as informações que vem solicitando desde o início do processo, ou seja, uma cópia da decisão e da justificativa que declara o jogador elegível, bem como o relatório do árbitro. Isso constitui uma violação dos regulamentos da FIFA.
A RBFA informou à Federação de Futebol dos Estados Unidos que contesta a elegibilidade do jogador, caso ele conste na lista de convocados do árbitro.
Isso deixa todas as medidas cabíveis em aberto.






